28 fevereiro 2010

Grécia Antiga - Pré-História

Período pré-histórico

A civilização egéia, também conhecida como civilização egeana, constituiu uma sociedade pré-helênica. Organizou-se, portanto antes mesmo da penetração de grupos arianos ou indo-europeus - como os aqueus - nos Bálcãs.
Os povos chamados de pelagios ou pelasgos foram os primeiros habitantes da região. Poliam e utilizavam pedras como a obsidiana com bastante habilidade.
Tendo se estabelecido em todo o mundo egeu, isto é, nos Bálcãs, na Ásia Menor e em Creta e outras ilhas, os pelágios viviam da caça, da pesca, da coleta e de uma agricultura rudimentar. Organizavam-se socialmente em clãs. Os pesquisadores encontraram casas e até túmulos coletivos na ilha de Creta. Os pelágios foram conquistados por povos indo-europeus, conhecidos como micênicos ou aqueus.
Período Minóico
Ilha de Creta
A origem do povo cretense é incerta. Sabemos que a ilha foi ocupada a partir de 6000 a.C. por povos neolíticos, como evidenciado por figuras antropomórficas de argila. As primeiras peças de cerâmica surgiram por volta de 5700 a.C.. A arquitetura é semelhante às presentes no Egito e no Oriente Médio deste período e de períodos posteriores, com tijolos queimados sobre fundação de pedra, cobertos por barro, que pode ligá-los aos povos daquelas regiões, e não aos povos europeus como costuma-se pensar.
O povo cultivava trigo, lentilhas, criava bois e cabras. O terreno montanhoso e acidentado dava lugar a profundos vales férteis, onde era praticada a agricultura. A pesca também era um importante elemento na obtenção de recursos.
Pintura mural minóicas - As mulheres tinham um papel de destaque na civilização minóica
Por volta de 3800 a.C, descobrem a tecnologia do cobre, inicia-se assim a Idade dos Metais na ilha. Por volta de 3000 a.C. são encontrados vestígios de utensílios de bronze e fornos para a fundição. Neste período, a ocupação do litoral tornou-se evidente, com vilas costeiras e ancoradouros. O começo da Idade do Bronze, por volta de 2600 a.C., foi um período de grande atividade em Creta, e também marca o início de Creta como um importante centro de civilização.
O apogeu da civilização minóica se deu entre 1700 a.C. a 1400 a.C.. Por volta de 1700, um grande terremoto destruiu a ilha, e os palácios (Cnossos, Festos, Malia e Kato Zakros) foram reconstruídos ainda maiores, com o desenvolvimento de túmulos maiores, sistemas de esgoto e esculturas elaboradas.
Palácio de Cnossos (Fonte: Wikipédia)
A prosperidade da ilha se deveu basicamente à habilidade na construção de naus rápidas e resistentes, capazes de transpor o Mar Mediterrâneo. Desta forma, os minóicos estabeleceram relações comerciais com as civilizações circundantes, exportando peças de metal, jóias, cerâmica, azeite e lã. Provas do contato dos minóicos com outros povos do Oriente Próximo podem ser encntradas em sítios arqueológicos na Mesopotâmia e no Egito. Objetos do fim do Período Neo-Palaciano foram achados no Egito nos reinados de Hatshepsut e Tuthmosis III. A expansão comercial coincidiu com a expansão territorial e política. Colônias foram fundadas em diversas ilhas do Mar Egeu e na Sicília.
A Grécia Continental mostrou independência da Creta Minóica, devido à atuação dos Micênicos. Por volta de 1420 a.C., a ilha foi conquistada pelos micênicos , que adaptaram a escrita Linear A, dos minóicos, criando a Linear B para a língua micênica, uma forma de Grego.
A explosão de um vulcão ao Norte localizado na ilha de Santorini fez com que terríveis tsunamis arrasassem seus principais portos costeiros, assim como seus principais mercados, facilitando assim a chegada de outra tribo indo-européia, os dórios, oriundos da Grécia continental que conquistaram os decadentes minóicos. Foram vistos esqueletos de crianças, provavelmente dessa época, encontrados na ilha como um sacrifício/oferenda aos deuses da natureza para que a prosperidade de antes retornasse. Esta erupção aconteceu em 1470 a.C. e causou um imenso maremoto que destruiu os portos minóicos e provavelmente toda a sua armada, comércio e auto-confiança psicológica, evitando assim o reerguimento. Incapazes de estabelecer comércio com outras culturas e defender-se de invasões estrangeiras, a sociedade aparentemente entrou em guerra civil, dividindo-se e fragmentando-se em vários grupos inimigos entre si.
Ainda no século XV a.C., os dórios vindos do Peloponeso invadiram Creta, estabeleceram-se nas cidades abandonadas e construíram sobre cidades destruídas. Os minóicos migraram para o leste da ilha, mas foram finalmente assimilados por volta de 1380 a.C..
Período Micênico

Vaso Micênico
O período micênico, também denominado de período Heládico Final, coincidiu com a Idade do Bronze no Egeu. A civilização micênica se desenvolveu no continente grego entre 1600 a.C. e 1050 a.C., aproximadamente. O nome deriva de Micenas, nome de um dos mais importantes centros da região.
Os micênios, que foram denominados de aqueus por Homero já nos primeiros versos da Ilíada, eram pertencentes à raça indo-européia, inicaram a incursão ao território grego conquistando-o aos pelágios.
Ativos comerciantes, os micênios conquistaram a ilha de Creta por volta de 1450 a.C., montando ali um avançado posto comercial e, entre 1400 e 1200 a.C., dominaram economicamente (e culturalmente) quase todos os povos do Mediterrâneo Oriental. Caracterizada por uma aristocracia de guerreiros, falavam uma forma bastante arcaica da língua grega, o dialeto jônico. Escreveram os mais antigos documentos em grego, escritos em um silabário conhecido por escrita linear B e construíram imponentes cidadelas fortificadas em Micenas e Tirinto Argólida, Gla (Beócia) e Englianos (Messênia).

Mundo Micênico e cidades conquistadas
Diversas características da cultura micênica sobreviveram nas tradições religiosas e na literatura grega, dos períodos Arcaico e Clássico – notadamente na Ilíada e na Odisséia. Micenas teve seu auge e foi a cidade mais próspera da Grécia por muitos anos, revolucionando as artes, a engenharia e a arquitetura. A invasão dórica é considerada a causa do fim da civilização micênica, iniciando a Idade Grega das Trevas ou o fim da Idade do Bronze.

10 fevereiro 2010

14 de Fevereiro - Valentine's Day

O Dia dos Namorados, ou como é chamado em outras localidades estrangeiras Dia de São Valentim, é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais sendo muito comum a troca de cartões e presentes.

No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho, por ser a véspera do Dia de Santo Antonio – santo considerado casamenteiro. Em Portugal a data era a mesma que no Brasil até há poucos anos, mas atualmente é mais comum a data ser celebrada no dia 14 de Fevereiro, como no restante do mundo.

A história do Dia de São Valentim remonta ao dia da morte desse santo, considerado mártir da Igreja Católica:

O bispo cristão Valentim viveu no século III d.C. ele se tornou célebre por ter lutado contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.

Além de continuar celebrando casamentos, Valentim se casou secretamente, apesar da proibição do imperador. Devemos lembrar que apesar de ser um bispo Valentim pode se casar pois nessa época não era imposto o celibato para os sacerdotes cristãos – as regras e dogmas da, então recém fundada, Igreja Católica Apostólica Romana somente seriam estruturados a partir do século IV, principalmente após o governo do imperador Constantino.

A desobediencia de Valentim foi descoberta e ele foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe davam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes de partir/morrer, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja Católica, Valentim morreu no dia 14 de fevereiro de 270. Esse dia era a véspera das lupercais, que eram festas anuais celebradas no Império Romano em honra a Juno (esposa de Júpiter, protetora das mulheres e do matrimônio) e Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes, de Juno e Pan, caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.
Uma versão que explica a data comemorativa diz que durante a Idade Média, como o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros, os namorados usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta da amada.

No século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como o Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o Valentine's Day.

Atualmente, o dia é associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.


Estima-se que, mundo afora, aproximadamente um bilhão de cartões com mensagens românticas são mandados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Sendo por isso que muita gente não comemora essa data, considerando-a apenas um dia comercial. Também se estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes no Brasil (segundo dados da Associação Comercial).

24 janeiro 2010

Carta do Chefe indígena Seatle

Esse texto, de 1854, é a resposta do Cacique Seatle ao Presidente norteamericano Franklin Pierce, que tentava comprar as terras da tribo Suquamish.
Apesar de ser considerado um simples guerreiro silvícola, atrasado, aos olhos do "homem branco", em suas palavras percebemos a sabedoria e a evolução espiritual de um povo. Decorridos quase dois séculos da carta do cacique indígena Seatle ao Presidente do Estados Unidos, seus ensinamentos permanecem atuais e proféticos, para todos aqueles que sabem enxergar no fundo do conteúdo de sua mensagem.
A carta do cacique Seatle é uma lição inesgotável de amor à natureza e à vida, que permanece na consciência de milhões de pessoas em todas as partes do mundo. É o hino de todos aqueles que amam a natureza e tudo o que nela vive.
 
"O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopre: o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao [seu próprio] mau cheiro. (...)

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se nós decidimos aceitá-la, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
O que é o homem sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a Terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a Terra é nossa mãe.
Tudo o que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a Terra não pertence ao homem; o homem pertence à Terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos.
De uma coisa estamos certos (e o homem branco poderá vir a descobrir um dia): nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra, mas não é possível. Ela é o Deus do homem e sua compaixão é igual para o homem branco e para o homem vermelho. A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar o seu Criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está a árvore? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência.
Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água como é possível comprá-los?Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira, cada inseto a zumbir é sagrado na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho (...).
Essa água brilhante que corre nos rios não é apenas água, mas a idéia nos parece um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água como é possível comprá-los?Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira, cada inseto a zumbir é sagrado na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho (...).
Essa água brilhante que corre nos rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, devem ensinar às crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças.
Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa (...).
Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei. Nossos costumes são diferentes dos seus.
A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.Não há lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida de um homem, se não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros."