05 março 2015

Imperialismo


Imperialismo é a prática através da qual, nações poderosas procuram ampliar e manter controle ou influência sobre povos ou nações mais pobres.

Algumas vezes o imperialismo é associado somente com a expansão econômica dos países capitalistas; outras vezes é usado para designar a expansão européia após 1870. Embora Imperialismo signifique o mesmo que Neocolonialismo e os dois termos sejam usados da mesma forma, devemos fazer a distinção entre um e outro.

Colonialismo ou Neocolonialismo normalmente implica em controle político, envolvendo anexação de território e perda da soberania. 

Imperialismo se refere, em geral, ao controle e influência que é exercido tanto formal como informalmente, direta ou indiretamente, política ou economicamente. 

No final do século XIX e início do XX teve início o neocolonialismo (também chamado de imperialismo) empreendido por alguns países europeus principalmente na Ásia e na África. Os principais objetivos das nações imperialistas eram buscar mão de obra barata para a produção industrial; encontrar matéria-prima para as indústrias europeias; e estabelecer novos mercados consumidores fora da Europa. 

Os europeus dominaram territórios na África e Ásia desde a segunda metade do século XIX até o final da Grande Guerra (1918), em alguns locais esse domínio se estendeu até a década de 1950. Para estabelecer o domínio sobre os povos conquistados, os europeus lançaram mão de algumas teorias: 
  • missão civilizadora”, segundo a qual, os nações europeias tinham o dever de levar a civilização e o progresso para os povos africanos e asiáticos.
  • darwinismo social”, segundo essa teoria, os europeus se julgavam superiores, tanto intelectual quanto física em relação aos povos africanos e asiáticos.

Imperialismo na África
Talvez o pior legado do Colonialismo tenha sido a divisão da África em mais de 50 Estados cujas fronteiras foram demarcadas sem dar a menor importância aonde as pessoas viviam e como organizavam sua própria divisão política. A Alemanha não possuía colônias na África e propôs uma redistribuição dos territórios no continente durante a Conferência de Berlim, ocorrida em 1884. 
Nessa conferência algumas decisões foram tomadas:

  • A Conferência foi convocada com o objetivo de se evitar conflitos armados entre países europeus que disputavam colônias.
  • A Alemanha propôs que cada país europeu ficaria com territórios coloniais equivalentes aos de seus vizinhos. Essa proposta não foi aceita pelos demais países europeus.
  • Segundo o que foi decidido na Conferência, a ocupação do território colonial era o fator que determinava qual país europeu seria o dono da colônia.


Outro legado ruim do Imperialismo foi o seu efeito na vida econômica dos povos africanos. O sistema colonial destruiu o padrão econômico que lá existia. O neocolonialismo também ligou a África economicamente às grandes potências e os benefícios desse sistema sempre vão para os países poderosos e nunca de volta para África.

No sul do continente, ocorreram vários conflitos entre os holandeses e seus descendentes (chamados de bôeres), que estavam presentes na região desde o século XVII até a chegada dos ingleses, que ocorreu no final do século XVIII. O conflito final foi denominado de Guerra dos Bôeres que ocorreu principalmente porque as terras dominadas pelos bôeres eram ricas em diamante e ouro e os holandeses não quiseram dividir a administração de Transvaal com os ingleses. Os holandeses perderam a Guerra e seus domínios foram perdidos para os ingleses, que confiscaram as terras dos holandeses e os enviaram para campos de concentração. 


O terceiro mal causado pelo colonialismo foi a introdução das idéias europeias de superioridade racial e cultural, dando pouco ou nenhum valor às manifestações culturais dos povos africanos. Aos poucos os africanos estão recuperando o orgulho por sua cor, raça e cultura.

Imperialismo na Ásia

O período da conquista européia na Ásia começa por volta de 1500 e continua até a metade do século XX. Alguns historiadores acreditam que esse período ainda não terminou. O interesse europeu pela Ásia começou com a curiosidade e se tornou o desejo de explorar as riquezas deste continente. Para isso, os europeus tiveram que conquistar e colonizar essas terras, isso aconteceu nos séculos XIX e XX. Na época da I Guerra Mundial, a maior parte da Ásia estava sob controle europeu.

A Grã-Bretanha, no final do século XVIII, estava passando pela segunda Revolução Industrial, precisava cada vez mais de matérias-primas a baixos preços e um grande mercado consumidor para realizar a venda de seus produtos. E é ai que a China e a Índia despertaram grande interesse por parte dos Britânicos pois ambos tinham uma grande população, o que significaria um grande mercado consumidor. 

A Índia se mostrava aberta a qualquer negócio estrangeiro, e pelo contrário a China era muito resistente, pelo menos no que diz respeito a compra de produtos Europeus, más vender seus produtos a esses países interessados ela não pensava duas vezes.
Indianos no início do século XX


A Índia foi afetada pelo Imperialismo Britânico, que impôs um domínio militar e cultural através da justificativa do Darwinismo Social e do Eurocentrismo (justificativa que propunha a como centro do mundo e cultura superior às outras.


A Inglaterra estabeleceu na Índia entrepostos em várias cidades litorâneas e no sul do território, implantando uma plantação de papoula, da qual era extraído o ópio, que era comercializado na China. Em meados do século XIX, os ingleses possuíam cerca de 200 mil soldados recrutados entre os indianos para a manutenção das colônias, que eram chamados de cipaios. 

Em 1857, os cipaios se revoltaram por causa do desrespeito dos ingleses pelas culturas e tradições indianas; também pelo excesso de impostos cobrados pelos ingleses dos indianos e pelas péssimas condições de vida na qual estava o povo indiano.


Juncos chineses sob bombardeio britânico durante a Guerra do Ópio

A China era uma grande produtora de seda, de porcelana e do chá, que era o produto que despertava maior interesse nos Britânicos. Em 1720 eles compraram cerca de 12.700 toneladas de chá dos Chineses, e em 1830 compraram cerca de 360 mil toneladas, entretanto os Chineses não tinham interesse algum nos produtos europeus, o que acarretava lucros muito pequenos aos Ingleses. 

Chineses se viciando em ópio.
Apenas um produto despertava grande interesse neles e por muitas vezes era ele que fazia com que o comercio com a China obtivesse certo lucro. Esse produto era o Ópio, já que uma das fontes de riqueza da Inglaterra na Ásia era a extração do ópio da papoula cultivada no sul da Índia, e a comercialização da substância na China. Porém, o comércio do ópio na China estava preocupando o governo do país, que deu origem à Guerra do Ópio. Esse conflito ocorreu porque:

  • O governo chinês proibiu o comércio do ópio, porém, a Inglaterra continuou a atividade por meio do contrabando.
  • A China, ao lançar ao mar um carregamento de ópio da Inglaterra, provocou uma série de ataques dos ingleses ao seu território, dando início à Guerra do Ópio.
  • De acordo com o Tratado de Nanquim, a China colocaria a ilha de Hong Kong sob o domínio britânico, e pagaria uma grande indenização a eles.

Três ou quatro séculos de contato e controle europeu trouxeram boas e más conseqüências para Ásia. As contribuições europeias foram: novas idéias e técnicas para agricultura; indústria e comércio; saúde e educação e administração política. Poucas culturas asiáticas estavam aptas para se adaptar a essas novas regras e idéias, mas aquelas que, como o Japão, conseguiram, tiraram muito proveito após sua independência.

Dentre os problemas do Neocolonialismo, a exploração das riquezas, que os europeus levavam para as metrópoles, a divisão da Ásia sem levar em conta suas culturas, povos e regiões físicas. Houve também os problemas políticos e sociais causados pelas minorias estrangeiras, como a cultura francesa na Indochina, que se chocava com a cultura existente nesse país. Até hoje existem problemas desse tipo nas nações asiáticas.

Não pretendo esgotar o assunto sobre a colonização da África ou da Ásia nessa publicação, pois a intenção é deixar um pequeno resumo que auxilie os estudos. Muitos horrores e atrocidades ocorreram em nome das conquistas imperialistas em todos os territórios africanos e asiáticos, mas aqui, deixo apenas os episódios histórico postado acima. 


Se você quiser saber mais sobre a Revolta dos Cipaios, veja o vídeo que eu fiz sobre esse assunto:
Revolta dos Cipaios - o que você precisa saber

03 março 2015

Vídeos sobre Revolução Russa

Selecionei alguns vídeos interessantes e bem feitos para ajudar no estudo sobre Revolução Russa.
É só clicar no link e estudar se divertindo!

Esse é uma música, uma paródia feita pelo professor Chico. Muito bom!
https://www.youtube.com/watch?v=Sua8YLLHU1I

Documentário ótimo, com legendas em português.
https://www.youtube.com/watch?v=8_RfHVLYAdA

Esse é sobre a Primeira Guerra e a Revolução Russa.
https://www.youtube.com/watch?v=2OUpxm2rM70

Esse último é de imagens filmadas durante a Guerra e durante a Revolução. Algumas imagens foram coletadas pelo próprio czar, outras por operadores russos e depois por cinegrafistas de vários países.
https://www.youtube.com/watch?v=_YOG6aiSl8k

18 fevereiro 2015

Anarquistas graças a Deus

Publicado em 1979 e transformado em minissérie da rede Globo em 1984, “Anarquistas, graças a Deus” é o livro de estréia de Zélia Gattai, esposa de Jorge Amado, e seu primeiro grande sucesso.

Exímia contadora de histórias, Zélia as transforma em instrumento privilegiado para o resgate da memória afetiva, sendo ao mesmo tempo Literatura e História Oral. O próprio Jorge Amado percebeu essa veia de documental da esposa, lhe apontou o caminho e mostrou que ela se alimentava de sua rica ascendência familiar. Surge assim uma série de três livros de memórias escritos por Zélia. – “Anarquistas graças a Deus”; “Um chapéu para a viagem”; e “Senhora dona do Baile”.
Família Gattai 
Em seus livros, a literatura se torna registro e testemunho da História individual e coletiva do período no qual ela viveu. Se Jorge Amado foi uma espécie de biógrafo involuntário do Brasil, Zélia Gattai se afirma como a grande narradora de nossa história sentimental.

Família Gattai, na minissérie Anarquistas graças a Deus 


Zélia era filha de imigrantes italianos – anarquistas, por parte do pai Ernesto; e católicos, da parte da mãe Angelina. Após contar sua história aos filhos, netos e amigos, Zélia resolveu abandonar a posição de coadjuvante no mundo literário e experimentar a própria voz para contar a saga de sua família. E é assim que ficamos conhecendo a aventura dos imigrantes italianos em busca da terra dos sonhos, o crescimento da capital paulista e a infância dessa menina para quem a vida, mesmo nos momentos mais adversos ou indecifráveis, nunca perdeu o encanto: A determinação de seu Ernesto e a paixão pelos automóveis; a convivência diária com os irmãos e dona Angelina; os sábios conselhos da babá Maria Negra; as idas ao cinema, ao circo e à escola; as viagens em grupo; o avanço da cidade e da política; os duros anos de greves; o avanço do Estado Novo; o exílio do Brasil – nestas crônicas familiares, vida e imaginação se embaralham, tendo como pano de fundo um Brasil que se moderniza sem, contudo, perder a magia. 

São livros de leitura fluida, gostosa e de fácil assimilação - quase nos dá a sensação de estarmos ouvindo uma tia ou avó contando uma história de sua infância. Para quem gostaria de saber mais sobre o Brasil nos primeiros anos do século XX, sobre a imigração italiana e sobre os anos da ditadura Vargas, recomendo. 

Deixo também uns links de vídeos interessantes sobre esse período histórico. O primeiro deles é a introdução da minissérie que traz uma rápida história da vinda dos imigrantes italianos para o Brasil, com fotos originais na época. E, o segundo, é um resumo do livro em forma de vídeo.