13 setembro 2009

PIRATAS, BUCANEIROS, FLIBUSTEIROS E CORSÁRIOS

PIRATAS, BUCANEIROS, FLIBUSTEIROS E CORSÁRIOS
Qual a diferença? Na prática, nenhuma! Todos eles faziam saques e pilhagens de navios e cidades costeiras. Entretanto, a diferença entre eles estava na forma de agir e na região na qual eles agiam.

PIRATAS

Atualmente o termo é utilizado para se referir à cópia não-autorizada e à distribuição ilegal de material sob direito autoral, especialmente música, imagem, vestuário e software (warez).

Imagem: www.guesaaudiovisual.com

Entretanto, o termo pirata vem do grego (πειρατής, derivado de πειράω "tentar, assaltar") o termo passou para o latim e posteriormente para o italiano pirata. O Pirata é um marginal, um fora-da-lei, que, de forma autônoma ou organizado em grupos, cruza os mares promovendo saques e pilhagem de navios e cidades para obter riquezas e poder.

O termo “pirata”, designando aqueles que pilhavam os navios e cidades costeiras, foi utilizado pela primeira vez por Homero, na Grécia antiga, na sua obra Odisseia. Os piratas são aqueles que pilham no mar por conta própria: Eles navegavam nas rotas comerciais com o objetivo de apoderarem-se das riquezas alheias, que pertencessem a mercadores, navios de países ou povoações e mesmo de cidades costeiras, capturando tudo o que tivesse valor (metais, pedras preciosas, bens e até pessoas). Era comum os piratas capturarem as pessoas que estivessesm a bordo dos navios, fazendo reféns, para extorquir resgates. Normalmente esses reféns eram as pessoas mais importantes e ricas para que, assim, o pedido de resgate pudesse ser mais elevado. Os reféns que não fossem ricos ou famosos eram vendidos como escravos.


BUCANEIROS

A raiz da palavra bucaneiro está no francês boucanier. O boucan é um grelhador usado para fazer carne defumada. Este é uma forma de preservar a carne que era utilizado pelos índios nativos das Caraíbas Arawak (ilhas caribenhas), que ensinaram a técnica aos colonizadores ilegais em Hispaniola (atual ilha do Haiti e República Dominicana). Estes “colonos” intrusos caçaram gado e porcos selvagens e preservavam a carne defumando-a para depois comer ou vender aos navios que passavam. Os caçadores que viviam do boucan, ficaram conhecidos por bucaneiros.

Imagem: Rum Montilla

Os bucaneiros eram piratas que, durante os séculos 16 e17, pilhavam principalmente o comércio espanhol com as suas colónias americanas. Os primeiros quartéis militares bucaneiros foram na ilha de Tortuga (ver postagem sobre a ilha Tortuga), sete quilómetros a noroeste da de Hispaniola. Mais tarde os bucaneiros usaram a Jamaica para base das duas operações, e capturaram o Panamá em 1671. O termo bucaneiro também se aplica às embarcações utilizadas pelos piratas e corsários da região e da época. Eram em geral embarcações de pequeno porte, possuindo esse nome por serem um derivativo de "navio bucaneiro"; em função disso, é muito comum encontrar em textos, canções e folclore produzidos nos séculos 16, 17 e 18 o termo “bucaneiro” referindo-se ao “navio” e não ao “pirata”.
Durante os séculos 17 e 18 a pirataria atingiu o seu ponto máximo e rapidamente a palavra bucaneiro se tornou comum, e no século XVII foi usado para denominar os piratas e corsários que tinham formado suas fortalezas nas Índias Ocidentais, ou seja na América.



FLIBUSTARIA

Não existem certezas quanto à raiz da palavra, mas pensa-se que derive do inglês fly boat ou do holandês vlieboot, em ambas o significado é barco ligeiro. Também acredita-se que o termo se origina da palavra freebooter (do inglês) ou vrij vuiter (do holandês) que significa, em ambas as línguas, “foragido” ou “pirata”.

ERROL FLYN
ator de Hollywood que durante a década de 40
fez vários filmes sobre piratas e flibusteiros


O termo foi utilizado pela primeira vez pelo Padre du Tertre, em 1667, na sua obra Histoire Générale des Antilles (História Geral das Antilhas). Os flibusteiros auto-denominavam-se de “Irmãos da Costa”.


CORSÁRIOS

Os corsários, também chamados de corsos, eram piratas autorizados por um governo, através da carta de marca ou carta de corso, a pilhar navios de outra nação. Os corsos eram utilizados pelos governos como um meio fácil e barato de enfraquecer as nações inimigas e perturbar as suas rotas marítimas. Através dos corsos, os países podiam enfraquecer os seus inimigos sem arcar com os custos relacionados com a manutenção e construção naval. Um corso, mesmo que possuísse uma carta de marca, apenas seria considerado corsário se fosse reconhecido pela Lei Internacional.

Sempre que um navio corso fosse capturado, este tinha de ser levado ao Tribunal Almirantado onde seria averiguado se ele era realmente um corsário. Entretanto, era comum os corsos serem aprisionados e executados como piratas comuns pelas nações inimigas. Também era muito comum que piratas tivessem cartas de corso falsificadas. Alguns corsários eram considerados verdadeiros heróis em seus países de origem, como o caso mais famoso do Sir Francis Drake, que, graças aos fabulosos tesouros que arrecadou para a Inglaterra, foi tornado Cavaleiro pela rainha Isabel I.


Assim como os piratas existiam desde a Antiguidade, os primeiros corsários surgiram durante as Cruzadas. Corsários sarracenos (muçulmanos) eram chamados pelos cruzados de “corsários berberes”. Estes corsários estavam autorizados pelos seu governos a pilhar as rotas marítimas dos países cristãos. Após as Cruzadas, os países cristãos também passaram a utilizar corsários para saquear e pilhar rotas comerciais dos países muçulmanos. Os primeiros corsos cristãos se estabeleceram na ilha de Malta e eram chamados de corsários malteses e lutavam pela religião, pagando resgates de prisioneiros cristãos que caíam nas mãos de muçulmanos e tentando enfraquecer o comércio muçulmano. Porém, rapidamente os corsários malteses se tornaram piratas experientes, sem interesse nos ideais religiosos, devido ao enriquecimento gerado pelas pilhagens.

TORTUGA

Tortuga (palavra que em espanhol significa tartaruga) ou Isla Tortuga é uma ilha no mar do Caribe.

(Imagem: Mapa do Caribe, localização da Ilha Tortuga)



A ilha de Tortuga era onde os piratas se refugiavam. Era uma ilha repleta de pilhagens e mergulhada em sangue, onde a violência era constante. Esta ilha tinha regras para as rixas, pirataria e pilhagens. Na ilha, os piratas tinham inúmeros esconderijos e vendiam os tesouros capturados, dividiam o butim e gastavam suas economias em bebedeiras e prostitutas. Em Tortuga os piratas lutavam entre si, selecionavam marujos para suas tripulações e estavam à salvo das perseguições dos seus inimigos. Entre os esconderijos/paraísos piratas contam-se a ilha de Tortuga, Port Royal (Jamaica) e Madagáscar.

(Imagem: Tortuga Island 5.07. Jogo da Elefun Multimedia)

03 setembro 2009

Livros sobre Piratas

Resolvi fazer uma lista de alguns livros interessantes sobre Piratas e Corsários, para aqueles que tem interesse no assunto.

STEVENSON, Robert Louis. A Ilha do Tesouro. São Paulo, Editora Nacional, 2008. 48p.




A Ilha do Tesouro é um dos clássicos da literatura infanto-juvenil escrito por Robert Louis Stevenson em 1883, livro sobre piratas e tesouros enterrados.
Nele um garoto, cujos pais são proprietários e moradores de uma pequena pensão numa cidade litorânea da Inglaterra, vive diversas aventuras após a chegada de um velho lobo do mar. Diversos fatos vão acontecendo, até que o jovem menino se vê num navio indo em busca de um tesouro. Daí para frente é muita ação e aventura.
Como curiosidade, foi nesse livro que pela primeira vez apareceu um mapa do tesouro, onde a arca cheia de ouro enterrada estava marcada com um grande X, hoje tão comum nesse tipo de história. E também foi neste livro que o conhecido estereótipo de pirata - aquele com perna-de-pau e um papagaio no ombro - apareceu e se tornou tão popular.

MAGALHÃES, Ana Maria e ALÇADA, Isabel. Piratas e Corsários. Alfragide - Portugal, Editora Caminhos, 2006. 64p., ilustrado.



Esse livro traz histórias e biografias de alguns dos grandes aventureiros dos mares, num pequeno álbum ilustrado e colorido. O livro é recomendado para 5ªª séries e é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, de Portugal, para leitura orientada na sala de aula. também é recomendado pelo Serviço de Apoio à Leitura do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. Infelizmente não há cópias desse livro nas bibliotecas de Curitiba, mas é possível comprá-lo pela internet.

JOHNSON, Cap. Charles. Piratas: uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos. Porto Alegre: Editora Artes e Ofícios, 2003. 430 p., ilustrado.



Esse livro se assemelha a um diário de bordo, no qual o autor o Capitão Charles Johnson narra sua aventuras e viagens. Muitos são os detalhes interessantes narrados pelo capitão. Um bom exemplo é quando ele descreve as qualidades essenciais a um bom marinheiro ou quando nos conta sobre os costumes da coroa Inglesa como aquele que exige que nenhum navio navegue pelos mares de sua majestade com a bandeira de sua nação no topo do mastro.Suas histórias vão além, como a bela descrição das ilhas canárias ou a imprudência de certos marinheiros que por pura imperícia levaram seus navios a destruição.
O livro, por vezes muito bem detalhado e narrado, trata de um apanhado geral de alguns piratas entre especificamente os anos de 1717 e 1724, época de franca colonização de alguns países em terras recentemente descobertas ou em plena comercialização de produtos extrativistas e especiarias além de, é claro, metais e pedras preciosas.


Vários autores. Contos De Piratas, Corsarios e Bandidos. São Paulo: Ática, 2004. 104p.





É um livro de contos fictícios, são 10 contos sobre piratas e suas aventuras.
(Desculpa pessoal, mas esse eu não tive a oportunidade de folhear nem ler...então não posso dizer mais a respeito.)


LUCENA SALMORAL, Manuel. Piratas, Corsarios, Bucaneros e Filibusteros. Madrid, Sintesis, 2005. 345p.


O livro Piratas, corsários, bucaneiros e flibusteiros faz uma síntese das diferentes modalidades de piratas que varreram os mares desde 1521 até a extinção da pirataria em 1722. A obra, sem nenhum estilo romanesco, faz uma análise histórica ressaltando as aventuras depredadoras, heróicas e mesmo cruéis dos piratas que destruíram o monopólio português e espanhol no comércio com as terras descobertas da África e da América. O livro ainda enfatiza os ideais de liberdade dos piratas, suas formas de abordagem, seus barcos e seus costumes – comidas, roupas, leis, punições e divisão do butim. Infelizmente ainda não há tradução desse livro para o português.

ARMERO, Alvaro. Piratas, Corsarios y Bucaneros. Madrid, Editorial Lisboa, 2003. 439 p.



"Nós, os sanguinários piratas, somos homens de coragem e desprezamos a vida. Manobramos os cabos do velame com uma mão ... enquanto na outra, seguramos uma garrafa de rum!" Era assim que os piratas se auto-definiam. esses personagens cruéis que encantam e ao mesmo tempo horrorizam algumas pessoas. Esse livro, que infelizmente não há ainda uma tradução para o português, é repleto de narrativas e totalmente documentado com trechos de diários de bordo de verdadeiros piratas, tais como Barbaruiva, Francis Drake e John Hawkins. O livro vai além da imagem romantica de homens livres, sem lei que não fosse a sua.