06 abril 2010

As Guerras Médicas e a participação da cidade de Argos


Introdução

As Guerras Greco-Pérsicas foram uma busca pelo poder no Mediterrâneo Oriental, a busca de uma consolidação, de uma hegemonia de dois blocos antagônicos culturalmente: o grego e o persa. Esses dois grupos seriam a priori irreconciliáveis justamente por possuírem visões de mundo diametralmente opostas. Os gregos valorizavam o indivíduo e sua liberdade e os persas eram súditos de um monarca divinizado.

Porém percebemos que apesar de estas duas culturas serem divergentes entre si, os persas encontraram aliados em terras gregas. Em sua marcha de conquista sobre a Grécia, os persas conseguiram a rendição da terra e da água, e muitas cidades se firmaram como terreno neutro, não apoiando nem ao invasor bárbaro nem aos defensores da Hélade.

Esse mapa é fantástico. Gentilmente cedido pelo prf. Jomo. http://professorjomo.blogspot.com.br/2012_02_01_archive.html

Dentre essas cidades encontramos uma em especial que se uniu à causa persa contra seus compatriotas, a cidade de Argos.

Heródoto nos narra que ao se preparar para a invasão da Grécia o rei dos persas, Xerxes, mandou um arauto com uma mensagem amistosa, alegando serem os persas descendentes dos argivos e que em respeito ao culto a um antepassado comum eles não deveriam guerrear entre si. A cidade de Argos aceita essa aliança e em resposta aos enviados pelos helenos, que foram recrutar seu apoio, alegam a antipatia pela idéia de serem comandados pelos lacedemônios.

Portanto, Argos se alia aos persas devido a um precedente religioso, aí reside nossa hipótese, o quão forte é a religião a ponto de influenciar significativamente em uma decisão política?

Não vamos negar que Argos nesse momento era submetida à Esparta e que há sem dúvida o interesse de livrarem-se do jugo lacedemônios, porém o argumento feito por Xerxes foi de extrema importância.

Argos se apoia na religião ao dar ouvidos à proposta persa e ainda se apoia em uma preleção oracular contra o seu apoio aos helenos.

Portanto a religião na Grécia Clássica é considerada de crucial importância para a obtenção dos objetivos deste trabalho. Analisaremos a religião grega, sua influência na formação da mentalidade do homem grego nesse período e seu caráter, procurando os pontos que nos permitam identificar a nossa hipótese supracitada.


Heródoto, nosso autor


Heródoto, baixo-relevo, Louvre

Por volta de 484 a.C. na cidade jônica de Halicarnasso, Heródoto nasceu. Sua cidade situava-se na costa da Ásia Menor e neste período era dependente da província de Caria, integrante do Império Persa. Nesse momento as relações entre a Pérsia e as cidades gregas estavam em conflito. Os persas estavam se preparando para uma expedição militar à Grécia que levaria a última Guerra Greco-Pérsica que ocorreu em 480 a.C.
As Guerras Greco-Pérsicas, ou Médicas, tiveram seu fim no ano de 479 a.C. Na batalha de Platéia que foi vencida pelos gregos comandados pelo espartano Pausânias. O encerramento dos conflitos entre gregos e persas marcou a história desta civilização. Os gregos tinham consciência de que o resultado dos conflitos seria de extrema importância não só para o mundo grego e que se a Pérsia fosse vitoriosa isso poria fim na independência das poleis gregas e , talvez da própria civilização helênica.
Por isso que muitos historiadores consideram as Guerras Médicas como um marco na transição da civilização grega arcaica para a clássica propriamente dita. Após as Guerras Médicas a Grécia se encontra dividida, suas inúmeras cidades estavam extremamente orgulhosas de sua autonomia e de sua independência política, orgulho esse que seria mais tarde o fermento da guerra fratricida conhecida como a Guerra do Peloponeso.
Foi inserido nesse espírito de liberdade e autonomia que Heródoto cresceu, sendo membro de uma influente família de Halicarnasso, desde cedo se envolve na vida pública. Sua família se opunha ao tirano Lígdamis e seu tio Paníasis, como chefe da oposição, lidera uma sublevação fracassada. Isso vai custar à Heródoto um exílio, porém isso é um fato que trouxe benefícios, pois é aí que Heródoto inicia suas viagens que darão origem a sua obra e o levarão ao Egito, ao norte da África, à Itália, ao Mar Negro, a Ásia Menor e ao Oriente Médio.
Entretanto de todas as viagens de Heródoto a que teve maior repercussão foi a que o levou a Atenas. A vida cultural desta polis no século V a.C. Era de uma efervescência inédita na história do mundo antigo. Todas as artes tiveram florescimento e a filosofia estava sofrendo mudanças que marcariam toda história da humanidade. Grandes artistas e intelectuais de todas as partes do mundo grego iam para Atenas em busca de reconhecimento.
Mas devemos lembrar que esse crescimento não ocorreu de forma homogênea e boa parte do progresso cultural concentrava-se na cidade de Atenas. Foi lá que Heródoto alcançou notoriedade através da leitura pública de sua obra. Além disso foi em Atenas que Heródoto conviveu com grandes políticos, militares importantes, artistas e filósofos, tendo contato inclusive com os sofistas. Porém esse contato não seria o suficiente para alterar significativamente o conteúdo da “História” pois no momento que Heródoto entrou em contato com a filosofia sofista sua obra estava quase que totalmente escrita.
Todavia, esse apogeu cultural possui um caráter passageiro por que já no início do século IV a.C. a civilização grega entra num período inerte. As destruidoras guerras do século V continua sua marcha. As cidades enfraquecidas pelos constantes conflitos dão margem para a conquista macedônia que ocorreu em 338 a.C. Porém Heródoto não presencia esses fatos, ele falece em 425 a.C. na polis de Turói, cidade do Golfo de Taranto, a qual ele ajudou a fundar e se tornou cidadão.

Contextualização espaço temporal

Nossa história tem como personagens o rei persa Xerxes e a cidade de Argos:


· Xerxes: seu nome do antigo persa Khshayarsha, na Bíblia Ahasuerus. Filho e sucessor de Dario I. Ao suceder seu pai precisou enfrentar sublevações em algumas cidades persas, em domínios no Egito e principalmente nas cidades jônicas. Estas cidades receberam auxílio da Hélade e ao triunfar sobre essas revoltas Xerxes preparou-se para a vindita contra os gregos.
Para tal buscou apoio nas disputas internas da própria Grécia. Entrou com pedido de terra e água a algumas poleis e enviou arautos propondo alianças a outras como no caso de Argos.


Xerxes, baixo relevo, Irã
· Argos: cidade que está localizada a nordeste da península do Peloponeso, a 4,38 km dentro do Golfo de Argos. Já foi a principal cidade da região a qual era chamada de Argolis. O nome Argolis foi restrito à planície ao redor da cidade de Argos. Após as disputas pela hegemonia da região, Argos foi submetida à Esparta. Na época da invasão persa à Grécia, Argos viu uma boa oportunidade de se livrar do jugo de Esparta, voltando a ter a hegemonia do Peloponeso.
Atlas HIstórico


Análise da Fonte

Da “História” de Heródoto o trecho a que nos propomos a estudar é o parágrafo 150 do livro VII:

São essas as palavras dos próprios argivos a esse respeito, mas há outra versão difundida entre os helenos. Segundo essa versão Xerxes, antes de iniciar a expedição contra os helenos, teria enviado um arauto a Argos; conta-se que chegando lá ele teria dito o seguinte: “O rei Xerxes vos diz essas palavras, argivos: “Pensamos que descendemos de Perses, filho de Perseus filho de Danae, e de Andromeda filha de Cefeus; sendo assim, descenderíamos de vós. Não seria portanto razoável nem que nós entrássemos em guerra contra nossos antepassados, nem que vós, levando ajuda a outrem, passásseis a ser nossos inimigos; o razoável é que vós permaneçais quietos em vossas casas, pois se tudo se passar de acordo com meus desejos não haverá povo mais estimado por mim do que vós.” Segundo se conta, depois de ouvir essas palavras os argivos ficaram muito impressionados; naquele momento eles não ofereceram qualquer assistência, nem apresentaram reivindicação alguma por seu turno; mas depois, quando os helenos tentaram obter o seu apoio, sabendo perfeitamente que os lacedemônios não concordariam com a partilha do comando eles pleitearam a sua participação no mesmo, com o objetivo de ter um pretexto para ficar quietos. (HERÓDOTO p.381)

Perseu e Andrômeda, óleo de Paolo Veronese
Além do argumento utilizado por Xerxes, baseando-se no culto ao antepassado comum, Heródoto nos dá uma outra versão para a aliança de Argos com o persas, uma preleção oracular que avisava os argivos contra os perigos de se aliarem aos helenos. O que fica evidente no parágrafo 148:
...Passou-se o seguinte entre eles segundo dizem os próprios argivos: estes teriam obtido informações desde o princípio quanto aos planos dos bárbaros contra a Hélade; cientes disso e no pressuposto de que os helenos tentariam coligar-se contra o persa, eles teriam enviado teoros a Delfos para perguntar ao deus qual seria a melhor atitude a tomar. Com efeito, pouco antes os argivos tinham perdido seis mil homens lutando contra os lacedemônios e seu comandante Cleomenes filho de Anaxandrides, e por isso estavam mandando os teoros. Em resposta a sua pergunta a Pítia lhes teria dado o seguinte oráculo:

Povo odiado por todos os seus vizinhos,
mas caro aos deuses imortais, mantém-te em guarda
lá dentro das muralhas, empunhando a lança
e cuida da cabeça; ela te salvará.”
Esse oráculo já lhes tinha sido dado pela Pítia anteriormente ...

(HERÓDOTO p.380-381)

Portanto seja a verdade dos fatos uma aliança proposta pelo rei persa ou um aviso oracular, a decisão da cidade de Argos foi a de se aliar a Xerxes, decisão política, sem dúvida, porém respaldada pela religião.

O mito de Perseu

A mitologia nos conta que um antigo rei da cidade de Argos, Acrisius prendeu sua filha Danae numa masmorra com receio que ela engravidasse, pois segundo um oráculo seu neto vindouro seria o autor de sua morte.

Zeus, o deus maior, compadeceu-se da moça e apaixonou-se por ela, caindo em forma de chuva por entre as grades da masmorra engravidou-a. desta união nasceu Perseu. Enfurecido o rei Acrisius aprisiona mãe e filho em um baú e lança-os ao mar. Dias depois aportam numa ilha distante e são libertos e acolhidos pelos reis locais, Dictys e Polidectes, que eram irmãos. Alguns anos mais tarde, a pretexto de ver-se livre de Perseus para assim não haver objeção ao seu casamento com Danae, Polidectes propõe um desafio a Perseus: trazer a cabeça da gorgone Medusa.


Perseu com a cabeça da Medusa, cidade de Firenze, Itália.

Perseus teve sucesso em sua investida tanto que voltou casado com Andromeda, salva por ele de um sacrifício ao deus do mar, Possêidon. Desta união nasceu Perses que iria dar origem ao povo persa.

Análise Bibliográfica

Quando falamos nas crenças gregos existe um grande risco de confundirmos a religião e a mitologia. A religião para os gregos da Antigüidade está na manutenção dos seus objetos de fé, seus ritos e cerimônia sacralizadas. A mitologia faz parte desta religião mas de maneira secundária, segundo Robert o mito surge freqüentemente mas sempre como um subterfúgio que explica o ritual e o torna sagrado. “A religião não está no que se conta, mas no que se faz.”(Robert p.6) ou seja a verdadeira religião grega está em seus cultos, ritos e cerimônias e não nas suas lendas.


Então qual a importância do mito de Perseu para os argivos do século V a.C.? E qual seria a relação entre esses e os persas?

O herói Perseu, neto de rei de Argos e seu filho Perses deu origem ao povo persa, portanto o rei Acrisius é um antepassado comum tanto para os argivos como para os persas. Essa lenda é considerada como uma realidade, como algo que realmente aconteceu, sendo assim uma realidade sagrada.

O mito conta uma história sagrada, quer dizer, um acontecimento primordial que teve lugar no começo de tempo, ab initio. Mas contar uma história sagrada equivale a revelar um mistério, pois os personagens do mito não são seres humanos: são deuses ou heróis civilizadores. Por esta razão suas gesta constituem mistérios: o homem não poderia conhecê-los se não lhes fossem revelados. O mito é pois a história do que se passou in illo tempore, a narração daquilo que os deuses ou seres divinos fizeram no começo do tempo. “Dizer” um mito é proclamar o que se passou ab origine. Uma vez “dito” quer dizer, revelado, o mito torna-se verdade apodíctica: funda a verdade absoluta. (Eliade p.84)
Coulanges ainda nos acrescenta que entre os antigos havia a crença do antepassado como um ser gerador que fornecia o mistério da criação. “O gerador surgia-lhes como ente divino e por isso o adoravam no seu antepassado.” (p.40)
Esse sentimento era extremamente forte e surgiu como base para a religião. Lembramos também que o povo grego possui em sua formação tribos indo-européias fica então simples destacar a importância deste culto aos antepassados, culto que tem sua origem no seio familiar e que alastrou até alcançar um caráter de culto citadino, oficial da polis
Portanto a religião era o que permeava a vida do homem antigo. Todos os seus atos na vida pública ou privada, era determinado por suas crenças. O Estado também era submetido a religião, tanto que era difícil distinguir um do outro e nunca se ouviu falar de conflitos entre ambos. Ocorria exatamente o contrário, temos exemplos de governantes apoiando seus cargos políticos sustentados pela religiosidade do povo.

Temos aqui o claro exemplo dos oráculos que intercediam favorável ou desfavoravelmente sobre alguma lei ou argumento político. Intervinha na constituição de novas colônias, no estabelecimento de pactos políticos e da alianças econômicas. A crença no oráculos era tão forte que eles eram aceitos como verdades absolutas. Pensadores modernos nos alertam para a sua tendenciosidade, colocando as manifestações oraculares como passíveis de serem compradas por aqueles que tivessem interesse em uma preleção favorável. Não vamos aqui discutir a veracidade dos oráculos mas vamos salientar que os governantes se utilizaram desta artifício para fazer valer suas decisões. A opinião de Robert corrobora nossa idéia quanto a isso e ainda acrescenta que todo homem de Estado se apoiava as traduções das Pítias para sacralizar sua política.

Pitonisa, cena do filme 300, de Zack Snyder (2007)

Além dos oráculos havia uma série de ritos, cerimônias, festas de conotação religiosa, enfim uma série de atividades sacralizadas que constituíam a religião em si. Esta religião não propunha ao homem uma reflexão ou ainda interrogações sobre os seus deuses. Ao contrário, sujeitava-o a um incrível número de minuciosas cerimonias e ritos, práticas preestabelecidas pelos antepassados de seus antepassados e que eram obrigatórias.

“A religião que exercia uma tão grande influência na vida da interior da cidade, intervinha com igual autoridade em todas as relações que as cidades mantinham entre si. É quanto podemos verificar ao estudarmos como os homens destes antigos tempos faziam a guerra entre si, concluíam a paz ou firmavam alianças.” (Coulanges p.254)

A religião presidia tanto a guerra quanto a paz, permeando as relações internacionais, marcadas por cerimônias sagradas e invocações dos deuses. Em caso de guerra, uma decretação se fazia mediante o pronunciamento pelo sacerdote, de certa forma sacramental.

Conclusão

A sociedade grega do século V a.C. possuía enorme influência religiosa, tanto em seu cotidiano como em suas instituições. Nossa hipótese se baseou na força de religião para o homem grego, o quão forte seria a religião a ponto de interferir em uma decisão política.

Partimos da premissa de que o cunho religioso estava tão incutido na mentalidade grega que seu espectro é percebido em todas as áreas de atuação humana. Estava presente na arte, na filosofia, na literatura, nos jogos, nos intercâmbios mercantis e na vida política.

Podemos concluir , então, que embora a cidade de Argos pudesse ter outros motivos para se aliar aos persas foi realmente o argumento religioso que embasou sua decisão final.

Referência Bibliográficas

Fonte:
1. HERÓDOTO. História. Brasília: Universidade de Brasília, 1988.

Bibliografia Consultada:1. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega.Vol.3. Petrópolis: Vozes, 1998.
2. COULANGES, Fustel de. A Cidade Antiga. Porto: Imprensa Portuguesa, 1971.
3. ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano. A essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
4. GASSER-COSE, Françoise. A Grécia do Partenon. Rio de Janeiro: Ferni, 1978.
5. GLOTZ, Gustave. A Cidade Grega. São Paulo: Difusão Editorial, 1980.
6. ROBERT, Fernand. A Religião Grega. Coleção Universidade Hoje. São Paulo: Martins Fontes, 1981.
7. SCHWAB, Gustav. Dioses y Heroes. Mitos u Épica de la Antigua Grecia. Trad.esp. URRIZA, José Goñi. Buenos Aires: Santiago Rueda, 1949.

03 março 2010

Respondendo as perguntas sobre a Batalha das Termópilas

Alguns me perguntaram se podemos levar a sério a História da Batalha das Termópilas tendo em consideração o filme 300. Minha resposta é "claro que não!" 
O filme é bom, divertido, com cenas fantásticas, mas é claro que ele é apenas uma releitura de um fato histórico. Na verdade, ele é uma releitura de outra releitura. O filme foi inspirado nos quadrinhos de Frank Miller. Portanto, é claro que está cheio de exageros e "licenças poéticas".

A HQ 300 de Esparta é muito bem escrita, lindamente desenhada e - dentro das devidas proporções - bastante fiel à História. Mas, devemos lembrar que, por ser uma HQ, possui todo o apelo dramático característico. 

Óbvio que o imperador persa, Xerxes, não era uma figura sobre-humana, muito menos usava piercings por todo o corpo! Apesar de os persas serem uma teocracia, ou seja, o imperador era considerado uma divindade.

Outra ressalva, os persas não conheciam rinocerontes, ou se os conhecessem não os utilizavam em batalha.

A utilização de pólvora que forneceu ao filme e aos quadrinhos cenas de fantásticas explosões, também não é historicamente aceitável ... embora tenha ficado divertido no filme.
Enfim, tanto o filme quanto a HQ possuem vários exageros, mas na sua essência, podem sim servir como um modo lúdico de aprender um pouco mais sobre os costumes espartanos e sobre a Batalha das Termópilas.

Ah...em tempo: sim, os espartanos jogavam no abismo recém nascidos defeituosos; eles treinavam desde cedo para serem os melhores soldados; eles tinham um grande orgulho de serem descendentes do deus da guerra - Ares; e claro eles consideravam os atenienses como um bando de filósofos efeminados!

Ainda sobre a HQ de Frank Miller, posto abaixo o texto de Sergio Codespoti e Marcelo Naranjo, sobre esse assunto:

"Os 300 de Esparta conta a história do Rei Leônidas e a batalha das Termópilas, em 480 a.C., quando seu exército de trezentos espartanos desafiou os persas, que possuíam o maior exército já montado até então.Belamente roteirizada e ilustrada pelo mestre das HQs modernas, Frank Miller, a obra denota uma grande pesquisa, aliada às devidas adaptações e "licenças poéticas" necessárias para contar uma boa história, na mídia dos quadrinhos.
Xerxes - HQ e Filme


As cenas de combate presentes são um capítulo à parte. Miller abusa de cortes, texturas e silhuetas. O seu trabalho sempre foi muito elogiado quanto ao design arrojado de suas páginas e a força de sua composição. Mas é o conjunto da página que apraz aos olhos, e não somente o desenho em si. É um misto de elegância e audácia da distribuição dos quadros e seqüências.Em 300, a maturidade de Miller está evidente. Da sua escolha de fazer da página dupla a sua prancha de desenho, transformando a leitura tradicionalmente vertical em amplas horizontais, ao uso criterioso das silhuetas chapadas em meio ao colorido maravilhoso de sua esposa, Lynn Varley.

Silhueta chapada sobre fundo colorido, belo trabalho de Lynn Varley e Frank Miller

Lynn, que o acompanha como colorista desde os idos de Ronin, pinta de maneira tão dramática quanto as cenas executadas por seu marido. É um colírio ver suas pinceladas depois de anos seguidos de coloridos pasteurizados por computador.Mas o mérito da obra não está apenas na arte. A adaptação do texto, que seria insípido para a grande maioria dos leitores, é agradável, tem ritmo, com personagens sólidos e bem construídos. Vale até dizer, que o valor maior está no fato de que Miller instila em seus leitores a curiosidade de conhecer melhor este momento histórico, de buscar nas enciclopédias a verdade histórica dos 300 de Esparta.

Caso você não esteja com vontade de consultar uma enciclopédia, ou mesmo não tenha uma, embarque conosco nos próximos parágrafos. Vamos voltar ao tempo dos gregos, conhecer o que cercou a batalha descrita por Miller, e o que houve além dela.

Tudo teve inicio com Dario I, soberano do império persa e um grande conquistador. Ele foi o responsável pela primeira tentativa de domínio da Grécia, devido a uma disputa pela hegemonia comercial no Mediterrâneo. No entanto, foi derrotado na chamada Batalha de Maratona, por uma tropa de soldados de Atenas. Dario e os seus retornaram, humilhados. Anos depois, antes de falecer, Dario determinou que o herdeiro de seu trono e novo soberano seria seu filho caçula, Khchayarcha, conhecido pelos gregos como Xerxes. Ele assumiu sua herança com convicção, determinado primeiro a resolver graves problemas, como uma grande revolta egípcia. Em dois anos, terminou essa tarefa. Depois, com manifestações semelhantes ocorrendo na Babilônia, determinou uma intervenção e arrasa a cidade.


Com tudo isto resolvido, finalmente dedicou-se ao seu mais audacioso plano: conquistar a Grécia. Xerxes tinha como estratégia atacar a Grécia Central com seus homens, enquanto, por uma rota traçada, uma gigantesca nau, com mais de 200 navios, abasteceria e daria apoio as suas forças em terra firme.No ano de 481 a.C, o mundo teve a oportunidade de assistir à reunião do maior exército já organizado em todos os tempos, até então. Conforme Heródoto, que narrou toda a trajetória de Xerxes, os números excediam a casa de dois milhões e seiscentos mil homens. Porém, historiadores modernos afirmam que seria impossível reunir e abastecer tal quantidade de pessoas, e que, na realidade, seriam em torno de 200 mil até 300 mil homens. Mesmo assim, um número prodigioso.



Vale citar que Miller utiliza o texto de Heródoto em vários diálogos que acontecem durante a história, como quando a esposa de Leônidas pede que o marido volte "com o escudo, ou sob o escudo". Ou seja, volte vitorioso, ou morto. Outro momento, no diálogo entre Leônidas e Xerxes, quando o espartano afirma: "Você tem muitos homens, mas poucos soldados".Voltando à tropa, dados históricos dão conta que essa máquina de guerra era formada por pessoas de 46 povos diferentes, entre persas, medos, assírios, árias, partas, indianos, etíopes, árabes e outros.Quando entravam em marcha, nada parecia poder detê-los. Em todo o caminho, as cidades curvavam-se ante a supremacia do rei persa. Trácia, Macedônia, Tessália, todas se submeteram a Xerxes. Até o exato momento em que a comitiva alcançou o desfiladeiro das Termópilas, onde uma inesperada e desagradável surpresa os aguardava.



Antes de continuar a narrativa, vamos nos ater um pouco aos espartanos, para tentar entender as motivações de suas atitudes.Os espartanos lutaram durante muitos séculos para dominar a área do Peloponeso oriental. Quando conseguiram estabelecer-se e dominar por completo a região da Lacônia, tinham o militarismo enraizado em seus costumes e hábitos. Depois, através de campanhas militares, conquistaram a Argólida e a Messéia, tendo, então, sob seus braços quase todo o Peloponeso.A organização política deste povo funcionava da seguinte maneira:



Dois reis, representando importantes famílias diferentes, com poderes militares e religiosos; Acima destes, um conselho, com os mesmos dois reis e mais 28 nobres; Uma assembléia, que aprovava ou rejeitava as propostas do conselho; Uma equipe de cinco pessoas, chamada de Éforo, com poderes absolutos, presidindo o conselho, a assembléia, podendo controlar distribuição de propriedades, determinar o destino de recém-nascidos, depor ou eleger reis, enfim, eram o poder supremo.


A população era dividida em três classes:

  • Os esparciatas, que eram a camada dominante, e não excediam um vigésimo da população global. Somente estes tinham privilégios políticos; 
  • Os periecos, indivíduos que fizeram parte de povos que foram aliados dos espartanos ou que se juntaram a eles por vontade própria. Tinham permissão de exercer o comércio e a manufatura; 
  • Os hilotas, que eram os servos e escravos, provenientes dos povos dominados à força.
Para manter a supremacia da camada dominante sobre as outras, que eram muito maiores em termos numéricos, era fundamental o bom funcionamento do sistema militar espartano. Para tanto, todos tinham que fazer sua parte, em prol do coletivo.

Cena do filme 300

Logo que nasciam, as crianças já ficavam sob jugo do estado. Se tivessem qualquer tipo de doença ou deformidade, eram sumariamente assassinadas. Os saudáveis aprendiam a servir e a abdicar do individuo, em função do bem comum. Sofriam, eram castigados, passavam por diversas mazelas para fortalecerem seus corpos e espíritos, para aprender a serem determinados. Cada espartano devia ser um soldado perfeito, e sua maior glória era morrer em batalha. Voltar derrotado, jamais. A partir daí, podemos voltar nossa atenção para o encontro de Xerxes com os espartanos, e o motivo destes estarem nas Termópilas. 

A Grécia, tendo tomado conhecimento do exército inimigo, realizou uma reunião na cidade de Corinto, com representantes de todas regiões. Algumas cidades estavam pré-dispostas a se renderem, outras ficaram na neutralidade. Atenas, Egina, Eubéia e Esparta decidiram formar uma frente de resistência.A estratégia escolhida foi cobrir a Grécia Central. Para isso, uma única chance: preparar uma linha de resistência nas Termópilas. O estreito desfiladeiro, localizado entre uma montanha e o mar, era um ponto estratégico. Marcharam em direção a eles os espartanos, junto com alguns aliados. Ao mesmo tempo, uma esquadra grega, formada principalmente por atenienses, tinha a missão de apoiar as operações terrestres.
Capa da HQ - Frank Miller



Quando Xerxes tomou conhecimento de um exército preparado para bloquear sua passagem, enviou batedores para tomar melhor conhecimento da situação. Ao descobrir o número de soldados do inimigo, não levou a sério a iniciativa e acreditou tratar-se apenas de "jogo de cena". Não tinha idéia do quão estava enganado. Ele acampou com seu séqüito por cerca de quatro dias, provavelmente porque parte de sua esquadra marítima havia sido destruída por uma violenta tempestade. Outra possibilidade seria exatamente a de não acreditar na real intenção dos espartanos de guerrearem.No quinto dia, Xerxes ordenou o ataque. Começaram aí as surpresas: seus homens foram sucessivamente repelidos pelos bravos inimigos. Durante dois dias seguidos, divisão de tempo que podemos acompanhar nos quadrinhos, várias tentativas inúteis de subjugar os espartanos foram feitas, sem êxito. Nem mesmo os Imortais, a tropa de elite de Xerxes, obtiveram sucesso.Ao mesmo tempo, ocorreu um confronto no mar, entre as naus gregas e persas, já enfraquecidas devido a uma forte tempestade. A batalha não teve vencedor, mas ficou clara a superioridade dos gregos nas águas.

Os persas já não sabiam como atravessar a barreira dos espartanos. Foi então que um nativo, de nome Ephialtes, entregou uma passagem secreta que possibilitava cercar os inimigos. Aqui temos outra boa sacada de Frank Miller: ele coloca o traidor na figura de um corcunda, um espartano que teria escapado de ser morto ao nascer (como mandava a tradição), devido ao seu defeito congênito.

Ephialtes - Frank Miller


Querendo juntar-se aos seus e não podendo, por decisão de Leônidas, acabou traindo os conterrâneos.Continuando... Durante a noite, as posições foram ocupadas. Quando ficaram sabendo do ocorrido, os aliados dos espartanos decidiram partir. Mas estes, não. Fugir era intolerável, render-se, inadmissível. Antes morrer na glória da batalha, do que ser considerado covarde e desertor. Chegou, então, o terceiro dia.
Cena da HQ - Fank Miller

Com a mais plena noção da impossibilidade de uma vitória, Leônidas e seus homens partiram para o ataque. Fizeram vítimas numa quantidade muito superior ao seu número. O rei sabia que era sua hora, pois o oráculo determinou que um monarca morreria naquela batalha. Ele e os seus lutaram primeiro com lanças, depois com espadas e, por fim, com os próprios punhos, até o final. Deixaram a vida, entraram para a história e se tornaram uma lenda heróica. Xerxes ficou impressionado e teve sua confiança seriamente abalada pela determinação daqueles guerreiros. Sobre os oráculos de Delfos, existem duas versões: numa, Xerxes teve o apoio destes, que publicaram uma série de oráculos derrotistas e, por isso, quando invadiu a Grécia Central, ele poupou Delfos. A outra conta sobre um oráculo ter afirmado que a causa de Xerxes estaria perdida, caso este tocasse em Delfos, e isto fez com que deixasse o local intacto.

Persas encurralados no desfiladeiro - Frank Miller

Após abrir passagem pelas Termópilas, Xerxes permaneceu com seu intento. Com o caminho livre, invadiu a Grécia Central. Destruiu cidades rebeldes, poupou outras que o acolheram e, finalmente, invadiu Atenas. A maioria dos cidadãos havia fugido devido à decisão do governo de evacuar a cidade. Os poucos moradores que ficaram foram assassinados; e casas e templos foram pilhados.Mas chegou o momento decisivo da batalha, que ocorreu no mar. A frota de Xerxes estava ancorada na enseada de Falera. As naus gregas, em Salamina. Xerxes ordenou o ataque. Os persas tinham uma frota muito superior, mais que o dobro do que os inimigos dispunham.

Quando a batalha começou, os gregos conseguiram sair da baía de Salamina e adotaram formação de combate. Como o canal era estreito, os persas, que tinham suas naus carregadas de tropas, ficaram confusos e chegaram a trombar entre si. Os gregos atacaram com todas as suas forças, e conseguiram uma vitória fulminante.Xerxes assistiu a tudo, e tinha certeza que havia perdido uma batalha importante. Sem ter como abastecer seu exército, ordenou uma retirada. Contudo, não desistiu de seu intento. Deixou na Grécia uma armada com vários milhares de homens.
Mensageiro persa - Comparação entre o filme e HQ de Frak Miller
Essa armada, sob comando de Mardônio, voltou a invadir Atenas. Estes, cansados da guerra, ameaçaram uma aliança com os persas, caso Esparta não colaborasse para uma batalha decisiva. Os espartanos, então, enviaram seu exército, sob o comando de Pausânias, e novos confrontos aconteceram. Numa frente, os espartanos venceram os persas; enquanto os atenienses enfrentavam os beócios (aliados dos persas). Nova vitória dos gregos, obrigando a retirada final do inimigo. Também no mar, os invasores foram expulsos. Era o fim dos sonhos de conquista de Xerxes.
Cenas da batalha - Frank Miller

Como esta obra é uma adaptação, Miller tomou certas liberdades que poderiam soar como inverdades. (grifo nosso - blog Histórias) Caso um historiador decida por fazer uma análise mais arguta, poderá encontrar fatos um pouco distorcidos, talvez as vestimentas de alguns personagens não sejam exatamente aquelas. Quem sabe reclame de Miller ter "simplificado" um acontecimento histórico a uma batalha entre o que o autor considera sendo o "bem" (os espartanos) contra o "mal" (os persas). Mas, como não somos historiadores, ficamos com a única certeza de termos em mãos uma grande HQ.



Os 300 de Esparta foi lançado no Brasil pela Editora Abril, em cinco números, em 1999. Nos Estados Unidos, a Dark Horse, que publicou a mini-série original (com o título de 300), brindou posteriormente seus leitores com uma belíssima encadernação, em capa dura e formato grande.A obra merece, pois é um presente para quem aprecia uma boa aula de história. E, neste caso, de uma maneira muita mais divertida, através de um meio único e arrebatador que são os quadrinhos!"

Exército espartano - Frank Miller

01 março 2010

Batalha de Termópilas

Desfiladeiro das Termópilas (Fonte: http://www.rankia.com/blog/sanchezcoll/357160-lecciones-grecia-clasica-liderazgo-para-empresas-hoy)

Termópilas é um desfiladeiro localizado na Grécia Central que serviu de palco para a batalha entre persas e espartanos. O conflito foi provocado pelo anseio do persa Xerxes de dominar o território e o povo espartano, o que foi negado pelo povo, juntamente com seu rei Leônidas.

A batalha das Termópilas tornou-se conhecida graças à narrativa de Heródoto de Halicarnasso, na qual o historiador faz opor quatro milhões e meio de homens (os números dos historiadores antigos são quase sempre entusiásticos, quando costumam exagerar quanto aos números de contendores envolvidos em batalha - geralmente, na intenção de enaltecer a um dos lados), arregimentados à força pelos persas, contra Leônidas e os seus trezentos espartanos, combatendo tão-só pela liberdade da sua cidade. Mas não havia apenas Espartanos nas Termópilas.

O pequeno número de soldados presentes de cada uma das outras cidades gregas está relacionado com um fato muito importante – 480 a.C. foi ano de Olimpíadas, durante as quais se proclamava a trégua sagrada e cessavam as hostilidades entre todos os inimigos na Grécia. Embora se tratasse de um inimigo externo (não-heleno), e se tratasse de uma situação de exceção, a trégua entre os Gregos não foi levantada.
Quanto ao campo do adversário, Heródoto fala em 2,1 milhões de medos-persas, acompanhados por 2,6 milhões de soldados auxiliares. Estes números são claramente excessivos (isto porque os Persas não dispunham de uma logística suficientemente avançada, nem tão-pouco o estéril solo grego teria capacidade para alimentar um número de indivíduos tão maior que a população autóctone), quer porque Heródoto desconhecesse o número real, quer por pretender, muito provavelmente, impressionar o leitor, e realçar, por oposição, a pequenez da coligação helênica – a qual, não obstante ter perdido a batalha, acabou por, no fim, lograr vencer a guerra contra os persas.

Mapa da Batalha das Termópilas (Fonte: Depto de História da Academia Militar dos EUA)

Prólogo da Batalha

Eram tempos de guerra, as Cidades-Estado gregas estavam á frente de uma ameaça Persa, que vinha invadindo território helênico., sob o Comando de Xerxes, que continuava uma guerra já começada por seu pai, Dário I. No ano de 484 a.C , Xerxes chega com seu exército e marinha nas terras da Ásia Menor e, de acordo com o filósofo Heródoto de Halicarnassus, ele possuía mais de 5 milhões de homens, mas hoje em dia especula-se que o número está em torno de 250 Mil soldados, o que não deixa de ser uma gigantesca ameaça, que com certeza conferia uma vantagem numérica vertiginosa em relação aos Gregos.


300 de Esparta (HQ de Frank Miller)

Preparação

Uma aliança foi logo forjada entre as Cidades-Estado gregas, comandada pela militarista Esparta. Leônidas, rei e general espartano estudou muito bem o terreno e escolheu Termópilas como o lugar ideal pra um combate deste calibre, onde a superioridade numérica Persa não poderia ser usufruída, devida a pequena passagem que existe em Termópilas.
(A idéia é simples, e pode ser facilmente exemplificada, pensando num corredor de uma escola, onde somente 10 alunos podem passar lado á lado, sendo o resto limitado á velocidade em que andam os primeiros 10 alunos, por limitações físicas do local. Aplicado em batalha, os milhares de persas não poderia entrar todos em combate ao mesmo tempo devido ao limite físico do terreno, sendo assim um combate não de números, mas de qualidade e valor militar.)
Distribuição

As tropas Gregas constituíam-se de 300 hoplitas espartanos, a elite da elite guerreira helênica, e mais 7000 aliados de outras cidades gregas. (sobre os hoplitas, ver artigo publicado em: http://universodahistoria.blogspot.com/2010/02/as-armas-cidadaos-com-os-hoplitas-os.html)
As tropas gregas eram mestras no uso da formação de falange (Phalanx), ou seja, uma massa de soldados, alinhados em linha e colunas coesas, protegidos por um grande escudo e lanças apontadas para frente, tornando-se uma barreira virtualmente intransponível quando combatida frente á frente. Dentre as tropas de Xerxes, encontravam-se os famosos "imortais", a tropa de elite do Rei, que prometia causar o terror nas tropas inimigas quando requisitadas pra combate.

A Batalha

Batedores Persas informaram á Xerxes que, os espartanos estavam aguardando, com uma força militar infinitamente menor, porém, ainda assim pareciam despreocupados pois penteavam seus cabelos, passavam óleo no corpo, sem aparente ansiedade. Esperando que os gregos se rendessem, Xerxes esperou 4 dias e, quando viu que ninguém estava disposto a sair de lá sem antes lutar ou morrer, ordenou um ataque no quinto dia.

Como citado anteriormente, os gregos se dispuseram em falanges, formando uma muralha de lança e escudos de ponta a ponta da passagem de Termópilas. Os persas, com roupas leves, lanças leves e flechas não conseguiam passar pela muralha grega, que lutava bravamente, onde não podiam ser flanqueados ou cercados devido ao terreno, portanto reduzindo brutalmente a vantagem dos números nitidamente maiores do exército Persa.

Xerxes não estava satisfeito com o resultado, e disse que iria fazer um chuva de flechas tão grande, que cobriria a luz do sol, sendo a resposta de um dos soldados Gregos : "Muito bem, lutaremos na sombra".


No segundo dia de batalha, os persas estavam sendo aniquilados assim como no primeiro dia e Xerxes ordenou o ataque da sua elite, os Immortais, pensando assim quebrar a formação Grega, porém, foi um ledo engano, e a falange espartana infligiu pesadíssimas baixas na elite persa, forçando-os á bater em retirada.Ainda nesse segundo dia, Ephialtes, um dos gregos, desertou para o lado Persa e informou Xerxes de uma passagem alternativa por Termópilas, que resultaria num flanqueamento das tropas gregas. Alguns gregos, em torno de 100, guardavam essa passagem, porém foram atacados de surpresa pelo contingente persa, que passou e iniciou o começo do fim para os gregos.

O Revés

Estava nítido que a derrota era certa e Leônidas dispensou os Gregos não-espartanos e não-tebanos, mas ainda assim, 600 outros soldados se recusaram a abandonar a batalha e decidiram morrer lutando para retardar o avanço persa.

O combate foi brutal e os gregos foram empurrados para uma pequena montanha, enquanto seus números iam diminuindo cada vez mais. Os Espartanos eram soldados de elite, treinados desde de criança para dar suas vidas por Esparta e assim iriam fazer. Após um tempo de violentíssimo combate, Leônidas, o rei Espartano, é morto e batalha, o que normalmente iria desmoralizar sua tropa, mas o contrário aconteceu, os espartanos lutaram bravamente para proteger seu corpo. É dito que, quando suas lanças quebraram, os Espartanos lutaram com suas espadas (xiphos) e quando estas quebraram, o combate foi com as próprias mãos e dentes. Até que o ultimo soldado espartano foi derrubado à flechadas.

Estátua de mármore do séc. V a.C., patente no Museu Arqueológico de Esparta. Representa um hoplita grego com o seu típico elmo. (Fonte: Originally from nl.wikipedia
de:Benutzer:Ticinese)

As Conseqüências

Leônidas foi decapitado, crucificado e sua cabeça foi empalada. No local do conflito hoje, há homenagens a Leônidas bem como para todo o exército que, apesar de ser em minúscula quantidade se comparada ao exército persa naquele tempo, guerreou com coragem pelo seu povo e pelo que acreditavam.

Leônidas, monumento nas Termópilas (Fonte: Originally from nl.wikipedia; 17 mrt 2005 17:10 Napoleon Vier )


Num monumento de homenagem há os dizeres "Digam aos espartanos, estranhos que passam, que aqui, obedientes às suas leis, jazemos". Os gregos conseguiram causar um grande impacto sob as tropas de Xerxes, matando dois de seus irmãos e enfraquecendo enormemente a força invasora Persa, onde em posteriores batalhas, os persas foram facilmente derrotados, inclusive no mar, forçando o fim da campanha invasora Persa.

Além de um grande feito, essa batalha mostrou como o terreno e a qualidade de tropas influência num combate, sendo que até hoje ela é lembrada e estudada pois é mais que uma batalha, é um marco da história.