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17 setembro 2015

Resuminho sobre Islamismo

Mesquita de Meca, a maior do mundo.
Fonte: genius.com

Segundo a tradição, por volta de 610 d.C., Maomé (seu nome de nascimento era Muhammad), enquanto meditava durante uma de suas viagens de comércio pela Arábia, ouviu a voz do Anjo Gabriel. Segundo o Anjo Gabriel, Maomé seria o Último Profeta de Deus.

As revelações do Anjo Gabriel a Maomé criaram uma nova religião monoteísta, o islamismo.

Devido às suas viagens, Maomé conhecia o judaísmo e o cristianismo, para ele a mensagem de que só há um Deus, não foi uma grande surpresa, embora os povos da Península Arábica na época fossem politeístas.

Para os seguidores do Islamismo, a Palavra de Deus foi revelada a Maomé e está contida no Livro Sagrado: o Alcorão. Os islamitas, ou muçulmanos ,seguem as palavras e a vontade de Alá (Deus).

O Alcorão é um livro repleto de capítulos (Suras) repletos de ensinamentos.

O Alcorão foi escrito por Alá, por meio de mensagens transmitidas ao seu profeta Maomé, e contém as bases da religião islâmica.

Há cinco obrigações principais do Islamismo:
  • Crer em Alá e em Maomé 
  • Rezar 5 vezes por dia 
  • Jejuar durante o Ramadã (mês sagrado dos muçulmanos) 
  • Dar esmola aos pobres 
  • Ir a Meca pelo menos uma vez na vida 
Maomé morava em Meca, uma das mais importantes cidades da Arábia. Os comerciante de Meca ficaram desconfiados da nova religião propagada por Maomé e o expulsaram da cidade. Maomé se refugiou em Yatrib (Medina, a cidade do profeta). Essa fuga é chamada de Hégira e é considerado o marco inicial do calendário islâmico.

Maomé difundiu a nova fé, unificou as tribos árabes e retornou à Meca, estabelecendo o culto de Deus único, Alá, na Kaaba - O panteão no qual havia todo tipo de estátuas e pedras sagradas, reunindo um total de 360 ídolos dos cultos politeístas e atualmente abriga em seu interior a Pedra Negra.

Após a morte de Maomé, seus seguidores continuaram expandindo a religião, realizando também uma expansão territorial. A difusão da fé islâmica é denominada de Jihad e é o “esforço em favor de Deus”, ou o esforço para vivenciar e propagar os ensinamentos de Deus - alguns grupos consideram a Jihad como uma difusão e defesa da fé por meio da guerra, a "Guerra Santa", entretanto, no Alcorão não há nenhuma referência à Jihad como algo violento.

Os povos árabes influenciaram muito o Ocidente, em especial após as Cruzadas. Dentre as várias contribuições que a cultura ocidental herdou dos árabes, podemos citar:

Os árabes dominavam conhecimentos de química, o que permitiu que eles desenvolvessem e criassem diversos produtos farmacêuticos e medicamentos como a cânfora, o sândalo e o mercúrio.
O contato dos povos árabes com as culturas do Oriente permitiu que eles conhecessem e aperfeiçoassem instrumentos que auxiliavam a observação dos astros.Isso foi muito importante para a colonização da América nos séculos XVI e XVII porque os mouros ensinaram portugueses e espanhóis a utilizar a bússola e o astrolábio. 

Resuminho sobre Império Bizantino

Hagia Sophia (Santa Sabedoria) Igreja Ortodoxa, transformada em Mesquita, atualmente é um Museu.
Infoescola.com

Um dos impérios mais importantes da história, o Império Bizantino, surgiu no século IV quando o Império Romano dava sinais da queda de seu poder, principalmente por conta das invasões “bárbaras” – germânicas – nas suas fronteiras. Diante de tantos problemas, o Imperador Constantino transferiu a capital do seu império para a cidade de Bizâncio, a qual mais tarde passou a ser chamada de Constantinopla. Apesar de essa mudança significar a queda do poder no Ocidente, a localização do novo lugar facilitava bastante o comércio da região, já que ficava entre o Mar Negro e o Mar Mármara, o que favoreceu muito a restauração da cidade e chegou a transformá-la em uma “Nova Roma”.

Bizâncio era uma cidade grega com várias qualidades especiais que levaram o imperador Constantino a empreender uma reforma para criar uma “Nova Roma” – segunda capital do Império Romano e depois capital Bizantina. Entre as qualidades de Bizâncio estão: 

  • Localização geográfica privilegiada, pois estava no entroncamento das principais rotas comerciais da época. 
  • Condições geográficas favoráveis para garantir a segurança militar da cidade: uma península naturalmente protegida pelo Mar Negro, Mar de Mármara e o Estreito de Bósforo. 
  • Intenso movimento comercial e oferta de mercadorias para seu abastecimento e especiarias provenientes do Oriente que favoreceriam seu enriquecimento.
Muralhas de Constantino
Infoescola.com

A administração do Império Bizantino assumiu características distintas do modelo adotado no Império Romano (do Ocidente):

  • Poder espiritual e temporal conjugados e concentrados de maneira absoluta nas mãos dos imperadores – Cesaropapismo.
  • Subordinação do patriarca de Constantinopla diretamente aos imperadores, o que anulava a autoridade do papa naquele império. 
  • Dinamicidade para controlar as atividades rurais e manufatureiras que eram complementadas pelo intenso comércio.

Sociedade bizantina

A sociedade bizantina era totalmente hierarquizada. No topo da sociedade encontrava-se o imperador e sua família. Logo abaixo vinha a nobreza formada pelos assessores do rei. Abaixo destes estava o alto clero. A elite era composta por ricos fazendeiros, comerciantes e donos de oficinas artesanais. Uma camada média da sociedade era formada por pequenos agricultores, trabalhadores das oficinas de artesanato e pelo baixo claro. Grande parte da população era formada por pobres camponeses que trabalhavam muito, ganhavam pouco e pagavam altas taxas de impostos.

Cisma do Oriente
O chamado “Cisma do Oriente” ocorreu em 1054, quando o Patriarca de Constantinopla proclamou a autonomia total da Igreja Oriental em relação à Igreja Católica Ocidental.

Lembro a todos que consultarem essa postagem, a ideia é fazer um rápido resumo direcionado aos meus alunos. Algumas pessoas postam comentários ofensivos, dizendo que o artigo não ajudou em nada, mas não é minha intenção esgotar o assunto. Para saber mais, pesquise mais!!!

12 setembro 2015

Filmes sobre Idade Média

A listagem abaixo está sem resenha. São filmes sobre o período medieval que valem a pena ver.

Bom filme!!!

Segue os links dos filmes no youtube:

Tristão e Isolda

https://www.youtube.com/watch?v=eYeWHwWpCHA

Joana D'Arc
https://www.youtube.com/watch?v=NLMvCDKkvEU

Ricardo Coração de Leão
https://www.youtube.com/watch?v=YF9xzPZrvTw

A lenda de Grendel
https://www.youtube.com/watch?v=l85uYezwu1Q

Arn, o Cavaleiro Templário
https://www.youtube.com/watch?v=zOlU5G0LB_M

Átila, o rei dos Hunos
https://www.youtube.com/watch?v=FBMqcsh8Qt8

Em nome do rei

https://www.youtube.com/watch?v=FpgyNCflsAo

A guerra viking
https://www.youtube.com/watch?v=qM6I0V1xYAA

A lenda de um guerreiro - Vercingétorix
https://www.youtube.com/watch?v=NQmOEALyeRc

São Francisco de Assis
https://www.youtube.com/watch?v=9IizwRIIC3k

Santo Agostinho e o declínio do Império Romano
https://www.youtube.com/watch?v=Yesgxi5qhwM


Brumas de Avalon
https://www.youtube.com/watch?v=rxZY41dFu28

A fonte da Donzela - legendado
https://www.youtube.com/watch?v=v8CF3D6cFOc


Outras sugestões de Filmes:


"O Destino"
O filme conta a história do filósofo Averroes, na Andaluzia (séc. 12), cujos livros um califa influenciado pelos radicais manda queimar.

"O nome da rosa"

História de um monge que investiga uma série de mortes em um mosteiro, no final da Idade Média.

"O sétimo selo"
Um homem desafia a morte para uma partida de xadrez, na época da Peste Negra.

"O incrível exército de Brancaleone"
Por meio da comédia, o filme narra as aventuras dos cavaleiros cruzados para chegar na "Terra Santa". Esse é bem antigo, mas é engraçado.

"Ivanhoé"
Normandos estão em guerra contra os saxões na época em que o rei Ricardo Coração de Leão está na Cruzada.

"Cruzada"
Narra a tomada de Jerusalém pelo exército muçulmano de Saladino, entre a 3ª e a 4ª Cruzada.

"Excalibur"
O filme narra a lenda do Rei Arthur, da Inglaterra.


"Morte Negra" (Black Death)
História se passa na Inglaterra na época da Peste Negra.

"Sangue e honra"
Baseado em uma história real, a batalha pelo castelo de Rocester, na Inglaterra do século XIII - época em que o rei começava a concentrar forças em suas mãos.

"Entre a luz e as Trevas" (The hour of the pig)
Na frança do final da Idade média, uma pequena cidade ainda mantém tradições medievais como julgar animais por crimes.

"O corcunda de Notre Dame"
O filme, pois o desenho é muito fora da história real. Baseado no livro, de mesmo título, de Victor Hugo, a história se passa em uma cidade do final da Idade Média.

"Coração Valente"
História real de William Wallace que defende a Escócia contra as invasões inglesas.

"Robin Hood"
Atenção: tem que ser aquele de 2010, com o Russell Crowe. Foi feito um outro totalmente errado (historicamente).

"O Físico" 
Filme de 2014, mostra as condições de higiene da Europa Ocidental na época medieval e as diferenças culturais entre cristãos, judeus e muçulmanos. Além de trazer um belíssimo estudo da medicina árabe da época.

20 agosto 2015

Resuminho sobre Sociedade Tripartida

A sociedade feudal era formada por três ordens de acordo com as funções que cada grupo desempenhava:

Rei João Sem Terra. Robin Hood, Animação de Walt Disney Pictures, 1973

Os bellatores tinham como função as atividades militares, pois seus membros pertenciam à nobreza.
Em tempos de paz, os bellatores caçavam e disputavam torneios, em tempos de guerra defendiam a população.
Os guerreiros, cavaleiros, senhores feudais eram todos nobres e chamados de bellatores. Eles se ligavam a outros nobres por meio de relações de vassalagem, ofereciam apoio militar e juravam fidelidade aos seus suseranos.

O grupo que recebia a denominação latina de oratores era encarregado da esfera religiosa, ou seja, cuidava dos assuntos da Igreja. Esses oratores cuidavam das igrejas, celebravam ritos religiosos e eram os responsáveis pela vida espiritual de toda a sociedade, agindo como intermediários entre os homens e Deus.
Frei Tuck. Robin Hood, Animação de Walt Disney Pictures, 1973

Os laboratores, denominação latina dada a outro grupo, eram os pastores e agricultores, responsáveis por “sustentarem” os outros dois grupos.
Os laboratores cuidavam dos afazeres ligados ao cultivo da terra, criação de animais, produção de vestimentas, ferramentas e utensílios para o cotidiano.


Camponeses. Robin Hood, Animação de Walt Disney Pictures, 1973

Apenas os bellatores e oratores possuíam direito de propriedade da terra, da qual uma parte era cedida aos servos, apenas como arrendamento, que a cultivavam em troca de sustento e proteção.

Os bellatores e os laboratores iam à missa e festas religiosas celebradas pelos oratores.

Essa sociedade tripartida era estamental, ou seja, rigidamente separada. As pessoas nascidas dentro de um grupo seriam desse grupo até sua morte, e somente poderiam casar-se com pessoas do mesmo grupo.
Os oratores, por serem da Igreja, eram pessoas oriundas na maioria da classe nobre.

Na Europa Feudal, os membros da aristocracia organizaram o poder político a partir das relações de vassalagem. O rei era um nobre como outro qualquer, possuía seu feudo e os guerreiros ligados à sua casa. Quem detinha o poder, de fato, eram os senhores feudais, que possuíam muitos vassalos e muitas terras, sendo que alguns eram mais poderosos que os reis.
A cerimônia denominada homenagem consistia no compromisso de fidelidade do vassalo para com o seu chefe guerreiro, líder, senhor ou suserano.

Na homenagem, o vassalo entregava suas armas ao serviço do senhor e jurava fidelidade perpétua.
A investidura era o ritual simbólico de entrega do feudo para o vassalo

A vassalagem não é sinônimo de servidão – as cerimônias de homenagem e investidura serviam para confirmar a lealdade entre senhores da terra – um suserano (que dá o feudo) e o vassalo (que recebe o benefício do feudo).


Fidelidade, honra e proteção militar eram obrigações hierárquicas ambivalentes, ou seja, tanto vassalos quanto suseranos deveriam obedecê-las.

Para maiores conhecimentos sobre a Sociedade Feudal, leia também o artigo "Sociedade Medieval": 

Se quiser saber um pouco mais sobre povos germânicos, leia os artigos "Visigodos" e "Os Francos":

15 setembro 2014

Renascimento Comercial e Urbano


Cruzadas
O embate entre muçulmanos e cristãos na “Terra Santa”




Fatores da Cruzadas
  • Expulsar os muçulmanos do território bizantino, especificamente da região da Palestina;
  • Ter todos os pecados perdoados;
  • Ameaça do islamismo para a Igreja Católica;
  • Expansão territorial árabe e disseminação do islamismo;
  • Aumento populacional europeu;
  • Escassez de terras cultiváveis na Europa;
  • Possibilidade de adquirir terras e riquezas no Oriente;
  • Impossibilidade de mudar o status social em uma sociedade hierarquizada;
  • Nobres que não eram herdeiros viam a possibilidade de serem senhores feudais no Oriente;
  • Demonstração da superioridade católica.
Outras características das Cruzadas:


A hierarquização da sociedade feudal e a impossibilidade de alteração do status social motivou muitas pessoas humildes e sem posses a buscarem novas oportunidades nas Cruzadas. Todo homem tinha a chance de vencer batalhas e conquistar terras (embora fosse difícil). Além disso, as Cruzadas abriam caminho para o comércio, trazendo possibilidades de mudar seu status social e enriquecer tornando-se comerciante.


Os árabe-islâmicos estavam ameaçando os bizantinos ao tentar invadir a cidade de Constantinopla, porque, além de oferecer muitas riquezas, ela era um atrativo entreposto comercial.

O papa Urbano II (1042-1099), ao atender o apelo dos bizantinos que necessitavam de ajuda para combater os turcos-otomanos (muçulmanos), percebeu uma oportunidade de demonstrar a “superioridade” da Igreja Católica.

Muitos filhos de cristãos nobres tinham interesse mundano nas Cruzadas, pois, de acordo com o costume medieval de recebimento de heranças, apenas o primogênito tinha privilégios garantidos, de forma que lhes interessava conquistar suas próprias terras.

Afinal, o que foram as cruzadas? 

Um ato de fé e heroísmo? Um massacre covarde? “Não faz sentido buscar hoje bandidos e mocinhos”, diz o holandês Peter Demant, historiador da USP. “As batalhas tiveram significados diferentes para o Ocidente e o Oriente”. São olhares diferentes que ajudam a entender por que, nove séculos depois, o assunto continua fascinando – e causando polêmica – nos dois lados do mundo.





Progresso agrícola

O excedente da produção facilitou o crescimento demográfico da população medieval, incentivou o comércio, dinamizou a economia e promoveu a urbanização na Europa.



Características das cidades medievais 

• Muralhas – para proteger os mercadores e seus produtos. Havia portões de acesso que controlavam a entrada e saída dos visitantes estrangeiros;

• Cresceram desorganizadamente;

• Ruas estreitas, sem água encanada, sem sistema de esgoto ou coleta de lixo;

• Tornaram-se centros econômicos e financeiros, vinculados a rotas comerciais e produção agrária das áreas rurais próximas.




Século XIV: o século das crises

“A fome, a peste, a morte e a guerra.”




Na época, as cidades medievais agrupavam desordeiramente uma grande quantidade de pessoas. O lixo e o esgoto corriam a céu aberto, atraindo insetos e roedores hospedeiros da peste. Os hábitos de higiene pessoal ofereciam grande risco. Os banhos não faziam parte da rotina das pessoas.



Peste Negra

• Peste Bubônica – causada pelas pulgas de ratos infectados

• Falta de higiene, maus hábitos e cidades mal organizadas

• 2/3 da população morta





Colapso do feudalismo

• Morte de 2/3 da população (peste);

• Condições climáticas reduziram a produção agrícola comprometendo a oferta de alimentos;

• Revoltas de camponeses;

• Guerra dos Cem Anos.
 

 

20 maio 2014

Revisão sobre Feudalismo

Com relação à formação da sociedade feudal, devemos lembrar que a origem da condição servil está relacionada com o sistema do colonato, que remonta ao século IV da era cristã. Além disso o processo de feudalização implicou enfraquecimento do poder real, já que cada feudo tinha autonomia e era governado pelo seu senhor.

Esse período chamado de feudalismo é caracterizado pela ausência de poder centralizado, uma vez que cada senhor feudal tinha total poder no seu feudo. As cidades perdem sua função econômica, sendo apenas restabelecidas após o renascimento comercial no século XII.

O grupo de nobres, senhores feudais e seus familiares, eram a “classe” guerreira, que se mantinham na função social de lutar e defender os territórios, portanto para eles era muito importante a defesa das relações de suserania e vassalagem e a diversão sob a forma de torneios e jogos em épocas de paz.

Os nobres escolhiam seus reis e lhe juravam fidelidade e ajuda militar em troca de benefícios e forma de terra, que eram os feudos. A condição de vassalo previa o auxílio militar, provisionamento de cavaleiros, hospedagem, participação nos tribunais do senhor e garantia do pagamento de resgate em caso de captura do senhor.

O trabalho braçal era realizado por camponeses, que viviam em regime de servidão nos feudos tanto nos de senhores feudais quanto nos feudos eclesiásticos (pertencentes à Igreja), dessa forma o clero, além dos serviços religiosos, também se dedicava à exploração do trabalho dos servos, em terras pertencentes à igreja. As atividades econômicas de produção e pagamento de tributos pelos servos eram marcados no tempo tanto em relação às estações climáticas quanto às datas religiosas. Além do pagamento de tributos e serviços individuais, os servos eram obrigados a oferecerem coletivamente ao senhor alguns serviços e produtos.

Dispondo de grande poder econômico, a Igreja Católica possuía imensa riqueza, representada por bens móveis e imóveis. Em uma sociedade em que a terra se firmava como a base da riqueza, o fato de a Igreja converter-se na maior proprietária de terras ajuda a entender melhor a preponderância que assumiu na sociedade medieval, da qual  se tornou dirigente, não só nos assuntos materiais, mas como também nas questões temporais. A Igreja para manteve sua riqueza e poder por meio da instituição do celibato clerical e a criação da inquisição.

Sobre as Cruzadas, sabe-se que a primeira delas, ocorrida no final do século XI, foi a única que obteve sucesso. O ataque a Jerusalém foi contra os muçulmanos, uma vez que a cidade estava sob seu domínio. Após a expulsão dos muçulmanos a cidade voltou a ter um governante cristão, até ser invadida novamente por Saladino, um século depois.

Para maiores informações sobre as Cruzadas leia também  http://www.prof-tathy.blogspot.com.br/2014/05/cruzadas.html

A peste negra, que dizimou cerca de um terço da população europeia, as revoltas camponesas ocasionadas pelo precário equilíbrio da produção agrícola, e a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, foram responsáveis pela crise do feudalismo e consolidação do poder real.

O sistema feudal, com o retorno do comércio e o ressurgimento da vida nas cidades, entrou em declínio, pois nesse momento se intensificaram as relações mercantis e as trocas monetárias. Além disso o aumento populacional, ampliou o mercado consumidor e explicitou as limitações da produção feudal, baseada na servidão. Esse renascimento urbano não foi planejado, as cidades cresceram de forma desordenada. Muitas dessas cidades eram sujas, sem água encanada, sem sistema de esgoto e sem nenhuma preocupação com o lixo, isso contribuiu para a proliferação da peste negra.

O renascimento comercial gerou a necessidade de organização dos comerciantes em associações, chamadas de Guildas ou Hansas, como exemplo da Liga Hanseática. As Guildas eram então essas associações de comerciantes que protegiam o comércio da cidade contra concorrentes. Além dessas associações, foi necessário organizar os artesãos em associações chamadas de corporações de ofícios.
O crescimento das atividades comerciais e urbanas também modificaram a prática e o uso das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos.

16 maio 2014

Revisão sobre Final da Idade Média

  1. Explique como a Igreja e a nobreza feudal foram atingidas pela aliança entre o rei e a burguesia, durante o período de centralização do poder, no final da Idade Média.
Podemos dizer que na Europa na Baixa Idade Média o processo de centralização do poder caminhou lado a lado com a expansão comercial. Os burgueses apoiaram a centralização monárquica, pois favorecia seus interesses. Assim, a Igreja perdeu o direito de aplicar a justiça e recolher impostos. A nobreza não poderia mais pressionar o rei porque não era mais a base do exército.

  1. Como foi firmada a aliança entre o rei e a burguesia?
No renascimento comercial e urbano, desenvolveu-se um novo grupo social: a burguesia. A descentralização do poder nas mãos dos nobres atrapalhava seus interesses e, por essa razão, este grupo foi o grande apoiador da centralização do poder nas mãos de um rei.  A burguesia pagava impostos e concedia empréstimos ao rei o que permitia a ele organizar um exército, independente dos nobres. O rei, por sua vez, centraliza em suas mãos a autoridade sobre questões como justiça, segurança, impostos, etc.

  1. Explique uma das formas pelas quais as cidades européias (comunas) buscaram tornar-se independentes dos senhores feudais.
Como todas as terras na Europa estavam sob o domínio de algum senhor feudal, as cidades em formação também estavam subordinadas a seu poder e seus interesses, assim para tornar-se independentes dos senhores feudais, as cidades podiam comprar sua liberdade pela aquisição de uma Carta de Franquia, ou através da guerra contra esses senhores feudais.

  1. Uma das formas pela qual as cidades europeias tornavam-se independentes era comprando sua liberdade. Explique qual era a outra forma dessas cidades conquistarem sua independência.
Por meio da guerra, os comerciantes das cidades podiam contratar mercenários (soldados pagos para lutar) e ainda podiam contar com o apoio do rei, para lutar contra o senhor feudal, dono da cidade e conquistar sua independência.

  1. Por que à época das Cruzadas os reis começaram a recuperar novamente seu poder?
Porque os reis lideravam seus vassalos na luta contra os muçulmanos, nas Cruzadas e se reafirmavam como chefes militares, aumentando seu prestígio e poder.

  1. O rei era visto como o protetor de seus dependentes. Como essa ideia reflete os valores políticos e sociais à época da centralização monárquica?
O rei era aquele que aplicava a justiça e a lei, protegendo todos seus súditos.

  1. Porque a consolidação do Estado espanhol só ocorreu após a expulsão dos mouros do reino de Granada?
Granada era o último espaço a ser conquistado dos mouros muçulmanos  na Península Ibérica. Após terem conseguido essa vitória Fernando e Isabel (reis da Espanha) conseguiram unificar seu poder sobre todo o território espanhol.

  1. Que acontecimento dificultou a centralização do poder na França?
A Guerra dos Cem Anos.

  1. Escreva duas características da arte medieval e duas da arte renascentista:
Na arte medieval não havia a noção de perspectiva, as cores eram fortes e brilhantes, já na arte renascentista a perspectiva dá a sensação de profundidade e o trato na utilização das cores, do claro e do escuro, permitem uma sensação de realidade, as representações parecem “de verdade”.

  1. Dentre outras características, o Renascimento foi um movimento humanista. O que significa humanismo?
O ser humano deveria ser valorizado. Os estudos deveriam melhorar o entendimento do mundo e da vida e exaltar a liberdade de iniciativa e a eterna curiosidade dos seres humanos.

  1. Faça uma comparação entre antropocentrismo, relativo à visão de mundo renascentista, e teocentrismo, relativo à visão de mundo medieval.
Teocentrismo medieval: todos os acontecimentos eram explicados pela vontade divina. Visão renascentista: antropocêntrica porque o homem é o centro da capacidade de criação por meio do pensamento especulativo, da arte e da ciência.

  1. Explique quem eram os mecenas e qual sua importância para o Renascimento.
Burgueses que financiavam artistas. Sem o auxílio financeiro dos mecenas muitos artistas e cientistas não teriam condições de desenvolver seus trabalhos.

15 maio 2014

Cruzadas



De forma bem resumida, pode-se dizer que as Cruzadas foram expedições militares, ordenadas pela Igreja Católica e comandadas por guerreiros europeus (nobres sobretudo), que iam até o Oriente Médio (região da Palestina) para expulsar dessa região os muçulmanos que lá se estabeleceram.
A "Terra Santa" como era chamada essa região por ter sido o local da vida e morte de Jesus Cristo foram invadida pelos muçulmanos na época da expansão territorial dos povos que aceitaram o islamismo como religião. Causando desconforto na Igreja Católica que queria manter essa área sob o domínio cristão. Devemos lembrar que muitos cristão peregrinavam até Jerusalém, para visitar o Santo Sepulcro.

Além desse motivo religioso, as Cruzadas tinham outros interesses, como por exemplo uma função social que era dar uma ocupação para os jovens guerreiros. Com o aumento populacional e o fim de guerras de conquista, muitos jovens nobres, filhos mais novos de senhores feudais não tinham muito o que fazer além de treinar para possíveis guerras. Muitos se aventuravam pelos feudos vizinhos e mesmo por reinos vizinhos, em busca de aventuras.


Os "romances de cavalaria" são dessa época - histórias do Rei Arthur e da busca de seus cavaleiros pelo cálice sagrado, o santo Graal; heróis que combateram dragões; cavaleiros que salvaram princesas, etc. Assim, esses jovens guerreiros ficavam, como diríamos hoje, buscando confusão e briga por onde passavam. A Igreja Católica uniu o útil ao agradável, livrar a Terra Santa de um povo de religião diferente (convenhamos que a tolerância religiosa não era o forte da época) e ao mesmo tempo dar alguma atividade heroica a esses rapazes.

A promessa de recompensas também era um grande atrativo, quem fosse lutar contra os muçulmanos teriam seus pecados perdoados, teriam garantida a entrada no reino dos céus, mas além disso havia uma recompensa muito mais mundana (do mundo dos vivos) que era ganhar terras no território conquistado.
Novamente devemos lembrar que os herdeiros dos feudos eram sempre os filhos homens mais velhos. Os mais novos não herdavam nada e deveriam se contentar em servir seus irmãos ou se colocarem ao serviço de algum outro nobre senhor feudal. Se o rapaz fosse um grande guerreiro, poderia conquistar as graças de algum senhor feudal e virar seu vassalo, ganhando também um feudo para si. Mas no século XI as terras já estavam distribuídas e essa possibilidade era bem mais remota. Dessa forma, ir lutar na Terra Santa, ganhar o perdão de todos os pecados e ainda virar um senhor do seu próprio feudo não era uma ideia tão ruim assim.

03 dezembro 2009

Sociedade Medieval



A Sociedade Medieval é uma sociedade rural, ou seja, que vive principalmente no campo.
A vida nas cidades praticamente deixou de existir, devido aos perigos causados pelas invasões.
Essa sociedade é rigidamente dividida em três partes, portanto, podemos chamá-la de sociedade tripartida (dividida em três partes).
Nessa divisão, cada grupo tem uma função social bem definida, como veremos a seguir:

O Rei 

É um nobre como outro qualquer. 
Seu poder é apenas figurativo e sua função social é atuar como uma espécie de árbitro entre seu povo e, principalmente, entre os nobres.
Ele é o grande suserano, pois é ele quem divide as terras conquistadas.
O Rei possui a fidelidade de seus nobres e seu governo, apesar de hereditário, deve ser aceito pelos demais nobres.
Os reis e o alto clero disputam a obediência dos demais membros da sociedade medieval, uma vez que os nobres juram fidelidade ao rei, mas também são fiéis a Deus.

Os Nobres - Senhores

Os Nobres são, de fato, os poderosos da Idade Média.
  • •Eles possuem terras;
  • •Tem poder militar;
  • •Possuem DIREITOS SENHORIAIS sobre a terra e sobre os camponeses;
  • •Cobram impostos e aplicam a justiça.
Os nobres estão ligados entre si (mesmo com o Rei, através de RELAÇÕES de VASSALAGEM).



Hierarquia da nobreza, esquema simplificado.

Os que lutam - bellatores

Iluminura medieval
mostrando uma batalha entre nobres para a retirada de um rei do trono
(note o rei enforcado no alto da imagem).

Os nobres também chamados cavaleiros, tornaram-se o elemento armado da sociedade. Formaram um grupo privilegiado, quase todos os nobres viviam no seu castelo ou no castelo de um senhor mais poderoso. Lugar de protecção, o castelo era também símbolo de poder.

Nesta época, os reis tinham o seu poder muito enfraquecido, sendo incapazes de assegurar a protecção das populações, ao mesmo tempo crescia o poder dos grandes senhores nobres:
Passam a ter seu próprio exército e aplicam a justiça.
Cobram impostos nos seus territórios.Os camponeses ficam à mercê dos senhores

Clero - Religiosos

Os membros do clero fazem parte da nobreza. Porém, possuem mais poder que os demais nobres pois sua função social é rezar pela salvação das almas e cuidar da vida espiritual da sociedade.
Individualmente, não possuem terras ou bens, sendo que essas são propriedade da Igreja Católica (única igreja cristã da Europa Medieval).
A Igreja, representada por seus membros, possui DIREITOS SENHORIAIS, podendo cobrar impostos e aplicar a justiça.


Hierarquia da Igreja Católica, esquema bastante simplificado.


Os que rezam - oratores

Iluminura medieval, mostra a coroação de um rei realizada pelo Papa, auxiliado por outros membros do Alto Clero.

A vida dos homens era profundamente religiosa, o clero possuía grande influência e riqueza. Eram praticamente as única pessoas instruídas e quase todas as escolas se localizavam nos mosteiros e igrejas.
Mas dentro do clero existiam grandes diferenças: o baixo clero (monges e padres), eram respeitados mas viviam pobremente.
O alto clero (Bispos, Arcebispos e Cardeais), tinham um tipo de vida idêntica à nobreza, possuíam extensas propriedades, cultivadas por camponeses.

A Igreja controlava a vida das pessoas, através do medo.
As pessoas tinham medo do Apocalipse, do fim do mundo e da perdição da alma no inferno.

Além disso, tinham medo de serem condenadas pelos Tribunais da Inquisição e assim, serem torturadas e mortas e ainda terem que penar no inferno pela Eternidade.
Por isso, obedeciam aos religiosos.

A Igreja Católica se tornou uma das mais importantes instituições de toda a Idade Média, em especial após o Ano Mil, pois as pessoas com medo do Apocalipse, doaram muitas coisas para a Igreja em troca das orações pela remissão dos pecados. Muitas dessas doações eram na forma de terras, o que tornou a Igreja, aos poucos, a maior Senhora Feudal da Europa.
Para assegurar sua hegemonia, a Igreja Católica passou a condenar algumas das práticas ou crenças que remetessem aos costumes pagãos originados tanto entre os antigos romanos quanto entre os germânicos - como por exemplo sacrifícios de animais e adivinhações na forma de oráculos e augúrios.
Entretanto, o cristianismo medieval englobou em sua crença os demônios, seres sobrenaturais que poderiam tanto ser bons quanto maus, separando-os em anjos e diabos, seres de origem divina ou de origem diabólica. Ou seja, há uma apropriação de elementos pagãos na formação cristã. Esses demônios, anjos ou outras criaturas vinham de diversas tradições, como as persas, germânicas, hebraicas, mesopotâmicas , gregas ou romanas. Dessa forma, o cristianismo católico era a religião oficial, mas conviveu com práticas pagãs, que se tornaram crenças não oficiais.
A Igreja Cristã criou o conceito de heresias, que eram todas as ideias ou atos que contrariavam os dogmas do cristianismo, e passou a perseguir e punir os hereges, ou seja, aqueles que praticavam heresias.



Cavaleiros do Apocalipse, na ordem, da direita para a esquerda: Fome, Guerra, Peste e Morte.

Camponeses - Servos

Os camponeses são livres, porém estão presos à terra de onde retiram sua sobrevivência e pagam pelo uso da terra.

Os que trabalham - laboratores


Iluminura medieval, Livro das Horas, mostrando o trabalho no campo, realizado pelos servos.

Cerca de 90% da população medieval era constituída por camponeses, a maioria deles viviam nos domínios senhoriais. Os domínios senhoriais eram extensas propriedades agrícolas e estavam divididas em duas partes:

  • Reserva - parte do domínio explorada directamente pelo senhor. 
  • Os Mansos - pequenas extensões de terra, cada uma delas explorada por uma família de camponeses.
Obrigações dos camponeses:
Em troca do manso, que lhes era atribuído para assegurar o seu sustento, os camponeses estavam sujeitos a uma série de obrigações, fossem colonos ou servos.
Os servos tinham uma série de “obrigações” para o Senhor Feudal:

  • Fornecer a maior parte de sua produção para o senhor, como uma troca pelo uso da terra do feudo – talha; 
  • Trabalhar um número de dias por semana nas terras do manso senhorial (terras do Senhor Feudal) – corvéia;Pagar, em forma de produtos, pelo uso de moinhos, celeiros, adegas, etc – banalidades; 
  • Pagar a mão-morta, que era o pagamento pelo uso da terra dos filhos de um servo morto; 
  • Além do dízimo pago para a Igreja Católica – tostão de Pedro.

Além disso, os servos deviam obediência ao Senhor Feudal, que poderia castigá-los, aplicar justiça e cobrar outros impostos.


25 outubro 2009

Visigodos

Os visigodos eram um dos dois ramos em que se dividiram os godos, um povo germânico originário do leste europeu, sendo o outro os ostrogodos. Ambos eram povos germânicos que penetraram o Império Romano no período das migrações ou invasões. Após a queda do Império Romano do Ocidente, os visigodos tiveram um papel importante na Europa nos 250 anos que se seguiram, particularmente na península Ibérica, onde substituíram o domínio romano da Hispânia, reinando de 418 até 711, data da invasão muçulmana, que substituiria o reino visigodo por Al-Andaluz.

Migrações dos visigodos


Alguns autores defendem a origem do nome "visigodo" na palavra Visi ou Wesa ("bom") e do nome Ostro, de astra ("resplandescente"). Mas a opinião mais consagrada considera a origem da palavra na denominação de "godos do oeste", do alemão "Westgoten", "Wisigoten" ou "Terwingen", por comparação com os ostrogodos ou "godos do leste" — em alemão "Greutungen", "Ostrogoten" ou "Ostgoten".


Os vestígios visigóticos em Portugal e Espanha incluem várias igrejas e descobertas arqueológicas crescentes, mas destaca-se também a notável quantidade de nomes próprios e apelidos que deixaram nestas e noutras línguas românicas.

Os visigodos foram o único povo a fundar cidades na Europa ocidental após a queda do Império Romano e antes do Império Carolíngio. Contudo o maior legado dos visigodos foi o Direito visigótico, com o Liber iudiciorum, código legal que formou a base da legislação usada na generalidade da Ibéria cristã durante séculos após o seu reinado, até ao século XV, já no fim da Idade Média.

Os visigodos emergiram como um povo distinto no século 4, inicialmente nos Bálcãs onde participaram em várias guerras com os romanos, e por fim avançando por Itália e saqueando Roma sob o comando de Alarico I, no ano 410.


Este povo conquistou no século 3 a Dácia, província romana situada na Europa centro-oriental. No século 4, sob a ameaça dos hunos, o imperador bizantino Valente concedeu refúgio aos visigodos ao sul do Danúbio, mas a arbitrariedade dos funcionários romanos levou-os à revolta.

Penetraram nos Balcãs e, em 378, esmagaram o exército do imperador Valente nas proximidades da cidade de Adrianópolis. Quatro anos depois, o imperador Teodósio I, o Grande conseguiu estabelecê-los nos confins da Mésia, província situada ao norte da península balcânica. Tornou-os federados do império, ou seja, aliados, e deu-lhes posição proeminente na defesa.

Os visigodos prestaram uma ajuda eficaz a Roma até 395, quando começaram a mudar-se para oeste. Em 401, chefiados por Alarico I, os visigodos romperam com os romanos, entraram na Itália e invadiram a planície do Pó, mas foram repelidos pelos romanos. Em 408 atacaram pela segunda vez e chegaram às portas de Roma, que foi tomada e saqueada em 410.

Nos anos seguintes, o rei visigodo Ataúlfo estabeleceu-se, com seu povo, no sul da Gália (atual França) e na Hispânia (península Ibérica) e, em 418, firmou com o imperador bizantino Constâncio um tratado pelo qual os visigodos se fixavam como federados (aliados) na Gália.

Formou-se assim, o Reino Visigodo de Toulouse (sul da França atual). A monarquia visigoda consolidou-se com Teodorico I, que enfrentou os hunos de Átila na batalha dos Campos Catalâunicos. Em 475, o rei visigodo Eurico declarou-se monarca independente do Reino Visigodo de Toulouse, que incluía a maior parte da Gália e a Hispânia. Seu reinado foi extremamente benéfico para o povo visigodo: além da obra política e militar, Eurico cumpriu uma monumental tarefa legislativa ao reunir as leis dos visigodos, pela primeira vez, no Código de Eurico.

O filho de Eurico, Alarico II codificou, em 506, o direito de seus súbditos romanos, na "Lex romana visigothorum"(veja imagem).


Mas Alarico II carecia dos dotes políticos do pai e perdeu quase todos os domínios da Gália em 507, quando foi derrotado e morto pelos francos de Clóvis, na batalha de Vouillé, perto de Poitiers. Desmoronou então o reino de Toulouse e os visigodos foram obrigados a transferir seu reino para a Hispânia. Onde floresceu o Reino Visigodo de Toledo.

O reino visigodo na Península Ibérica, ou Reino Visigodo de Toledo, esteve durante algum tempo sob o domínio dos ostrogodos da Itália, mas logo recuperou a sua velha autonomia. Até conquistar o domínio sobre toda a península Ibérica, os visigodos enfrentaram suevos, alanos e vândalos, grupos de guerreiros germânicos que haviam ocupado a região desde antes de sua chegada.

A unidade do reino teria sido completa já durante o reinado do rei Leovigildo, mas ficou comprometida por, dentre outros problemas, uma questão religiosa: os visigodos professavam uma corrente cristã denominada de arianismo e os hispano-romanos eram católicos. O próprio filho de Leovigildo, Hermenegildo, chegou a revoltar-se contra o pai, depois de converter-se ao Catolicismo.

Mas esse obstáculo para a fusão com os hispano-romanos resolveu-se em 589, ano em que o rei Recaredo I proclamou o Catolicismo religião oficial da Hispânia visigótica. Entretanto as diferenças religiosas entre os visigodos nunca foi muito importante, uma vez que era comum o casamento entre pessoas das duas vertentes cristãs.A monarquia visigoda foi destruída em 711 pela invasão muçulmana procedente do norte de África, que substituiria o reino visigodo por Al-Andaluz.
Fíbula Visigoda - Fivela de cinto (século 6)

Os Francos

De todos os povos bárbaros germânicos, os francos merecem especial atenção, pois conseguiram estruturar um poderoso Estado de grande significação na Alta Idade Média européia.

Os francos formavam uma das tribos germânicas que entraram, ou invadiram, o espaço do império romano e estabeleceram um reino duradouro na área que cobre a maior parte da atual França e do leste da atual Alemanha.

A palavra franco, vem do germânico antigo Frekkr e significava "livre", “forte”, “ousado” e “corajoso” na língua franca. A liberdade não se estendia às mulheres ou à população de escravos que se instalou junto com os francos livres.

A respeito do início do Reino Franco não há muitas fontes históricas, uma vez que esse povo não conhecia a escrita. As principais informações a respeito desse povo são encontradas em relatos romanos.

No início do século 5 d.C., os francos se estabeleceram na província romana da Gália (atual França). No princípio, eles ajudaram a proteger as fronteiras romanas como aliados; quando uma grande invasão composta na sua maior parte de tribos germânicas orientais cruzou o Reno em 406, os francos lutaram contra esses invasores. A maior investida da invasão passou ao sul do rio Loire. (Na região de Paris, o controle romano persistiu até 486, uma década depois da queda dos imperadores de Ravenna, em parte devido às alianças com os francos.)
O reino franco formou-se e expandiu-se sob o governo de duas dinastias:
Dinastia dos Reis Merovíngios (séculos 5 a 8) – foi o período da formação do reino franco, das suas primeiras expansões territoriais e da aliança estabelecida entre o rei e a Igreja Católica Romana.
Dinastia dos Reis Carolíngios (séculos 8 e 9) – foi o período do apogeu dos francos, da sua máxima expansão territorial e da tentativa de se fazer ressurgir, sob o governo dos francos, um império universal e cristão.

Dinastia dos Reis Merovíngios
É assim denominada devido ao rei Meroveu, que foi líder do povo franco na primeira metade do século 5. Meroveu chefiou os francos na luta contra os hunos. Os descendentes de Meroveu formaram a primeira dinastia, chamada de merovíngia.

Em termos efetivos, o primeiro rei merovíngio foi Clovis (neto de Meroveu), que governou durante vinte nove anos (482-511). Clovis conseguiu promover a unificação dos francos, expandiu seus domínios territoriais e converteu-se ao cristianismo católico.

Depois da morte de Clovis, seus quatro filhos dividiram o reino franco, enfraquecendo-o politicamente. Somente com o rei Dagoberto (629-639) houve uma nova reunificação dos francos. Entretanto, após sua morte surgiram novas lutas internas que aceleraram o desmoronamento do poder dos reis merovíngios.

Os sucessores de Dagoberto tiveram seus poderes absorvidos por um alto funcionário da corte, o prefeito do palácio (mordomo e administrador do reino) que, na prática, desempenhava o papel do verdadeiro rei, uma vez que os reis merovíngios, assumiram uma vida de prazeres e de ociosidade, o que lhe valeu o título de reis indolentes.

No final do século 7, o mordomo do palácio, Pepino de Herstal (679-714), tornou seu cargo hereditário. Seu filho e sucessor, Carlos Martel (714-741), adquiriu grande prestigio e poder, principalmente depois de conseguir deter o avanço dos árabes muçulmanos em direção à Europa Ocidental.

Foi na famosa Batalha de Poitiers, em 732, que Carlos Martel venceu o emir árabe Abderramã, contando com os esforços da infantaria dos francos. Interrompendo o avanço dos muçulmanos em direção à Europa, Carlos Martel ficou conhecido como o salvador da cristandade ocidental.
Ao morrer, Carlos Martel repartiu seus domínios entre seus dois filhos: Carlomano e Pepino, o Breve. Em 747 Carlomano entrou para a vida monástica, deixando para Pepino todos os poderes políticos deixados pelo pai. Em 751, Pepino destronou o último e enfraquecido rei merovíngio, Childerico III, e fundou a dinastia carolíngia, que tem esse nome em homenagem ao seu pai Carlos Martel.

Dinastia dos Reis Carolíngios

Pepino, o Breve, obteve o reconhecimento do papa Zacarias para o destronamento do último rei merovíngio, que se recolheu a um mosteiro. Eleito rei de todos os francos, Pepino foi abençoado solenemente pelo arcebispo Bonifácio, representante do papa.
Antes de morrer, em 768, Pepino dividiu reino entre seus dois filhos: Carlos Magno e Carlomano. Porém, três anos após receber sua parte no reino (771), Carlomano morreu e Carlos Magno tornou-se soberano absoluto do reino franco. Através de diversas guerras, Carlos Magno ampliou os domínios dos francos, apoderando-se de regiões como a Saxônia, Baviera, Lombardia (regiões ao leste da atual Alemanha) e quase toda a Itália. Suas conquistas trouxeram-lhe prestígio e poder. Carlos Magno foi coroado imperador e assim surgiu o Império Carolíngio.

Império Carolíngio

Sob o governo de Carlos Magno, os francos aliaram-se à Igreja católica. A Igreja desejava a proteção de um soberano poderoso e cristão que possibilitasse a expansão do cristianismo. Assim, no dia 25 de dezembro de 800, Carlos Magno recebeu do papa Leão III o título de imperador do Sacro Império Romano Germânico.

A formação desse Império pretendia reviver, através do novo imperador, a autoridade do Império Romano do Ocidente, desaparecido em 476 com as invasões germânicas. Desse modo, Carlos Magno foi coroado como legítimo sucessor dos grandes imperadores romanos.

Em princípio, o Império Bizantino não reconheceu o título concedido a Carlos Magno. Esse reconhecimento apenas aconteceu quando o imperador bizantino Miguel I exigiu, que concessões territoriais da região da Dalmácia e da Ístria passassem para o domínio bizantino.

A Administração do Império Carolíngio

O império Franco não tinha capital fixa. Sua sede dependia do lugar onde se encontrava o imperador e sua corte. De modo geral, Carlos Magno permanecia por maior tempo na cidade de Aix-la-Chapelle.
Procurando dar uma organização mais adequada aos usos e costumes vigentes no império, Carlos Magno baixou normas escritas conhecidas como capitulares.

A Divisão e a Decadência do Império Carolíngio

Ao morrer, em 814, Carlos Magno deixou o poder imperial para seu filho Luís I, o Piedoso. No reinado de Luís I, o Império Carolíngio ainda conseguiu manter sua unidade política, mas após sua morte, em 840, o império foi disputado por seus filhos, numa desgastante guerra civil.
Pelo Tratado de Verdun, assinado em 843, os filhos de Luís I firmaram a paz, estabelecendo a seguinte divisão do Império Franco:
- Carlos II, o Calvo, ficou com a parte ocidental, compreendendo a região da Franca atual;
- Luís, o Germânico, ficou com a parte oriental, compreendendo a região da Alemanha atual;
- Lotário ficou com a parte central, compreendendo regiões que estendiam da Itália até o mar do Norte.
Em cada uma dessas regiões carolíngias foi perdendo o poder, com as sucessivas divisões internas dos reinos. Assim, a unidade política realizada por Carlos Magno não conseguiu sobreviver um século depois de sua morte.

O desmembramento do poder real dos monarcas carolíngios foi acompanhado pela crescente independência e autonomia da nobreza agrária. Houve forte descentralização e fragmentação do poder político, evidenciando a crise interna vivida pelo império.