01 março 2010

Batalha de Termópilas

Desfiladeiro das Termópilas (Fonte: http://www.rankia.com/blog/sanchezcoll/357160-lecciones-grecia-clasica-liderazgo-para-empresas-hoy)

Termópilas é um desfiladeiro localizado na Grécia Central que serviu de palco para a batalha entre persas e espartanos. O conflito foi provocado pelo anseio do persa Xerxes de dominar o território e o povo espartano, o que foi negado pelo povo, juntamente com seu rei Leônidas.

A batalha das Termópilas tornou-se conhecida graças à narrativa de Heródoto de Halicarnasso, na qual o historiador faz opor quatro milhões e meio de homens (os números dos historiadores antigos são quase sempre entusiásticos, quando costumam exagerar quanto aos números de contendores envolvidos em batalha - geralmente, na intenção de enaltecer a um dos lados), arregimentados à força pelos persas, contra Leônidas e os seus trezentos espartanos, combatendo tão-só pela liberdade da sua cidade. Mas não havia apenas Espartanos nas Termópilas.

O pequeno número de soldados presentes de cada uma das outras cidades gregas está relacionado com um fato muito importante – 480 a.C. foi ano de Olimpíadas, durante as quais se proclamava a trégua sagrada e cessavam as hostilidades entre todos os inimigos na Grécia. Embora se tratasse de um inimigo externo (não-heleno), e se tratasse de uma situação de exceção, a trégua entre os Gregos não foi levantada.
Quanto ao campo do adversário, Heródoto fala em 2,1 milhões de medos-persas, acompanhados por 2,6 milhões de soldados auxiliares. Estes números são claramente excessivos (isto porque os Persas não dispunham de uma logística suficientemente avançada, nem tão-pouco o estéril solo grego teria capacidade para alimentar um número de indivíduos tão maior que a população autóctone), quer porque Heródoto desconhecesse o número real, quer por pretender, muito provavelmente, impressionar o leitor, e realçar, por oposição, a pequenez da coligação helênica – a qual, não obstante ter perdido a batalha, acabou por, no fim, lograr vencer a guerra contra os persas.

Mapa da Batalha das Termópilas (Fonte: Depto de História da Academia Militar dos EUA)

Prólogo da Batalha

Eram tempos de guerra, as Cidades-Estado gregas estavam á frente de uma ameaça Persa, que vinha invadindo território helênico., sob o Comando de Xerxes, que continuava uma guerra já começada por seu pai, Dário I. No ano de 484 a.C , Xerxes chega com seu exército e marinha nas terras da Ásia Menor e, de acordo com o filósofo Heródoto de Halicarnassus, ele possuía mais de 5 milhões de homens, mas hoje em dia especula-se que o número está em torno de 250 Mil soldados, o que não deixa de ser uma gigantesca ameaça, que com certeza conferia uma vantagem numérica vertiginosa em relação aos Gregos.


300 de Esparta (HQ de Frank Miller)

Preparação

Uma aliança foi logo forjada entre as Cidades-Estado gregas, comandada pela militarista Esparta. Leônidas, rei e general espartano estudou muito bem o terreno e escolheu Termópilas como o lugar ideal pra um combate deste calibre, onde a superioridade numérica Persa não poderia ser usufruída, devida a pequena passagem que existe em Termópilas.
(A idéia é simples, e pode ser facilmente exemplificada, pensando num corredor de uma escola, onde somente 10 alunos podem passar lado á lado, sendo o resto limitado á velocidade em que andam os primeiros 10 alunos, por limitações físicas do local. Aplicado em batalha, os milhares de persas não poderia entrar todos em combate ao mesmo tempo devido ao limite físico do terreno, sendo assim um combate não de números, mas de qualidade e valor militar.)
Distribuição

As tropas Gregas constituíam-se de 300 hoplitas espartanos, a elite da elite guerreira helênica, e mais 7000 aliados de outras cidades gregas. (sobre os hoplitas, ver artigo publicado em: http://universodahistoria.blogspot.com/2010/02/as-armas-cidadaos-com-os-hoplitas-os.html)
As tropas gregas eram mestras no uso da formação de falange (Phalanx), ou seja, uma massa de soldados, alinhados em linha e colunas coesas, protegidos por um grande escudo e lanças apontadas para frente, tornando-se uma barreira virtualmente intransponível quando combatida frente á frente. Dentre as tropas de Xerxes, encontravam-se os famosos "imortais", a tropa de elite do Rei, que prometia causar o terror nas tropas inimigas quando requisitadas pra combate.

A Batalha

Batedores Persas informaram á Xerxes que, os espartanos estavam aguardando, com uma força militar infinitamente menor, porém, ainda assim pareciam despreocupados pois penteavam seus cabelos, passavam óleo no corpo, sem aparente ansiedade. Esperando que os gregos se rendessem, Xerxes esperou 4 dias e, quando viu que ninguém estava disposto a sair de lá sem antes lutar ou morrer, ordenou um ataque no quinto dia.

Como citado anteriormente, os gregos se dispuseram em falanges, formando uma muralha de lança e escudos de ponta a ponta da passagem de Termópilas. Os persas, com roupas leves, lanças leves e flechas não conseguiam passar pela muralha grega, que lutava bravamente, onde não podiam ser flanqueados ou cercados devido ao terreno, portanto reduzindo brutalmente a vantagem dos números nitidamente maiores do exército Persa.

Xerxes não estava satisfeito com o resultado, e disse que iria fazer um chuva de flechas tão grande, que cobriria a luz do sol, sendo a resposta de um dos soldados Gregos : "Muito bem, lutaremos na sombra".


No segundo dia de batalha, os persas estavam sendo aniquilados assim como no primeiro dia e Xerxes ordenou o ataque da sua elite, os Immortais, pensando assim quebrar a formação Grega, porém, foi um ledo engano, e a falange espartana infligiu pesadíssimas baixas na elite persa, forçando-os á bater em retirada.Ainda nesse segundo dia, Ephialtes, um dos gregos, desertou para o lado Persa e informou Xerxes de uma passagem alternativa por Termópilas, que resultaria num flanqueamento das tropas gregas. Alguns gregos, em torno de 100, guardavam essa passagem, porém foram atacados de surpresa pelo contingente persa, que passou e iniciou o começo do fim para os gregos.

O Revés

Estava nítido que a derrota era certa e Leônidas dispensou os Gregos não-espartanos e não-tebanos, mas ainda assim, 600 outros soldados se recusaram a abandonar a batalha e decidiram morrer lutando para retardar o avanço persa.

O combate foi brutal e os gregos foram empurrados para uma pequena montanha, enquanto seus números iam diminuindo cada vez mais. Os Espartanos eram soldados de elite, treinados desde de criança para dar suas vidas por Esparta e assim iriam fazer. Após um tempo de violentíssimo combate, Leônidas, o rei Espartano, é morto e batalha, o que normalmente iria desmoralizar sua tropa, mas o contrário aconteceu, os espartanos lutaram bravamente para proteger seu corpo. É dito que, quando suas lanças quebraram, os Espartanos lutaram com suas espadas (xiphos) e quando estas quebraram, o combate foi com as próprias mãos e dentes. Até que o ultimo soldado espartano foi derrubado à flechadas.

Estátua de mármore do séc. V a.C., patente no Museu Arqueológico de Esparta. Representa um hoplita grego com o seu típico elmo. (Fonte: Originally from nl.wikipedia
de:Benutzer:Ticinese)

As Conseqüências

Leônidas foi decapitado, crucificado e sua cabeça foi empalada. No local do conflito hoje, há homenagens a Leônidas bem como para todo o exército que, apesar de ser em minúscula quantidade se comparada ao exército persa naquele tempo, guerreou com coragem pelo seu povo e pelo que acreditavam.

Leônidas, monumento nas Termópilas (Fonte: Originally from nl.wikipedia; 17 mrt 2005 17:10 Napoleon Vier )


Num monumento de homenagem há os dizeres "Digam aos espartanos, estranhos que passam, que aqui, obedientes às suas leis, jazemos". Os gregos conseguiram causar um grande impacto sob as tropas de Xerxes, matando dois de seus irmãos e enfraquecendo enormemente a força invasora Persa, onde em posteriores batalhas, os persas foram facilmente derrotados, inclusive no mar, forçando o fim da campanha invasora Persa.

Além de um grande feito, essa batalha mostrou como o terreno e a qualidade de tropas influência num combate, sendo que até hoje ela é lembrada e estudada pois é mais que uma batalha, é um marco da história.

28 fevereiro 2010

Grécia Antiga - Pré-História

Período pré-histórico

A civilização egéia, também conhecida como civilização egeana, constituiu uma sociedade pré-helênica. Organizou-se, portanto antes mesmo da penetração de grupos arianos ou indo-europeus - como os aqueus - nos Bálcãs.
Os povos chamados de pelagios ou pelasgos foram os primeiros habitantes da região. Poliam e utilizavam pedras como a obsidiana com bastante habilidade.
Tendo se estabelecido em todo o mundo egeu, isto é, nos Bálcãs, na Ásia Menor e em Creta e outras ilhas, os pelágios viviam da caça, da pesca, da coleta e de uma agricultura rudimentar. Organizavam-se socialmente em clãs. Os pesquisadores encontraram casas e até túmulos coletivos na ilha de Creta. Os pelágios foram conquistados por povos indo-europeus, conhecidos como micênicos ou aqueus.
Período Minóico
Ilha de Creta
A origem do povo cretense é incerta. Sabemos que a ilha foi ocupada a partir de 6000 a.C. por povos neolíticos, como evidenciado por figuras antropomórficas de argila. As primeiras peças de cerâmica surgiram por volta de 5700 a.C.. A arquitetura é semelhante às presentes no Egito e no Oriente Médio deste período e de períodos posteriores, com tijolos queimados sobre fundação de pedra, cobertos por barro, que pode ligá-los aos povos daquelas regiões, e não aos povos europeus como costuma-se pensar.
O povo cultivava trigo, lentilhas, criava bois e cabras. O terreno montanhoso e acidentado dava lugar a profundos vales férteis, onde era praticada a agricultura. A pesca também era um importante elemento na obtenção de recursos.
Pintura mural minóicas - As mulheres tinham um papel de destaque na civilização minóica
Por volta de 3800 a.C, descobrem a tecnologia do cobre, inicia-se assim a Idade dos Metais na ilha. Por volta de 3000 a.C. são encontrados vestígios de utensílios de bronze e fornos para a fundição. Neste período, a ocupação do litoral tornou-se evidente, com vilas costeiras e ancoradouros. O começo da Idade do Bronze, por volta de 2600 a.C., foi um período de grande atividade em Creta, e também marca o início de Creta como um importante centro de civilização.
O apogeu da civilização minóica se deu entre 1700 a.C. a 1400 a.C.. Por volta de 1700, um grande terremoto destruiu a ilha, e os palácios (Cnossos, Festos, Malia e Kato Zakros) foram reconstruídos ainda maiores, com o desenvolvimento de túmulos maiores, sistemas de esgoto e esculturas elaboradas.
Palácio de Cnossos (Fonte: Wikipédia)
A prosperidade da ilha se deveu basicamente à habilidade na construção de naus rápidas e resistentes, capazes de transpor o Mar Mediterrâneo. Desta forma, os minóicos estabeleceram relações comerciais com as civilizações circundantes, exportando peças de metal, jóias, cerâmica, azeite e lã. Provas do contato dos minóicos com outros povos do Oriente Próximo podem ser encntradas em sítios arqueológicos na Mesopotâmia e no Egito. Objetos do fim do Período Neo-Palaciano foram achados no Egito nos reinados de Hatshepsut e Tuthmosis III. A expansão comercial coincidiu com a expansão territorial e política. Colônias foram fundadas em diversas ilhas do Mar Egeu e na Sicília.
A Grécia Continental mostrou independência da Creta Minóica, devido à atuação dos Micênicos. Por volta de 1420 a.C., a ilha foi conquistada pelos micênicos , que adaptaram a escrita Linear A, dos minóicos, criando a Linear B para a língua micênica, uma forma de Grego.
A explosão de um vulcão ao Norte localizado na ilha de Santorini fez com que terríveis tsunamis arrasassem seus principais portos costeiros, assim como seus principais mercados, facilitando assim a chegada de outra tribo indo-européia, os dórios, oriundos da Grécia continental que conquistaram os decadentes minóicos. Foram vistos esqueletos de crianças, provavelmente dessa época, encontrados na ilha como um sacrifício/oferenda aos deuses da natureza para que a prosperidade de antes retornasse. Esta erupção aconteceu em 1470 a.C. e causou um imenso maremoto que destruiu os portos minóicos e provavelmente toda a sua armada, comércio e auto-confiança psicológica, evitando assim o reerguimento. Incapazes de estabelecer comércio com outras culturas e defender-se de invasões estrangeiras, a sociedade aparentemente entrou em guerra civil, dividindo-se e fragmentando-se em vários grupos inimigos entre si.
Ainda no século XV a.C., os dórios vindos do Peloponeso invadiram Creta, estabeleceram-se nas cidades abandonadas e construíram sobre cidades destruídas. Os minóicos migraram para o leste da ilha, mas foram finalmente assimilados por volta de 1380 a.C..
Período Micênico

Vaso Micênico
O período micênico, também denominado de período Heládico Final, coincidiu com a Idade do Bronze no Egeu. A civilização micênica se desenvolveu no continente grego entre 1600 a.C. e 1050 a.C., aproximadamente. O nome deriva de Micenas, nome de um dos mais importantes centros da região.
Os micênios, que foram denominados de aqueus por Homero já nos primeiros versos da Ilíada, eram pertencentes à raça indo-européia, inicaram a incursão ao território grego conquistando-o aos pelágios.
Ativos comerciantes, os micênios conquistaram a ilha de Creta por volta de 1450 a.C., montando ali um avançado posto comercial e, entre 1400 e 1200 a.C., dominaram economicamente (e culturalmente) quase todos os povos do Mediterrâneo Oriental. Caracterizada por uma aristocracia de guerreiros, falavam uma forma bastante arcaica da língua grega, o dialeto jônico. Escreveram os mais antigos documentos em grego, escritos em um silabário conhecido por escrita linear B e construíram imponentes cidadelas fortificadas em Micenas e Tirinto Argólida, Gla (Beócia) e Englianos (Messênia).

Mundo Micênico e cidades conquistadas
Diversas características da cultura micênica sobreviveram nas tradições religiosas e na literatura grega, dos períodos Arcaico e Clássico – notadamente na Ilíada e na Odisséia. Micenas teve seu auge e foi a cidade mais próspera da Grécia por muitos anos, revolucionando as artes, a engenharia e a arquitetura. A invasão dórica é considerada a causa do fim da civilização micênica, iniciando a Idade Grega das Trevas ou o fim da Idade do Bronze.

10 fevereiro 2010

14 de Fevereiro - Valentine's Day

O Dia dos Namorados, ou como é chamado em outras localidades estrangeiras Dia de São Valentim, é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais sendo muito comum a troca de cartões e presentes.

No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho, por ser a véspera do Dia de Santo Antonio – santo considerado casamenteiro. Em Portugal a data era a mesma que no Brasil até há poucos anos, mas atualmente é mais comum a data ser celebrada no dia 14 de Fevereiro, como no restante do mundo.

A história do Dia de São Valentim remonta ao dia da morte desse santo, considerado mártir da Igreja Católica:

O bispo cristão Valentim viveu no século III d.C. ele se tornou célebre por ter lutado contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.

Além de continuar celebrando casamentos, Valentim se casou secretamente, apesar da proibição do imperador. Devemos lembrar que apesar de ser um bispo Valentim pode se casar pois nessa época não era imposto o celibato para os sacerdotes cristãos – as regras e dogmas da, então recém fundada, Igreja Católica Apostólica Romana somente seriam estruturados a partir do século IV, principalmente após o governo do imperador Constantino.

A desobediencia de Valentim foi descoberta e ele foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe davam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes de partir/morrer, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja Católica, Valentim morreu no dia 14 de fevereiro de 270. Esse dia era a véspera das lupercais, que eram festas anuais celebradas no Império Romano em honra a Juno (esposa de Júpiter, protetora das mulheres e do matrimônio) e Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes, de Juno e Pan, caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.
Uma versão que explica a data comemorativa diz que durante a Idade Média, como o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros, os namorados usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta da amada.

No século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como o Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o Valentine's Day.

Atualmente, o dia é associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.


Estima-se que, mundo afora, aproximadamente um bilhão de cartões com mensagens românticas são mandados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Sendo por isso que muita gente não comemora essa data, considerando-a apenas um dia comercial. Também se estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes no Brasil (segundo dados da Associação Comercial).