25 outubro 2009

Visigodos

Os visigodos eram um dos dois ramos em que se dividiram os godos, um povo germânico originário do leste europeu, sendo o outro os ostrogodos. Ambos eram povos germânicos que penetraram o Império Romano no período das migrações ou invasões. Após a queda do Império Romano do Ocidente, os visigodos tiveram um papel importante na Europa nos 250 anos que se seguiram, particularmente na península Ibérica, onde substituíram o domínio romano da Hispânia, reinando de 418 até 711, data da invasão muçulmana, que substituiria o reino visigodo por Al-Andaluz.

Migrações dos visigodos


Alguns autores defendem a origem do nome "visigodo" na palavra Visi ou Wesa ("bom") e do nome Ostro, de astra ("resplandescente"). Mas a opinião mais consagrada considera a origem da palavra na denominação de "godos do oeste", do alemão "Westgoten", "Wisigoten" ou "Terwingen", por comparação com os ostrogodos ou "godos do leste" — em alemão "Greutungen", "Ostrogoten" ou "Ostgoten".


Os vestígios visigóticos em Portugal e Espanha incluem várias igrejas e descobertas arqueológicas crescentes, mas destaca-se também a notável quantidade de nomes próprios e apelidos que deixaram nestas e noutras línguas românicas.

Os visigodos foram o único povo a fundar cidades na Europa ocidental após a queda do Império Romano e antes do Império Carolíngio. Contudo o maior legado dos visigodos foi o Direito visigótico, com o Liber iudiciorum, código legal que formou a base da legislação usada na generalidade da Ibéria cristã durante séculos após o seu reinado, até ao século XV, já no fim da Idade Média.

Os visigodos emergiram como um povo distinto no século 4, inicialmente nos Bálcãs onde participaram em várias guerras com os romanos, e por fim avançando por Itália e saqueando Roma sob o comando de Alarico I, no ano 410.


Este povo conquistou no século 3 a Dácia, província romana situada na Europa centro-oriental. No século 4, sob a ameaça dos hunos, o imperador bizantino Valente concedeu refúgio aos visigodos ao sul do Danúbio, mas a arbitrariedade dos funcionários romanos levou-os à revolta.

Penetraram nos Balcãs e, em 378, esmagaram o exército do imperador Valente nas proximidades da cidade de Adrianópolis. Quatro anos depois, o imperador Teodósio I, o Grande conseguiu estabelecê-los nos confins da Mésia, província situada ao norte da península balcânica. Tornou-os federados do império, ou seja, aliados, e deu-lhes posição proeminente na defesa.

Os visigodos prestaram uma ajuda eficaz a Roma até 395, quando começaram a mudar-se para oeste. Em 401, chefiados por Alarico I, os visigodos romperam com os romanos, entraram na Itália e invadiram a planície do Pó, mas foram repelidos pelos romanos. Em 408 atacaram pela segunda vez e chegaram às portas de Roma, que foi tomada e saqueada em 410.

Nos anos seguintes, o rei visigodo Ataúlfo estabeleceu-se, com seu povo, no sul da Gália (atual França) e na Hispânia (península Ibérica) e, em 418, firmou com o imperador bizantino Constâncio um tratado pelo qual os visigodos se fixavam como federados (aliados) na Gália.

Formou-se assim, o Reino Visigodo de Toulouse (sul da França atual). A monarquia visigoda consolidou-se com Teodorico I, que enfrentou os hunos de Átila na batalha dos Campos Catalâunicos. Em 475, o rei visigodo Eurico declarou-se monarca independente do Reino Visigodo de Toulouse, que incluía a maior parte da Gália e a Hispânia. Seu reinado foi extremamente benéfico para o povo visigodo: além da obra política e militar, Eurico cumpriu uma monumental tarefa legislativa ao reunir as leis dos visigodos, pela primeira vez, no Código de Eurico.

O filho de Eurico, Alarico II codificou, em 506, o direito de seus súbditos romanos, na "Lex romana visigothorum"(veja imagem).


Mas Alarico II carecia dos dotes políticos do pai e perdeu quase todos os domínios da Gália em 507, quando foi derrotado e morto pelos francos de Clóvis, na batalha de Vouillé, perto de Poitiers. Desmoronou então o reino de Toulouse e os visigodos foram obrigados a transferir seu reino para a Hispânia. Onde floresceu o Reino Visigodo de Toledo.

O reino visigodo na Península Ibérica, ou Reino Visigodo de Toledo, esteve durante algum tempo sob o domínio dos ostrogodos da Itália, mas logo recuperou a sua velha autonomia. Até conquistar o domínio sobre toda a península Ibérica, os visigodos enfrentaram suevos, alanos e vândalos, grupos de guerreiros germânicos que haviam ocupado a região desde antes de sua chegada.

A unidade do reino teria sido completa já durante o reinado do rei Leovigildo, mas ficou comprometida por, dentre outros problemas, uma questão religiosa: os visigodos professavam uma corrente cristã denominada de arianismo e os hispano-romanos eram católicos. O próprio filho de Leovigildo, Hermenegildo, chegou a revoltar-se contra o pai, depois de converter-se ao Catolicismo.

Mas esse obstáculo para a fusão com os hispano-romanos resolveu-se em 589, ano em que o rei Recaredo I proclamou o Catolicismo religião oficial da Hispânia visigótica. Entretanto as diferenças religiosas entre os visigodos nunca foi muito importante, uma vez que era comum o casamento entre pessoas das duas vertentes cristãs.A monarquia visigoda foi destruída em 711 pela invasão muçulmana procedente do norte de África, que substituiria o reino visigodo por Al-Andaluz.
Fíbula Visigoda - Fivela de cinto (século 6)

Os Francos

De todos os povos bárbaros germânicos, os francos merecem especial atenção, pois conseguiram estruturar um poderoso Estado de grande significação na Alta Idade Média européia.

Os francos formavam uma das tribos germânicas que entraram, ou invadiram, o espaço do império romano e estabeleceram um reino duradouro na área que cobre a maior parte da atual França e do leste da atual Alemanha.

A palavra franco, vem do germânico antigo Frekkr e significava "livre", “forte”, “ousado” e “corajoso” na língua franca. A liberdade não se estendia às mulheres ou à população de escravos que se instalou junto com os francos livres.

A respeito do início do Reino Franco não há muitas fontes históricas, uma vez que esse povo não conhecia a escrita. As principais informações a respeito desse povo são encontradas em relatos romanos.

No início do século 5 d.C., os francos se estabeleceram na província romana da Gália (atual França). No princípio, eles ajudaram a proteger as fronteiras romanas como aliados; quando uma grande invasão composta na sua maior parte de tribos germânicas orientais cruzou o Reno em 406, os francos lutaram contra esses invasores. A maior investida da invasão passou ao sul do rio Loire. (Na região de Paris, o controle romano persistiu até 486, uma década depois da queda dos imperadores de Ravenna, em parte devido às alianças com os francos.)
O reino franco formou-se e expandiu-se sob o governo de duas dinastias:
Dinastia dos Reis Merovíngios (séculos 5 a 8) – foi o período da formação do reino franco, das suas primeiras expansões territoriais e da aliança estabelecida entre o rei e a Igreja Católica Romana.
Dinastia dos Reis Carolíngios (séculos 8 e 9) – foi o período do apogeu dos francos, da sua máxima expansão territorial e da tentativa de se fazer ressurgir, sob o governo dos francos, um império universal e cristão.

Dinastia dos Reis Merovíngios
É assim denominada devido ao rei Meroveu, que foi líder do povo franco na primeira metade do século 5. Meroveu chefiou os francos na luta contra os hunos. Os descendentes de Meroveu formaram a primeira dinastia, chamada de merovíngia.

Em termos efetivos, o primeiro rei merovíngio foi Clovis (neto de Meroveu), que governou durante vinte nove anos (482-511). Clovis conseguiu promover a unificação dos francos, expandiu seus domínios territoriais e converteu-se ao cristianismo católico.

Depois da morte de Clovis, seus quatro filhos dividiram o reino franco, enfraquecendo-o politicamente. Somente com o rei Dagoberto (629-639) houve uma nova reunificação dos francos. Entretanto, após sua morte surgiram novas lutas internas que aceleraram o desmoronamento do poder dos reis merovíngios.

Os sucessores de Dagoberto tiveram seus poderes absorvidos por um alto funcionário da corte, o prefeito do palácio (mordomo e administrador do reino) que, na prática, desempenhava o papel do verdadeiro rei, uma vez que os reis merovíngios, assumiram uma vida de prazeres e de ociosidade, o que lhe valeu o título de reis indolentes.

No final do século 7, o mordomo do palácio, Pepino de Herstal (679-714), tornou seu cargo hereditário. Seu filho e sucessor, Carlos Martel (714-741), adquiriu grande prestigio e poder, principalmente depois de conseguir deter o avanço dos árabes muçulmanos em direção à Europa Ocidental.

Foi na famosa Batalha de Poitiers, em 732, que Carlos Martel venceu o emir árabe Abderramã, contando com os esforços da infantaria dos francos. Interrompendo o avanço dos muçulmanos em direção à Europa, Carlos Martel ficou conhecido como o salvador da cristandade ocidental.
Ao morrer, Carlos Martel repartiu seus domínios entre seus dois filhos: Carlomano e Pepino, o Breve. Em 747 Carlomano entrou para a vida monástica, deixando para Pepino todos os poderes políticos deixados pelo pai. Em 751, Pepino destronou o último e enfraquecido rei merovíngio, Childerico III, e fundou a dinastia carolíngia, que tem esse nome em homenagem ao seu pai Carlos Martel.

Dinastia dos Reis Carolíngios

Pepino, o Breve, obteve o reconhecimento do papa Zacarias para o destronamento do último rei merovíngio, que se recolheu a um mosteiro. Eleito rei de todos os francos, Pepino foi abençoado solenemente pelo arcebispo Bonifácio, representante do papa.
Antes de morrer, em 768, Pepino dividiu reino entre seus dois filhos: Carlos Magno e Carlomano. Porém, três anos após receber sua parte no reino (771), Carlomano morreu e Carlos Magno tornou-se soberano absoluto do reino franco. Através de diversas guerras, Carlos Magno ampliou os domínios dos francos, apoderando-se de regiões como a Saxônia, Baviera, Lombardia (regiões ao leste da atual Alemanha) e quase toda a Itália. Suas conquistas trouxeram-lhe prestígio e poder. Carlos Magno foi coroado imperador e assim surgiu o Império Carolíngio.

Império Carolíngio

Sob o governo de Carlos Magno, os francos aliaram-se à Igreja católica. A Igreja desejava a proteção de um soberano poderoso e cristão que possibilitasse a expansão do cristianismo. Assim, no dia 25 de dezembro de 800, Carlos Magno recebeu do papa Leão III o título de imperador do Sacro Império Romano Germânico.

A formação desse Império pretendia reviver, através do novo imperador, a autoridade do Império Romano do Ocidente, desaparecido em 476 com as invasões germânicas. Desse modo, Carlos Magno foi coroado como legítimo sucessor dos grandes imperadores romanos.

Em princípio, o Império Bizantino não reconheceu o título concedido a Carlos Magno. Esse reconhecimento apenas aconteceu quando o imperador bizantino Miguel I exigiu, que concessões territoriais da região da Dalmácia e da Ístria passassem para o domínio bizantino.

A Administração do Império Carolíngio

O império Franco não tinha capital fixa. Sua sede dependia do lugar onde se encontrava o imperador e sua corte. De modo geral, Carlos Magno permanecia por maior tempo na cidade de Aix-la-Chapelle.
Procurando dar uma organização mais adequada aos usos e costumes vigentes no império, Carlos Magno baixou normas escritas conhecidas como capitulares.

A Divisão e a Decadência do Império Carolíngio

Ao morrer, em 814, Carlos Magno deixou o poder imperial para seu filho Luís I, o Piedoso. No reinado de Luís I, o Império Carolíngio ainda conseguiu manter sua unidade política, mas após sua morte, em 840, o império foi disputado por seus filhos, numa desgastante guerra civil.
Pelo Tratado de Verdun, assinado em 843, os filhos de Luís I firmaram a paz, estabelecendo a seguinte divisão do Império Franco:
- Carlos II, o Calvo, ficou com a parte ocidental, compreendendo a região da Franca atual;
- Luís, o Germânico, ficou com a parte oriental, compreendendo a região da Alemanha atual;
- Lotário ficou com a parte central, compreendendo regiões que estendiam da Itália até o mar do Norte.
Em cada uma dessas regiões carolíngias foi perdendo o poder, com as sucessivas divisões internas dos reinos. Assim, a unidade política realizada por Carlos Magno não conseguiu sobreviver um século depois de sua morte.

O desmembramento do poder real dos monarcas carolíngios foi acompanhado pela crescente independência e autonomia da nobreza agrária. Houve forte descentralização e fragmentação do poder político, evidenciando a crise interna vivida pelo império.

19 outubro 2009

Barcos Piratas - Releituras


Conforme Prometido, aí estão os barcos da turma da 6ª série, da Escola Dominius.

O trabalho era realizar uma releitura, em material reciclável, de embarcações do século XVI ou XVII, Caravelas, Galeões ou Escunas Piratas. A maior parte da turma decidiu fazer embarcações de corso, ou seja, de pirataria.
O resultado foi ótimo, como se pode ver pelas fotos abaixo. (Ah, tem outras fotos, que serão publicadas na próxima postagem).

Valéria Prohmann Froelich, Thais Fontoura de Souza,
Ana Paula Manozzo e Verenda Raissa Torres Pinheiro

Jean Fernando Aranda G. Adamante

Gabriel Rodrigo Oliveira

Carolina Corral Blanco