24 fevereiro 2020

Historiografia

De uma forma bastante didática, podemos dizer que a palavra "historiografia" significa literalmente, a escrita da História. A palavra "História" vem do grego e significa pesquisa. Já “grafia”, que também vem do grego, significa escrita. Sendo assim, o próprio nome já contém o sentido mais claro da expressão, isto é, “escrita de uma pesquisa” ou “pesquisa que precisa de uma forma escrita, ou melhor, de uma narrativa”. De forma sucinta: a escrita da História.



A historiografia, ou a escrita da história, permeia toda a história das civilizações desde suas primeiras manifestações. Todas as civilizações que tiveram alguma forma de registro escrito, mesmo pictográfico, desenvolveram a sua "escrita da História". Nesse processo de escrita da história da Antiguidade, por diversas vezes a história esteve entrelaçada com relatos orais, tradições, religiosidade e com os mitos ou com a narrativa mitológica.



Os gregos foram os primeiros a sistematizar a escrita da História independente de lendas e dos mitos. Heródoto foi o primeiro a organizar essa forma de escrita da História, por isso ele é considerado o "pai da História".

os gregos também foram os primeiros a terem  a consciência de produzir sua pesquisa com a finalidade de "não deixar os fatos e feitos" de sua época se perderem. Os romanos, herdeiros de várias tradições gregas, também desenvolveram sua própria historiografia, com nomes que são importantes fontes históricas hoje, como Cícero, Políbio e Tácito.

Os primeiros cristãos também desenvolveram importantes obras de historiografia, como São Jerônimo, Santo Agostinho e Eusébio de Cesareia. Muitos historiadores muçulmanos e cristãos registraram os episódios do período medieval em obras historiográficas. Os relatos de jesuítas são importantes fontes historiográficas sobre o processo de colonização do continente americano. 

Entretanto, somente no século XIX que a História passou a ser vista como uma área científica propriamente dita, passando a contar com metodologias científicas próprias, desenvolvidas para as especificidades dessa área do conhecimento. Essa primeira corrente científica da História, também chamada de corrente historiográfica foi chamada de Positivismo.

Atualmente, as correntes historiográficas são divididas conforme a orientação metodológica, ideológica ou mesmo nacional dos historiadores. Há a historiografia dita tradicional ou positivista; existe uma historiografia conservadora; existe a corrente desenvolvida por Marx e Engels, chamada de Materialismo Histórico; há correntes marxistas, que se desviaram metodologicamente dos princípios fundamentados por Marx, como é o caso dos historiadores da Escola de Frankfurt; existe a corrente da Nova História, também chamada de Escola dos Annales; assim como há a historiografia francesa, inglesa, brasileira, etc.

Tem um vídeo bem bacaninha sobre as Corrente Historiográficas, no link abaixo:
Correntes historiográficas

Para saber mais sobre o Positivismo, acesse os links abaixo:
Positivismo

Para saber mais sobre o Materialismo Histórico, acesse os links abaixo:
Materialismo Histórico

Se quiser saber mais sobre a Escola de Frankfurt, deixo para você os links abaixo:
Escola de Frankfurt

Para saber mais sobre a Nova História ou sobre a Escola dos Annales, os links estão abaixo:
Escola dos Annales ou Nova História

E, por fim, os links para saber mais sobre a historiografia brasileira, deixo os links abaixo:

19 fevereiro 2020

Tia Ciata, a mãe do samba

Hilária Batista de Almeida, chamada carinhosamente de Tia Ciata, nasceu no recôncavo baiano, na cidade de (Santo Amaro da Purificação, 1854 — Rio de Janeiro, 1924). 
Ela cedeu sua casa e sua vida para fortalecer e preservar as raízes africanas, sendo um exemplo de resistência, que manteve o samba vivo.
Tia Ciata morava na Praça Onze, no centro do Rio de Janeiro, local habitado por judeus, negros e imigrantes. Sua casa, chamada de "Pequena África", foi o ponto de encontro de capoeiras, candomblecistas, compositores, cantores e músicos. Os encontros eram repletos de conversas sobre solidariedade, preservação da cultura, política e religião, ao  sabor da culinária saborosa de Ciata e ao som das rodas de samba.  
Praça Onze, o carnaval brasileiro começou nesse local, onde os blocos carnavalescos se encontravam, lugar de lançamento das marchinhas de carnaval.

Foi em seu quintal que o compositor Donga compôs o primeiro samba gravado no Brasil, a música "Pelo Telefone" foi registrada em 27 de novembro de 1916, na Biblioteca Nacional.
A música foi censurada e precisou ter a letra alterada para poder ser gravada. 
Na versão original dizia: "O chefe da polícia, pelo telefone, manda avisar, que na carioca tinha uma roleta para se jogar". Essa é uma crítica bem-humorada, uma vez que a polícia combate o crime, o chefe da polícia não avisaria sobre um jogo de azar, que era proibido. 
Mas ao ser censurada, a música foi gravada da seguinte forma: "O chefe da folia, pelo telefone, manda avisar, que com alegria, não se questione, para se brincar", fazendo alusão às brincadeiras de carnaval, a folia. 

Se quiser ouvir a música, na versão censurada, na voz de Donga, clique no link ao lado: Pelo Telefone, versão censurada, com a voz de Donga
Já a versão original da letra, foi gravada por Martinho da Vila, se quiser ouvir, clique no link ao ladoPelo Telefone, com Martinho da Vila

Tia Ciata começou sua vida como cozinheira e tornou-se mãe de santo (sacerdotisa do Candomblé). Ela chegou ao Rio aos 22 anos de idade, onde vivia de vender comidas baianas pelas ruas da cidade.

Por ser mãe de santo, era sempre procurada para conselhos, benzimentos e curas. Chegou a curar a perna do presidente da República, Wenceslau Brás. Dessa forma, ela tornou-se um símbolo da resistência negra pós abolição. Ajudando a preservar o candomblé, quando a religião era proibida; auxiliando a manter a prática da capoeira, que também era proibida, fundando as bases do samba, que na época era visto como "coisa de vagabundo".
Atualmente, ela também é vista como um símbolo de luta feminina, símbolo do feminismo negro. No final de agosto de 2017, o coletivo Mulheres de Pedra lançou um documentário curta-metragem sobre seu protagonismo na cultura do País. 

Assista ao trailer, no link ao lado: Trailer do filme Tia Ciata

O marido de Tia Ciata, João Batista da Silva, morreu em 1910, época em que Tia Ciata já era considerada uma autoridade e uma estrela no meio do samba carioca, ela era respeitada e tinha popularidade, seu nome era mais famosos que qualquer personalidade negra da época. Todo o ano, durante o Carnaval, armava uma barraca na Praça Onze, onde eram lançadas as marchinhas, que ficariam famosas no Carnaval da cidade. Tia Ciata morreu em 1924, em data incerta, na cidade do Rio de Janeiro.


MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro. FUNARTE, 1983
OLIVEIRA, Eduardo (org). Quem é quem na negritude brasileira. São Paulo, Congresso nacional, 1998.
SILVA, Lucia. Luzes e Sombras na cidade: no rastro do castelo e da Praça Onze. SP, PUC, 2002

Apostila do 9º ano - Gabarito dos exercícios das páginas 286 e 287


Esses exercícios estão presentes na apostila do 1º bimestre do 9º ano, da Editora FTD. Serve para o estudo de meus alunos.

1. Leia com atenção o texto a seguir, que aborda a Constituição de 1891. Depois, responda às questões. 

a) De acordo com o texto, quais setores da população ficaram sem o direito de participação política? 
Os setores impedidos de participar da política referiam-se aos pobres, aos mendigos, às mulheres, aos menores de idade, aos praças (soldados rasos) e aos membros de ordens religiosas.
b) Quais mudanças propostas pela Constituição o autor do texto considera “inspiração democratizante”? 
A eliminação do Poder Moderador, do Senado vitalício e do Conselho de Estado e a introdução do federalismo.
c) Qual é o posicionamento do autor do texto em relação à Constituição de 1891? Para ele, quais setores da sociedade foram favorecidos pelas medidas adotadas? 
O autor do texto afirma que, mesmo com algumas medidas de caráter democratizante, a Constituição não conseguiu favorecer o povo, já que não instituiu um significativo aumento da cidadania. Para ele, os setores dominantes rurais e urbanos foram os beneficiados pelas leis aprovadas.

2. Explique como funcionava a política dos governadores no início da República. 

Era um sistema em que o presidente apoiava os governadores, que forneciam apoio aos coronéis. Estes, por sua vez, manipulavam a população para votarem em seus candidatos, mantendo-os no poder.

3. O que explicava a expressão “voto de cabresto”? Explique. 
Voto de cabresto é uma expressão para se referir a uma prática comum no início da República, em que os coronéis manipulavam e coagiam a população a votar nos candidatos apoiados por eles, com o objetivo de obterem apoio político.
4. Leia a manchete a seguir e responda às questões 

a) Qual é o tema abordado na manchete?
O tema abordado traz uma denúncia de prática de voto de cabresto na atualidade, no Rio de Janeiro