06 março 2016

Filmes sobre Imperialismo

As montanhas da Lua (1990)

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Em 1850, dois oficiais britânicos, começam uma aventura para descobrir a fonte do Nilo. Conhecedores dos grandes perigos que os aguardam, decidem enfrentar tudo e se embrenham com sua expedição cada vez mais na selva inexplorada da África onde nenhum homem branco jamais havia estado. Baseado no livro de William Harrison que narra sobre a expedição em busca dessa nascente. Em homenagem à rainha, o grande lago na região da descoberta recebe o nome de Lago Victória nas divisas hoje entre o Quênia, Uganda e Tanzânia.

Zulu (1964)
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África, 1879, histórica verídica do colonialismo britânico, grupo de soldados tenta defender sua posição em Rorke's Drift contra aproximadamente 4 mil guerreiros zulus em 1879.
Trailer de Zulu

Kundum (1997)



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É baseado na vida do Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibete. Este país é ocupado há décadas pelo governo comunista da China, que proibiu Scorsese e Mathison de entrar no Tibete para gravação do filme.
Trailer de Kundum


O último imperador (1987)

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O filme conta a história de Aisin-Gioro Puyi, o último imperador da China Imperial. Com a vitória da revolução comunista de Mao Tsé Tung, em 1949, Puyi foi entregue para a China – havia sido capturado por tropas soviéticas, em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, pois havia sido considerado criminoso de guerra. Puyi ficara preso em um gulag soviético de 1945 até 1949. Através de flashes, o último imperador recorda a sua vida: foi proclamado imperador muito jovem e teve de viver isolado na Cidade Proibida – palácio imperial chinês localizado no meio de Pequim – com a restauração da república em 1911. Após, ele recorda como se tornou um imperador fantoche em Manchukuo (1932 – 1945), então, sob o domínio japonês, razão pela qual é julgado pelo tribunal de Crimes de Guerra de Tóquio, em 1946. Puyi vive, então, a partir de 1949, em um presídio para reeducação na China até 1959, ano no qual passa a ter uma vida comum em Pequim trabalhando como jardineiro no jardim botânico da cidade. Posteriormente atuou como bibliotecário da "Conferência Consultiva Política do Povo Chinês".

55 dias em Pequim (1963)
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Retrata a revolta dos Boxers, ocorrida após a Guerra do Ópio, na China e a consequente divisão do domínio da China pelas potências imperialistas. 

Na China de 1900, submetida à voragem das potências colonialistas, o bairro onde se localizam as embaixadas estrangeiras é atacado pelos boxers - guerrilheiros nacionalistas - que lutam contra os dominadores estrangeiros, com o apoio (oficioso) da imperatriz Tzu-Hsi. O ataque serve de pretexto para que o país seja invadido por um exército internacional composto por ingleses, estadunidenses, franceses, russos, alemães, japoneses e outras nacionalidades. Segue-se uma feroz repressão, com várias execuções públicas.

O último samurai (2003) 

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O Capitão Nathan Algren (Tom Cruise), veterano da Guerra Civil Americana, após o fim do conflito nos EUA foi convidado por seu ex-comandante para ajuda-lo no treinamento do recém-criado Exército Imperial Japonês – isso ocorre durante a Restauração Meiji – após a volta do Imperador ao poder central no Japão, o governo passou a contratar generais e engenheiros ocidentais para treinar e equipar o seu exército contra os Samurais. 

Durante o treinamento dos soldados do Exército Imperial, Algren percebe que não estão prontos para lutar e não podem vencer mesmo com armas de fogo. No entanto seu comandante, o Coronel Bagley, insiste em enviá-los para a batalha. 

Durante o combate, vendo o exército ser massacrado pelos samurais, o Coronel Bagley foge da frente de batalha, pois na verdade não tinha o dever de lutar mesmo. Ao contrário de seu comandante, Algren fica e luta bravamente até ser rendido pelo líder dos Samurais, que fica impressionado com a bravura de seu adversário, poupando-lhe assim a vida, mas levando-o como prisioneiro. 

Durante sua estadia com os Samurais, Algren acaba aos poucos se apaixonando pela cultura e valores dos guerreiros e enfim passa a apoiá-los contra as Forças Imperiais e a ocidentalização desenfreada do país.

O homem que queria ser rei (1975) 

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Narrado em flashback por um velho aparentemente perturbado durante uma entrevista para um jornal. O filme se passa no século XIX e conta a história de dois rudes ex-soldados britânicos (Daniel Dravot, vivido por Sean Connery; e  Peachy Carnehan, interpretado por Michael Caine), expulsos do exército, durante a campanha na Índia, então sob domínio da Grã-Bretanha. Procurando aventuras e riquezas, os dois acabam se tornando reis do povo da longínqua e inexplorada região do Cafiristão, onde nenhum homem branco havia posto os pés desde Alexandre, o Grande. 


Em uma batalha um dos soldados (Daniel, ) foi ferido por uma flecha no peito, porém ele não sangrou nem morreu (a flecha na verdade entrou numa bandoleira de couro que ele usava embaixo da roupa), dessa forma os habitantes locais consideraram os dois como seres divinos. Os dois usufruem a realeza que lhes foi concedida pela população, até serem desmascarados pela noiva escolhida para Daniel - a nativa Roxana, que o morde na noite de núpcias se negando a ser possuída e mostra a todos que ele pode sangrar, não sendo então uma divindade.

Entre dois amores (1985) 

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O filme é ligeiramente baseado no livro autobiográfico Den afrikanske Farm, escrito por Isak Dinesen (pseudônimo da autora dinamarquesa baronesa Karen Blixen-Finecke). É a história real da baronesa, uma mulher independente e forte que dirige uma plantação de café no Quênia, por volta de 1914. Para sua total surpresa, ela se descobre apaixonada pela África e pela sua gente. Casada por conveniência com o Barão Bror von Blixen-Finecke, apaixona-se pelo misterioso caçador Denys Finch Hatton.

O elo perdido (2005) 

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O filme relata a história de médicos escoceses que saem em expedição pela África Equatorial para capturar pigmeus. O médio Jamie Dodd e sua companheira de expedição Elena encontram e capturam o casal de pigmeus Toko e Likola. Quando volta à cidade, Jamie se desentende com seus companheiros de pesquisa, que estavam determinados a provar o elo perdido da espécie humana a todo custo, porém Jamie defende que o casal de pigmeus demonstra inteligência e sentimentos humanos. Vítima da segregação dos amigos, do escárnio da comunidade científica e da crueldade humana, Jamie vê seus amigos pigmeus serem expostos no zoológico local e submetidos, como ele próprio, a muitas humilhações. O casal de pigmeus era tratado como animais.

Sangue sobre a Índia (1959) 

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Se passa no século XIX, na Índia Britânica. O capitão Scott é enviado para resgatar um pequeno príncipe, de 5 anos, e sua governanta quando eclode a rebelião no local onde eles estavam.

Passagem para a Índia (1984)

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O filme se passa na década de 1920, durante o período do crescimento da influência do movimento independentista indiano no Raj britânico. Adela Quested e a sra. Moore viajam de navio da Inglaterra para a Índia, onde Ronny Heaslop, filho da sra Moore e noivo de Adela, é um magistrado local. As duas mulheres conhecem o dr. Aziz Ahmed, um viúvo empobrecido – a sensibilidade delas, bem como a atitude livre de preconceitos com os nativos da Índia, fazem com que ele se afeiçoe por elas. Quando a sra. Moore e Adela demonstram interesse em conhecer a "verdadeira" Índia, em vez do ambiente “inglês” que os expatriados britânicos criaram para si, Aziz se oferece para organizar uma excursão às remotas Cavernas de Marabar.

O passeio vai bem, até o grupo começa a explorar as cavernas, a sra. Moore tem um ataque de claustrofobia e devide retornar ao ar livre, porém encoraja Adela e Aziz a continuar a exploração do local. Azziz se perde de Adela, e pouco tempo depois a vê correndo, ensanguentada e despenteada. Ao retornar à cidade, Aziz é preso e fica aguardando seu julgamento por tentativa de estupro. O fato gera grande tensão entre os indianos e os colonos.

O caso se torna uma causa célebre entre os britânicos. Quando a sra. Moore afirma acreditar na inocência de Aziz, recusando-se a testemunhar contra ele, ela é enviada de volta para a Inglaterra. Adela também acaba mudando de ideia, e inocenta Aziz no tribunal. 

Gandhi (1982)

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O filme aborda a vida de Mohandas Gandhi, mais conhecido como Mahatma, a partir de um momento crucial de definição, em 1893 – quando ele é jogado para fora de um trem sul-africano por estar em um compartilhamento “só de brancos” – até sua morte, em 1948. Embora praticante Hindu, Gandhi abraçou outras religiões, particularmente o cristianismo e o islamismo, também retratadas. O filme retrata sua trajetória como líder da independência da Índia e sua postura pacifista, por meio da desobediência civil.

A sombra e a escuridão (1996) 

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Baseado na história real dos incidentes de Tsavo, em 1898. No final do século XIX acontece a disputa entre franceses, alemães e britânicos para tomarem posse do continente africano. Os britânicos estavam em vantagem, por terem chegado antes. Assim, o engenheiro britânico John Patterson (Val Kilmer), foi contratado para supervisionar a construção da ponte que passa acima do rio Tsavo. Nessa localidade, dois leões começam a atacar os operários. 

Os leões eram tão agressivos que alguns dos nativos deduziram que eles não eram animais e sim espíritos dos curandeiros mortos que vieram para aterrorizar o mundo, enquanto outros pensavam que eram demônios que queriam impedir o avanço do s ingleses. As feras foram chamadas de Sombra e Escuridão. Diante dos ataques e contando com a ajuda do caçador Remington (Michael Douglas), o engenheiro se lança numa missão desesperada para dar fim aos animais.


Anna e o rei (1999) 

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O filme é baseado no livro de mesmo título, escrito por Margaret Landon, lançado em 1944. A escritora teve como base os diários de Anna Leonowens, uma governanta britânica que viajou para o Sião na década de 19860. A história se concentra essencialmente no choque cultural entre os valores vitorianos do Império Britânico e as leis autocráticas do Sião durante o reinado de Mongkut. 

Anna foi contratada para ser a governanta e tutora dos 58 filhos do rei Mongkut. Aos poucos, ela se envolve nos casos do Rei, como o plano de uma concubina e uma guerra orquestrada pela Inglaterra.

05 março 2016

Imperialismo - resuminho


Na segunda metade do século XIX, países europeus como a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Itália, eram considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para outros continentes. A conquista por novas colônias (neocolonialismo) foi uma verdadeira “partilha do mundo” e foi o resultado do interesse das potências capitalistas europeias em investir seus capitais excedentes nas colônias, obter mercados fornecedores de matérias-primas e reservar mercados para seus produtos industrializados.


A industrialização acelerada de diversos países, ao longo do século XIX, alterou o equilíbrio e a dinâmica das relações internacionais. Com a Segunda Revolução Industrial emergiu o Imperialismo, cuja característica marcante foi a busca de novos mercados consumidores para as manufaturas e os capitais excedentes dos países industrializados.

Segundo as teorias desenvolvimentistas, pregadas pelas potências imperialistas, a guerra era concebida como uma necessidade de ampliar o mercado interno substituindo as importações. Assim, as potências imperialistas buscavam conquistar territórios na Ásia e na África, com o objetivo de adquirir matérias primas, aplicar capitais excedentes e procurar de novos mercados para os manufaturados. A expansão colonialista europeia do século XIX foi um dos fatores que levaram ao rompimento do equilíbrio europeu, dando origem à Primeira Guerra Mundial.


Não pretendo esgotar o assunto sobre a colonização da África ou da Ásia nessa publicação, pois a intenção é deixar um pequeno resumo que auxilie os estudos. Muitos horrores e atrocidades ocorreram em nome das conquistas imperialistas em todos os territórios africanos e asiáticos, mas aqui, deixo apenas os episódios histórico postado acima. 

10 fevereiro 2016

Carnaval, um pouco de sua história

O carnaval é uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Não ocorre apenas no Brasil, nem tampouco foi inventado aqui - mesmo que alguns digam que o Brasil é o país do Carnaval.

Máscara de carnaval tradicional e enfeites de papel laminado.

O carnaval tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam umas nas outras, água, ovos e farinha. 

Em alguns lugares do Brasil, as pessoas ainda brincam jogando água, confete e serpentinas de papel umas nas outras.
http://claudiabartelle.com.br/mood-board-carnaval/

O entrudo é o período de três dias, que antecede os quarenta dias da quaresma, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval. Entretanto, o que poucos sabem é que o entrudo remonta a uma festa pagã, que foi apropriada (como tantas outras) pelo cristianismo, quando essa religião se tornou a oficial do Império Romano.

Máscaras de entrudo. Carnaval 2016 em Arouca, Portugal.
http://cultura.cm-arouca.pt/?p=867

A palavra carnaval vem do latim carnis levale, que significa literalmente retirar a carne, termo relacionado ao jejum líquido que seria realizado durante a quaresma. Aqui vem uma pequena confusão pelo desconhecimento da História. Muitos dizem que as pessoas ficavam sem comer carne durante a quaresma. Os camponeses e pessoas pobres já não comiam carne durante outras épocas do ano, com raras exceções e excluindo os embutidos que eram preparados para os longos invernos. Então, ficar sem carne durante a quaresma teria qual significado? 

Os nobres, senhores de feudos, ricos burgueses (após o século XII), deveriam se abster de comer carne durante a quaresma. E todos, todos mesmo, deveriam realizar um controle pelos prazeres mundanos:> caças, jogos, festas, bebidas e sexo.

Banquete típico da Idade Média, muita carne de caça.
http://confrariadobaraodegourmandise.blogspot.com.br/2010_11_01_archive.html

Os monges passavam a quaresma em jejum líquido, comiam caldos de legumes e cerveja (calma, já vou explicar) - A cerveja era muito mais nutritiva e valia muito mais como um alimento que nos dias de hoje. Lembremos que os mesopotâmicos e egípcios já conheciam a cerveja e ela era consumida por todos até crianças, exatamente porque era algo mais parecido com uma vitamina. Seu teor alcoólico era muito pequeno e sua consistência bem mais encorpada (grossa mesmo). 

No século XII, os monges cistercienses preocupados que esse "pão líquido" (a cerveja era isso mesmo) fosse espesso demais, que seria alimento demais, poderia ser um abuso, uma violação da quaresma por ser mais grossa que o caldo de legumes. Então, resolveram testar um modo da cerveja continuar com suas qualidades nutritivas, porém mais líquida. Acabaram inventando a cerveja do jeito que a conhecemos hoje, bem mais leve, muito mais líquida. Mas o que os monges não tinham como prever, o líquido ficou também mais alcoólico, sendo uma bebida nada recomendada para crianças, gestantes, idosos e por todos que vão conduzir máquinas. Atualmente, os monges não bebem cerveja, a menos que seja sem álcool.

Cervejas artesanais atuais não são nada parecidas com as cervejas da Antiguidade, que eram bem mais grossas, mais nutritivas e com menor teor alcoólico.
http://www.idifusora.com.br/wp-content/uploads/2015/11/images1.jpg

Voltando para o assunto do carnaval, na Babilônia havia uma festa na qual um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestia-se com o manto real, alimentava-se como o rei e dormia com as concubinas reais. Ao final desse período, ele era açoitado e enforcado ou empalado. Outra festa que antecedia o equinócio de primavera (ano novo babilônico) era realizada em honra do primeiro deus babilônico, Marduk. O rei perdia seus emblemas e era surrado em frente à estátua do deus, como forma de submissão. depois da surra, o rei voltava ao trono. O que existe desses festas no carnaval atual? Talvez a figura do Rei Momo? Talvez a inversão de valores e a subversão dos papeis sociais: a nudez deixa de ser ofensiva, homens se vestem de mulher, pessoas se fantasiam de personagens, etc.

Marduk, principal deus babilônico, aquele que tudo ouvia e tudo via.
http://portal-dos-mitos.blogspot.com.br/2013/03/marduk.html

As festas dionisíacas dos gregos foram incorporados pelos romanos. O festival, que nos primórdios, eram encenações de peças teatrais e pessoas vestidas com máscaras pelas ruas tornaram-se verdadeiras orgias, marcadas pela embriaguez e pelo sexo descontrolado. Além disso, em Roma também ocorriam as Saturnálias e as Lupercálias, festas de purificação que duravam dias e eram regadas à bebidas, comidas e danças, com os papeis sociais invertidos, escravos tornavam-se senhores e os senhores faziam o papel dos escravos.

O jovem Baco e seus seguidores. Tela de William-Adolphe Bouguereau, de 1884. Representação de uma festa dionisíaca.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_The_Youth_of_Bacchus_(1884).jpg

As bacanais (festas do deus do vinho Baco, Dionísio para os gregos) e as demais festas, eram muito criticadas pelos cristãos, pois a inversão dos papeis poderia sugerir que Deus e o Diabo também poderiam ser trocados de lugar. Dessa forma, quando essa religião assumiu como oficial, as festas pagãs foram substituídas pelo carnaval - sendo enquadradas em uma versão mais "comportada" que eram os festejos realizados três dias antes da quaresma.

O Carnaval contra a Quaresma. Tela de Brueghel, o jovem. Século XVII. Festejo medieval de Carnaval.
http://globedia.com/cual-origen-carnaval_1

Nos carnavais medievais, os rapazes vestiam-se de moças e saiam pelas noites bebendo e invadindo casas, retirando-se apenas após conseguir beijos das moças da casa. No Renascimento, as cidades recebiam peças de teatro improvisadas nas ruas. A chamada Commedia dell'arte, na qual todos podiam ser atores, que desfilavam pelas ruas improvisando cenas e cantando canções.

Carnaval em Veneza, segue a tradição renascentista.
http://www.crisvallias.com.br/wp-content/uploads/2012/02/veneza-2.jpg

No Brasil, o entrudo veio com os colonizadores portugueses, que era a festa de jogar água, farinha e ovos nas pessoas que estivessem festejando. No século XIX, começaram a surgir os "corsos", blocos de pessoas que se fantasiam de forma parecida, decoravam carroças e desfilavam pelas ruas das cidades. essa festa era considerada vulgar e do populacho, assim a alta sociedade realizava festas nos salões. Isso deu origem a duas tradições brasileiras: os corsos iniciaram os desfiles de rua, com carros alegóricos e grupos de roupas iguais. Enquanto os salões da alta sociedade deram origem aos bailes de carnaval, que ocorrem em clubes particulares. 

Corso. Carnaval de Antigamente em São João del Rei - MG. 2013
http://saojoaodelreitransparente.com.br/events/view/2795

A festa de rua, mais popular, foi a que mais se desenvolveu no Brasil. No século XX surgiram as marchinhas de carnaval e as escolas de samba. Eram mal vistas pela sociedade, e muitos grupos saíam festejando pelas ruas correndo o risco de serem presos pela polícia. Entretanto, na década de 1930, com o governo de Getúlio Vargas, o carnaval passou a ser mais aceito e organizado, com as agremiações e escolas de samba registradas e os desfiles anuais ocorrendo em ruas específicas das cidades, previamente autorizadas pelas prefeituras.

Encontro de bonecos, no Carnaval de rua de Olinda - PE. 2013.
http://carnaval.uol.com.br/2013/album/2013/02/12/encontro-de-bonecos-gigantes-de-olinda.htm

Em tempo - muitas pessoas tem preconceito com o carnaval do nordeste, por durar a semana toda. 
Mas devemos lembrar que turismo também é fonte de renda para as cidades. O Rio de Janeiro arrecada muito com o turismo na época de verão e de carnaval. As escolas do Rio, mantém a comunidade unida, as crianças na escola (regular não de samba) e toda a comunidade trabalha o ano todo para ser a vencedora do carnaval e com isso, receber uma verba que é usada em prol das próprias pessoas que trabalham (muito) pela escola de samba e pela comunidade. 

Desfile da Estação Primeira de Mangueira. Rio de Janeiro - RJ. 2001, na Marquês de Sapucaí.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/interacao/wppcarna.shtml

No nordeste, o turismo atrai as pessoas, do mundo todo, para as praias e para os festejos de carnaval. Isso gera empregos e investimentos para as cidades. Quem está vendendo refrigerante e água, enquanto você pula atrás do trio elétrico? Quem está limpando seu quarto de hotel, enquanto você está curtindo a praia? Lembre disso antes de julgar pessoas que trabalham enquanto você curte seu carnaval.

Carnaval de rua. Trio Elétrico em Salvador - BA. 2013
http://www.temporadalivre.com/blog/ja-escolheu-fantasia-o-carnaval-2015-esta-ai/13fev2013-trio-eletrico-de-ivete-sangalo-e-acompanhado-por-multidao-no-encerramento-do-carnaval-de-salvador-1360766724142_956x500/

Bom festejo carnavalesco para quem gosta!