23 dezembro 2009

Natal

Em noite bastante fria,
Na pequenina Belém,
Nasceu Jesus, de Maria,
Filho de José também.

Nasceu mui modestamente,
Sem luxo, ou pompas reais,
Sem cobertas, pobremente,
Em catre de animais.

Agasalhado entre palhas,
Envolto apenas em trapos,
Sem proteção e sem malha
E, como lençol, farrapos.

Seus primeiros visitantes
Não foram queridos entes,
Mas, pastores circunstantes,
Com cajados, sem presentes.

Poderia ter nascido
Em Roma, rico e potente,
Em berço de ouro luzido,
Em castelo imponente.

Não era ele afinal,
O Messias prometido,
Deste mundo o fanal,
O filho de Deus querido?

Por que não veio cercado
De vassalos e criados,
Muitos presentes, mimado,
Ao seu lado os potentados?

Por que trocou a realeza,
Com todo fausto e doçuras
Pela mais dura pobreza,
Incômoda e de agruras?

Quis Jesus menino assim,
Dar um exemplo à humanidade:
O Reino Eterno, que é o fim,
Se conquista com humildade.

Veio à Terra nos trazer
A fé e a esperança,
Renegar e combater
O orgulho e a vingança.

Vaio os homens redimir,
Salvá-los da perdição,
Ao bem os conduzir,
Tirá-los da escuridão.

Jesus, que só deste amor,
Mostrando a luz dos caminhos,
Da morada do Senhor,
Protegei-nos dos espinhos!

Alegremo-nos com os anjos,
Por este acontecimento;
Cantemos com os arcanjos
Teu bendito nascimento!

(José de Lavor Campos)

12 dezembro 2009

Ganhei esse selinho super meigo da minha amiga-irmã de sal e mar, Nereida, do blog "Onde o tempo não pára"
http://nereida-umlugarondeotempono.blogspot.com/

As regras para ter e difundir o selinho:
1- Copiar o selinho no seu blog
2- Deixar um comentário no Blog do amigo que te indicou
3- Linkar o amigo que te indicou
4- Indicar 10 blogs que você acha que compartilha tudo com todos
5- Deixar uma mensagem explicando o que é compartilhar:

" Tenha sempre ao seu lado pessoas em quem possa confiar.
A vida fica melhor se tiver bons amigos para compartilhar e celebrar suas realizações, dores e alegrias.
"

Para esse selinho , indico os blogs:
http://luciazani.blogspot.com/
http://johnnydeppmadness.blogspot.com/
http://extramundus.blogspot.com/
http://ttathy.blogspot.com/
http://novomundodasideias.blogspot.com/
http://meucantinhovirtuall.blogspot.com/
http://inutilidadepublika.blogspot.com/
http://www.vendenafarmacia.com/
http://avitrinedesonhos.blogspot.com/
http://apayess.blogspot.com/

08 dezembro 2009

Presente da Lucia Zani


Ganhei esse selinho da minha amiga artista plástica, a Lucia Zani, do blog http://luciazani.blogspot.com/
Muito obrigada pelo mimo, queridíssima!

03 dezembro 2009

Sociedade Medieval



A Sociedade Medieval é uma sociedade rural, ou seja, que vive principalmente no campo.
A vida nas cidades praticamente deixou de existir, devido aos perigos causados pelas invasões.
Essa sociedade é rigidamente dividida em três partes, portanto, podemos chamá-la de sociedade tripartida (dividida em três partes).
Nessa divisão, cada grupo tem uma função social bem definida, como veremos a seguir:

O Rei 

É um nobre como outro qualquer. 
Seu poder é apenas figurativo e sua função social é atuar como uma espécie de árbitro entre seu povo e, principalmente, entre os nobres.
Ele é o grande suserano, pois é ele quem divide as terras conquistadas.
O Rei possui a fidelidade de seus nobres e seu governo, apesar de hereditário, deve ser aceito pelos demais nobres.
Os reis e o alto clero disputam a obediência dos demais membros da sociedade medieval, uma vez que os nobres juram fidelidade ao rei, mas também são fiéis a Deus.

Os Nobres - Senhores

Os Nobres são, de fato, os poderosos da Idade Média.
  • •Eles possuem terras;
  • •Tem poder militar;
  • •Possuem DIREITOS SENHORIAIS sobre a terra e sobre os camponeses;
  • •Cobram impostos e aplicam a justiça.
Os nobres estão ligados entre si (mesmo com o Rei, através de RELAÇÕES de VASSALAGEM).



Hierarquia da nobreza, esquema simplificado.

Os que lutam - bellatores

Iluminura medieval
mostrando uma batalha entre nobres para a retirada de um rei do trono
(note o rei enforcado no alto da imagem).

Os nobres também chamados cavaleiros, tornaram-se o elemento armado da sociedade. Formaram um grupo privilegiado, quase todos os nobres viviam no seu castelo ou no castelo de um senhor mais poderoso. Lugar de protecção, o castelo era também símbolo de poder.

Nesta época, os reis tinham o seu poder muito enfraquecido, sendo incapazes de assegurar a protecção das populações, ao mesmo tempo crescia o poder dos grandes senhores nobres:
Passam a ter seu próprio exército e aplicam a justiça.
Cobram impostos nos seus territórios.Os camponeses ficam à mercê dos senhores

Clero - Religiosos

Os membros do clero fazem parte da nobreza. Porém, possuem mais poder que os demais nobres pois sua função social é rezar pela salvação das almas e cuidar da vida espiritual da sociedade.
Individualmente, não possuem terras ou bens, sendo que essas são propriedade da Igreja Católica (única igreja cristã da Europa Medieval).
A Igreja, representada por seus membros, possui DIREITOS SENHORIAIS, podendo cobrar impostos e aplicar a justiça.


Hierarquia da Igreja Católica, esquema bastante simplificado.


Os que rezam - oratores

Iluminura medieval, mostra a coroação de um rei realizada pelo Papa, auxiliado por outros membros do Alto Clero.

A vida dos homens era profundamente religiosa, o clero possuía grande influência e riqueza. Eram praticamente as única pessoas instruídas e quase todas as escolas se localizavam nos mosteiros e igrejas.
Mas dentro do clero existiam grandes diferenças: o baixo clero (monges e padres), eram respeitados mas viviam pobremente.
O alto clero (Bispos, Arcebispos e Cardeais), tinham um tipo de vida idêntica à nobreza, possuíam extensas propriedades, cultivadas por camponeses.

A Igreja controlava a vida das pessoas, através do medo.
As pessoas tinham medo do Apocalipse, do fim do mundo e da perdição da alma no inferno.

Além disso, tinham medo de serem condenadas pelos Tribunais da Inquisição e assim, serem torturadas e mortas e ainda terem que penar no inferno pela Eternidade.
Por isso, obedeciam aos religiosos.

A Igreja Católica se tornou uma das mais importantes instituições de toda a Idade Média, em especial após o Ano Mil, pois as pessoas com medo do Apocalipse, doaram muitas coisas para a Igreja em troca das orações pela remissão dos pecados. Muitas dessas doações eram na forma de terras, o que tornou a Igreja, aos poucos, a maior Senhora Feudal da Europa.
Para assegurar sua hegemonia, a Igreja Católica passou a condenar algumas das práticas ou crenças que remetessem aos costumes pagãos originados tanto entre os antigos romanos quanto entre os germânicos - como por exemplo sacrifícios de animais e adivinhações na forma de oráculos e augúrios.
Entretanto, o cristianismo medieval englobou em sua crença os demônios, seres sobrenaturais que poderiam tanto ser bons quanto maus, separando-os em anjos e diabos, seres de origem divina ou de origem diabólica. Ou seja, há uma apropriação de elementos pagãos na formação cristã. Esses demônios, anjos ou outras criaturas vinham de diversas tradições, como as persas, germânicas, hebraicas, mesopotâmicas , gregas ou romanas. Dessa forma, o cristianismo católico era a religião oficial, mas conviveu com práticas pagãs, que se tornaram crenças não oficiais.
A Igreja Cristã criou o conceito de heresias, que eram todas as ideias ou atos que contrariavam os dogmas do cristianismo, e passou a perseguir e punir os hereges, ou seja, aqueles que praticavam heresias.



Cavaleiros do Apocalipse, na ordem, da direita para a esquerda: Fome, Guerra, Peste e Morte.

Camponeses - Servos

Os camponeses são livres, porém estão presos à terra de onde retiram sua sobrevivência e pagam pelo uso da terra.

Os que trabalham - laboratores


Iluminura medieval, Livro das Horas, mostrando o trabalho no campo, realizado pelos servos.

Cerca de 90% da população medieval era constituída por camponeses, a maioria deles viviam nos domínios senhoriais. Os domínios senhoriais eram extensas propriedades agrícolas e estavam divididas em duas partes:

  • Reserva - parte do domínio explorada directamente pelo senhor. 
  • Os Mansos - pequenas extensões de terra, cada uma delas explorada por uma família de camponeses.
Obrigações dos camponeses:
Em troca do manso, que lhes era atribuído para assegurar o seu sustento, os camponeses estavam sujeitos a uma série de obrigações, fossem colonos ou servos.
Os servos tinham uma série de “obrigações” para o Senhor Feudal:

  • Fornecer a maior parte de sua produção para o senhor, como uma troca pelo uso da terra do feudo – talha; 
  • Trabalhar um número de dias por semana nas terras do manso senhorial (terras do Senhor Feudal) – corvéia;Pagar, em forma de produtos, pelo uso de moinhos, celeiros, adegas, etc – banalidades; 
  • Pagar a mão-morta, que era o pagamento pelo uso da terra dos filhos de um servo morto; 
  • Além do dízimo pago para a Igreja Católica – tostão de Pedro.

Além disso, os servos deviam obediência ao Senhor Feudal, que poderia castigá-los, aplicar justiça e cobrar outros impostos.


30 novembro 2009

O blog Histórias está competando 4.000 visitas!


Agradeço aos meus alunos que me deram inspiração e motivo para esse blog. Não fosse pelo intusiasmo, interesse e carinho deles, não sei se teria mantido o blog.
Agradeço o carinho dos amigos e colegas que me incentivaram e me deram sugestões e opiniões.
Agradeço ainda a todos que conheci através desse "universo" blogueiro.

Grandes beijos a todos.

25 novembro 2009

Revisão - 1ª Guerra

As principais causas da Primeira Guerra Mundial foram:
  • Imperialismo - pois o imperialismo gerou disputas pelos territórios colonizados pelas potências industrializadas da Europa (e mesmo EUA), provocando rivalidades e o consequente armamento dessas potências.
  • Nacionalismo - o nacionalismo das grandes potências gerou um sistema de alianças entre nações "irmãs" (pan-eslavismo e pangermanismo), cujo objetivo era proteger-se da expansão de outras potências (tidas como rivais). também as nações colonizadas desenvolveram um sentimento de nacionalismo, que se manifestou em ações violentas contra as potencias colonizadoras.
  • Política de alianças - diante dos interesses em jogo e do premente choque que esses interesses causariam, iniciou-se entre os países uma política de alianças (principalmente entre nações "irmãs" - de mesma língua ou mesma origem étnica). As alianças visavam à defesa dos interesses comuns e a defesa mútua. Esse sistema de alianças gerou dois blocos: a Tríplice Aliança - Alemanha, Império Austro-Hungaro e Itália (países do pangermanismo e a Itália que também era um país recém unificado) e a Tríplice Entente - Inglaterra, França e Rússia (unindo ao lado da Rússia os países pan-eslavos e ao lado da Inglaterra e França, os países anglo-saxões como EUA e os da Europa Ocidental)

à Guisa de Revisão - Brasil Colonial

Esse tópico é apenas para dar umas pinceladas a respeito do assunto sobre o Brasil Colônia e Ciclo do ouro
O Brasil Colônia explorou a mão-de-obra escrava de duas maneiras: indígenas escravizados e africanos comercializados como escravos. A respeito dos indígenas podemos ressaltar que contato dos europeus com os povos da América propiciou uma abertura para a cultura ocidental, que sofreu reformulações. Houve confrontos radicais e uso de violência. Com relação ao Brasil, a ocupação se deu com violência e falta de civilidade, apesar de haver exceções no trabalho de catequese, realizada pelas Missões Jesuítas (veja o tópico sobre Missões Jesuítas).
Já com os africanos, não havia nem a possibilidade de refugio em Missões Jesuítas, uma vez que eles eram trazidos da África, comercializados em mercados ao longo da costa africana e mesmo nos mercados do Mediterrâneo. Eram considerados pagãos ou infiéis pela Igreja Católica, portanto, sem chance de deixar o cativeiro a não ser pela fuga para algum quilombo.
Sobre a economia colonial
Devemos lembrar que o primeiro ciclo economico do Brasil foi a extração de pau-brasil, que não deixou de ocorrer com a implantação do ciclo do açúcar.
O segundo ciclo econômico, o ciclo do açúcar, favoreceu a colonização do Brasil e o surgimento das primeiras vilas e cidades. Favoreceu também a instalação dos holandeses durante a União Ibérica, que trouxe avanços para a Colônia. O enfraquecimento da economia açucareira ocasionou a existencia de expedições ao interior do continente, através de Entradas, Bandeiras e Sertanistas. Isso contribuiu para a descoberta de ouro na região das Minas Gerais, dando início ao próximo ciclo, o do ouro.
Uma coisa a ser ressaltada: Com o surgimento de um novo ciclo os demais continuam existindo. A extração de pau-brasil somente deixou de acontecer pois essa árvore entrou em extinção (infelizmente, apesar dos esforços de reflorestamento dessa espécie) e o ciclo do açúcar, embora hoje em dia não possa ser chamado assim, continuou existindo. Ainda hoje se produz açúcar no Brasil.
A economia colonial brasileira sofreu instabilidades, com momentos de prejuízos econômicos significativos. Porém, no século XVIII, com a exploração do ouro das Minas Gerais, Portugal conseguiu recuperar parte dos seus prejuízos, sem, no entanto, se tornar uma grande potência.
A mineração contribuiu para interligar as várias regiões do Brasil e foi fator de diferenciação da sociedade.
Ciclo do ouro
"O ouro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra". (Eduardo Galeano)
Os acordos comerciais entre Portugal e Inglaterra (como o Tratado de Methuen), fizeram com que a grande parte do ouro extraído durante o ciclo do ouro, no Brasil, fosse desviada para a Inglaterra, contribuindo para os investimentos que desenvolveram a atividade fabril e, posteriormente, a Revolução Industrial.
O Tratado de Methuen consistia na abertura dos portos ingleses para os produtos portugueses, principalmente vinhos, em troca os portos portugueses importavam produtos manufaturados da Inglaterra, em especial tecidos. Esse Tratado não foi um "bom negócio" para Portugal, pois os tecidos e outros produtos manufaturados tinham uma demanda muito maior que os vinhos, ou seja, Portugal consumia muito mais tecidos que a Inglaterra consumia vinhos. Assim, Portugal ficava em desvantagem, importando muito mais que exportando e ficando em situação de dívida para com a Inglaterra. Essa dívida era paga com o ouro do Brasil. Assim esse Tratado trouxe uma desastrosa consequência para Portugal, o não desenvolvimento de suas próprias atividades manufatureiras e seu endividamento com a Inglaterra. Em contrapartida, trouxe benefícios para a Inglaterra, pois lucrava muito com suas vendas, financiava o desenvolvimento de suas fábricas e aina arrecadava o ouro brasileiro sem precisar investir na mineração da Colônia.
Revoltas Nativistas
Chamamos de Revoltas Nativistas as revoltas que não tiveram nenhum caráter separatista, ou seja, de independência. Na realidade, tratava-se de choques ou conflitos entre colonos e a Coroa Portuguesa, em virtude das medidas portuguesas que prejudicavam os interesses dos colonos brasileiros, tais como o excessivo valor dos impostos e os privilégios de comércio decretados pelo rei, além das atitudes metropolitanas que atingiam diretamente os negócios na Colônia. O nome "nativista" está relacionado ao fato de que tais movimentos defendiam os interesses de colonos brasileiros, ou seja, dos nativos.
As Revoltas Nativistas foram:
  • Revolta de Beckman: Foi um combate ao monopólio e aos altos preços praticados pela Companhia de Comércio do Maranhão, e também aos jesuítas, que queriam impedir os grandes proprietários de escravizar os indígenas, tem esse nome devido aos líderes, os irmãos Beckman.
  • Guerra dos Emboabas: Luta entre paulistas e "forasteiros" (os emboabas) pelo domínio da região das Minas Gerais, reivindicada por aqueles. Levou à separação da região das minas da Capitania de São Paulo e à criação da Capitania de Minas Gerais.
  • Guerra dos Mascates: Luta dos comerciantes para elevar Recife à categoria de vila, em oposição aos produtores de açúcar de Olinda.
  • Revolta de Filipe dos Santos: Movimento em oposição às casas de fundição, que haviam aumentado a exploração da Coroa sobre os mineiros.
Mudanças culturais advindas com o ciclo do ouro
Com o Ciclo do ouro o Brasil mudou culturalmente. Essa mudança foi influenciada por uma nova sociedade mineradora que podia enviar seus filhos para estudar na Europa, de onde eles voltavam com uma grande bagagem cultural. Assim, surge no país uma cultura rica, influenciada pelo Barroco europeu, porém com características próprias. A arte do Barroco (no mundo) surgiu, no contexto de reorganização da Igreja Católica, como uma estratégia do Contra-Reforma. Dessa forma, pode-se dizer que o Barroco surgiu como uma necessidade de expandir a fé cristã, na Europa e no Novo Mundo (Américas). A riqueza advinda da mineração possibilitou o florescimento do Barroco em Minas e na Bahia, cujos mestres e artistas, vários deles mestiços, introduziram elementos originais da cultura local (negra e indígena).
No Barroco Brasileiro podemos destacar:
  • Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho de Vila Rica, foi um dos mais destacados escultores e decoradores do período, tendo produzido uma das obras mais importantes do barroco brasileiro no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG).
  • Mestre Ataíde, que viveu na Bahia, e é um dos mais destacados pintores do barroco baiano.
  • Cláudio Manoel da Costa, Inácio de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, que tiveram importância na poesia do Brasil colonial.
  • Diversos exemplos de Igrejas Barrocas na Bahia (principalmente Salvador), na região das Minas, Ouro Preto (Vila Rica), Mariana, Diamantina e Congonhas e no Rio de Janeiro.

Dinheiros (moedas) do Brasil

História do Dinheiro no Brasil

Durante o período colonial, as atividades comerciais eram baseadas principalmente no sistema de troca, ou escambo.
Moeda do Brasil, cunhada em 1695 - reinado de D. Pedro II de Portugal - onde aparece representada a esfera armilar assente sobre a cruz da Ordem de Cristo
Com o início da ocupação das terras brasileiras, a circulação de moedas aumentou. Além das moedas portuguesas, circulavam moedas de diversos países, trazidas pelos colonizadores, invasores, comerciantes e piratas.


Moeda de prata hispano-americana que começou a circular no Brasil graças à União Ibérica. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

As moedas portuguesas, cunhadas em ouro, prata e cobre, eram provenientes de diversos reinados. Por essa razão, recebiam vários nomes como: Português, Cruzado, São Vicente, Tostão e Vintém. O sistema monetário era o real. Os valores eram estabelecidos em réis.Em 1580, com a União Ibérica, que anexava Portugal à Espanha, houve crescente aumento da circulação de moedas de prata espanholas, denominadas reales. Os reales tinham como principal origem o Peru, em razão do comércio realizado por meio do Rio Prata.

Fim da União Ibérica


Após a restauração da independência de Portugal, em 1640, ocorreram sucessivas alterações no padrão monetário. As moedas tiveram seu peso reduzido e valor ampliado. Em alguns casos, novas moedas foram fabricadas, ou alteradas por meio do “carimbo coroado”. Mas houve, também, aumento do valor monetário sem alteração das moedas.
O Zimbo ou Cauri era usado como “dinheiro da terra” entre algumas povoações da costa de Angola e do Brasil. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

Mais de um século depois de existência da colônia brasileira, o sistema monetário continuava insuficiente. A quantidade de moedas em circulação não atendia as demandas locais. Assim, outras mercadorias como açúcar, algodão, fumo, ferro, cacau, cravo, couro e aguardente eram utilizados como forma de pagamento. O zimbro, concha encontrada nas praias brasileiras era a forma de troca entre os escravos. A concha circulou, também, no Congo e na Angola.Em 1614, o Governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, estabeleceu o açúcar como moeda legal, obrigando a aceitação do produto como forma de pagamento pelos comerciantes. No Maranhão, a principal moeda era o algodão, legalmente estabelecida, em 1712.
A primeira cunhagem de moedas em território brasileiro foi feita pelos holandeses, em Pernambuco, de forma bastante rudimentar.


Moeda de cobre cunhada em Lisboa, utilizada no Brasil e Angola. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

Ficaram conhecidas como “moedas obsidionais”, “moedas de cerco” ou de emergência. Foram as primeiras a trazerem o nome do Brasil. Essas moedas eram feitas em ouro, tinham formato retangular e apresentavam a inscrição G.W.C que corresponde às iniciais de “Companhia das Índias Ocidentais”, em holandês.

Primeira Casa da Moeda


Com a crescente insuficiência do sistema monetário da colônia brasileira, o rei de Portugal, Dom Pedro II, determinou, em 1694, a criação da primeira Casa da Moeda no Brasil, na Bahia, que tinha como objetivo aproveitar as moedas existentes para cunhagem de novas moedas.Em seguida, a Casa da Moeda foi transferida para o Rio de Janeiro, em razão da dificuldade e perigo no transporte das moedas existentes à Casa da Moeda. Houve ainda a transferência da sede para Pernambuco, e finalmente o estabelecimento no Rio de Janeiro, em 1702, com a descoberta de ouro na região central do Brasil.

À esquerda, moeda de prata, popularmente chamada de "Patacão" por equivaler a três patacas de 320 réis. À direita, moeda de cobre conhecida como "Macuta", cunhada na Casa da Moeda do Rio de Janeiro para circular em Moçambique e São Tomé e Príncipe, colônias Portuguesas na África. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

Entre 1695 e 1698, foram cunhadas moedas de ouro, de uso exclusivo da Colônia, nos valores de 4.000, 2.000 e 1.000 réis. E moedas de prata, nos valores de 640, 320, 160, 80, 40 e 20 réis. A moeda de 320 réis ficou conhecida como "pataca".

Ciclo do ouro

O período do reinado de Dom João V, entre 1706 e 1750, foi reconhecido pelo aumento da produção de ouro no Brasil. A exploração do ouro era tamanha, que funcionaram três casas da moeda simultaneamente. As moedas eram produzidas também para Portugal, e por isso, eram idênticas às do reino português.



Moeda de 20 mil réis, da série "dobrões". Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".


As moedas de ouro cunhadas durante o reinado de D. Maria I registraram diferentes momentos da vida da rainha. De 1777 a 1786, apareceu retratada ao lado de seu marido, D. Pedro III. Após a morte do esposo, foi retratada sozinha, portanto véu de noiva. A partir de 1789, terminado o luto, passou a ser representada com um toucado ornado de jóias e fitas.

As mudanças com a vinda da Corte
A manutenção da família real portuguesa no Brasil gerou considerável aumento dos gastos. Logo, em 12 de outubro de 1808, foi criado o Banco do Brasil, com o objetivo de levantar os recursos necessários à manutenção da corte e as despesas do governo. Em 1810, o Banco do Brasil iniciou a emissão de bilhetes com valores a partir de 30.000 réis que poderiam ser resgatados no Banco.

Moedas de ouro de 6.400 e 4.000 réis de série especial, em comemoração à derrocada de Napoleão. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".
Mas após a queda do império de Napoleão, todas as moedas, metais e jóias foram resgatadas por Dom João VI, pouco antes de seu retorno à Portugal, em 1821.
Há 200 anos, o mundo passava por grandes transformações. O fim da Revolução Francesa, alterou o quadro político-social da França, iniciando a Idade Contemporânea. Napoleão, imperador da França, iniciava uma expansão territorial por todo o continente europeu.
Naquele período, Portugal estava sob muitas pressões. De um lado, os franceses ameaçavam invadir o território daquele país, caso não cumprissem com a determinação do Bloqueio Continental contra os ingleses. Do outro, a interrupção do comércio com a Inglaterra resultaria no colapso da economia portuguesa e represálias dos ingleses.
A invasão francesa era iminente. As tropas francesas comandadas por Jean-Andoche Junot já estavam se aproximando de Lisboa quando D. João e a Corte portuguesa bateram em retirada rumo ao Brasil. O dia era chuvoso e frio. Uma multidão de lisboetas acompanhou o carregamento da gigantesca carga da família real, que chegou ao País em 22 de janeiro de 1808. A esquadra portuguesa veio protegida pela marinha de guerra inglesa. Trazia entre 10 mil e 15 mil pessoas: fidalgos, funcionários públicos, militares e eclesiásticos, além da Rainha D. Maria I e do Príncipe-Regente D. João, com sua esposa, D. Carlota Joaquina, seus filhos, D. Pedro, então com nove anos de idade, D. Miguel e as cinco princesas.
Na fuga, trouxeram a metade do dinheitro circulante no Reino, algo como 22 milhões de libras, o que é um montante elevado mesmo para padrões atuais. D. Maria I havia sido declarada louca, razão pela qual D. João era o Príncipe-Regente – ele passaria a ser D. João VI após a morte da mãe. A chegada repentina dessa leva ao Rio de Janeiro, com cerca de 50 mil habitantes, criou problemas de todo tipo. Estima-se que rapidamente a cidade dobrou de tamanho.
O Brasil teve avanços importantes com a vinda da família real. Houve a abertura dos portos à “nações amigas”, a rigor, uma atitude pragmática de legalização do imenso contrabando que havia entre a colônia e a Inglaterra, com a conseqüente arrecadação de impostos. O País deixou de ser vice-reino e passou a ser a sede da monarquia luso-brasileira. O Rio de Janeiro transormou-se em Corte e recebeu em curto período de tempo várias melhorias: Jardim Botânico, Biblioteca, tipografia, seu primeiro jornal, uma companhia de seguros, uma fábrica de pólvora e a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios.
Devido à queda na produção de ouro e ao crescimento dos gastos com a implantação da administração no Rio de Janeiro, a quantidade de moedas em circulação tornou-se insuficiente. Assim, em 1808, D. João VI criou o Banco do Brasil, o primeiro banco da América do Sul e o quarto do mundo.
A elevação do Brasil à categoria de Reino Unido, em 1815, foi comemorada com a cunhagem de uma série especial de moedas. As peças em ouro, prata e cobre traziam gravada a legenda “Joannes. D. G. Port. Brás. Et. Alg. P. Reg.” – “João, por graça de Deus, Príncipe Regente de Portugal, Brasil e Algarves’.


Moeda de XX réis, cunhada em: 1821.
Anverso: JOANNES.VI.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.REX.1821.R.
Reverso: PECUNIA.TOTUM CIRCUMIT.ORBEM. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".
Moeda de D. João VI, com as Armas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

Primeiras moedas do Brasil Independente

Logo após a Independência, as moedas mantiveram o mesmo padrão das moedas do período colonial, sofrendo pequenas alterações para se adequar à nova situação política. Nas moedas de ouro e prata, as Armas de Portugal foram substituídas pelas do Império e acrescentou-se a frase “In hoc signo vinces” – “Com este sinal vencerás”.

Moeda do Brasil Independente: In hoc signo vinces. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

Moedas de D. Pedro II

As moedas cunhadas durante os quase 60 anos do reinado de D. Pedro II mostram o imperador em diferentes fases de sua vida; na infância, na idade adulta e na velhice. A efígie de D. Pedro II foi a mais representada no dinheiro brasileiro.

Casa da Moeda do Rio de Janeiro - 1868/1880 Moeda de 20 réis de 1869.Anverso: PETRUS II D.G.C.IMP.ET PERP.BRAS.DEF.Ü1869ÜReverso: 20 Rs. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

Moeda de 40 réis de 1879. Anverso: PETRUS II D.G.C.IMP.ET PERP.BRAS.DEF.Ü1879Ü (Pedro II, Imperador do Brasil, data 1879) Reverso: 40 Rs (40 Réis) . Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

Primeiras cédulas

Para uniformizar as cédulas em circulação e acabar com as falsificações, em 1835 as antigas notas do extinto Banco do Brasil e as cédulas para o troco do cobre foram substituídas por cédulas do Tesouro Nacional, fabricadas por Perkins, Bacon & Petch (Inglaterra). Essas cédulas possuíam certas características que dificultavam a falsificação. Foi a primeira vez que o Tesouro Nacional assumiu o monopólio das emissões.
Com o aumento da população e o alto custo dos metais preciosos utilizados na fabricação de moedas, as cédulas tornaram-se cada vez mais necessárias no decorrer do século XIX. Como a extensão do território brasileiro dificultava a distribuição de cédulas, entre 1836 e 1854, o governo autorizou bancos particulares a emitirem juntamente com o Tesouro Nacional.
O segundo Banco do Brasil


O segundo Banco do Brasil, criado pelo Visconde de Mauá, formado pela fusão do antigo Banco do Brasil com o Banco Comercial do Rio de Janeiro, iniciou suas atividades em 1854, na condição de único emissor. Em 1857, para atender às exigências do crescimento econômico, foi autorizada a constituição de novos bancos emissores. O Banco do Brasil voltou a assumir a responsabilidade pelas emissões durante alguns períodos entre 1862 e 1930, quando emitiu papel-moeda pela última vez.
Com a generalização do uso de cédulas, a cunhagem de moedas direcionou-se para a produção de valores destinados ao troco. O cobre foi sendo substituído por ligas modernas, mais duráveis, de modo a suportar a circulação do dinheiro de mão em mão. A partir de 1868, foram introduzidas moedas de bronze e, a partir de 1870, moedas de cuproníquel.

Primeiras moedas da República


Após a Proclamação da República, em 1889, foi mantido o padrão Réis. As moedas de ouro e prata receberam gravação da alegoria da República no lugar da imagem do imperador. A utilização do ouro, na cunhagem de moedas de circulação, foi interrompida em 1922, devido ao alto custo do metal.
Em 1896, o Tesouro Nacional passou a ser o único responsável pela emissão das cédulas e substituiu todas por cédulas do Tesouro. Em 1964, a função foi designada ao Banco Central.
Por ocasião do 4º Centenário do Descobrimento do Brasil, em 1900, foi lançada a primeira série de moedas comemorativas da República. A série era composta de moedas de prata nos valores de 400, 1.000, 2.000 e 4.000 réis.

Moeda comemorativa do Descobrimento do Brasil, 4.000 Réis. Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".

O tostão

Em 1918 e 1935, com a finalidade de facilitar o troco, foi cunhada uma nova série de moedas em cuproníquel que substituíram cédulas de valores pequenos e moedas antigas. A moeda de 100 réis, dessa série, ficou conhecida como tostão.

Moeda de 100 Réis, o "tostão". Imagem extraída da internet.

O antigo Real (Réis) circulou no Brasil até 1942, quando, através do Decreto-Lei nº 4.791, de 05/10/42 foi implantado o Cruzeiro (Cr$) com a paridade de 1.000 réis = 1,00 cruzeiro.
Cruzeiro

Existe uma variação muito grande das cédulas do Cruzeiro antigo, pois essa moeda vigorou muito tempo. As que estão abaixo são as primeiras.

Imagem extraída do sítio eletrônico do Banco Central.

Por causa da inflação gerada durante a 2ª Guerra, no ano de 1942, o Real (Réis) vira Cruzeiro e 3 últimos zeros são cortados. Em 1 de Novembro de 1942, foi introduzido pela primeira vez, cuja denominação se baseava na constelação do Cruzeiro do Sul, escolhido como símbolo da pátria.
Em 1964 a fração centesimal do Cr$, denominada centavo foi extinta pela Lei 4.511 de 01/12/64. Em 13 de fevereiro de 1967, o Cruzeiro foi substituído pelo padrão transitório Cruzeiro Novo (NCr$) por conta do aumento da inflação.

Cruzeiro Novo

Com a inflação, o poder de compra do Cruzeiro foi corroído, mais 3 zeros finais são cortados. Em 1967 com base do Decreto-Lei nº 1 de 13/11/65 e Resolução do Banco Central nº 47, de 13/02/67 foi criado o Cruzeiro Novo (NCr$) com a paridade de 1.000 cruzeiros = 1,00 cruzeiro novo.
O cruzeiro novo (NCr$) foi uma moeda do Brasil que circulou transitoriamente no Brasil no período entre 13 de fevereiro de 1967 e 14 de maio de 1970.
Se trata de um padrão que foi criado em virtude da perda de valor do
Cruzeiro, moeda que estava em vigor desde 1942 e que sofreu enorme depreciação por conta do aumento da inflação ocorrido por conta da instabilidade política e das contas públicas em descontrole.
Em virtude disso, foi preparada uma reforma monetária, na qual a nova moeda recebeu o nome de Cruzeiro Novo, para se evitar que houvesse confusão de valores entre as cédulas que seriam preparadas para o novo padrão com as do padrão então existente.
Um Cruzeiro novo era o equivalente a mil cruzeiros do padrão então circulante, sendo que as cédulas remanescentes do padrão antigo foram carimbadas com valores entre 1 centavo e 10 Cruzeiros novos.


Cédulas do Cruzeiro, as cédulas do Cruzeiro Novo foram as mesmas, porém com o carimbo do Banco Central, atualizando o nome da cédula. Imagem extraída do sítio eletrônico do Banco Central.

Estas cédulas foram sendo gradualmente substituídas pelas novas cédulas que foram colocadas em circulação em 1970, com a retomada da denominação Cruzeiro e foram retiradas de circulação entre 1972 e 1975, quando apenas as cédulas do novo padrão passaram a ter valor legal.
Além disso, foram emitidas moedas de aço inoxidável com os valores de 1, 2 e 5 centavos, bem como moedas de cuproníquel nos valores de 10 e 20 centavos e de níquel no valor de 50 centavos, sendo que essas moedas continuaram em circulação depois que o novo padrão entrou em vigor.
Assim, em 1970, o Cruzeiro Novo voltou a ser chamado de Cruzeiro. Com base na Resolução do Banco Central nº 144, de 31/03/70 o Cruzeiro Novo passou a denominar-se Cruzeiro (Cr$).
Em 1984 a fração centesimal (centavos) do Cr$ criado em 31/03/70, foi extinta a partir de 16/08/84 com a promulgação da Lei nº 7.214 de 25/08/84.

Cruzado

Em 28/02/86 o Plano Cruzado corta 3 zeros da moeda, que passa a se chamar Cruzado. Em 1986 com base no foi criado
Cruzado foi a moeda criada no Brasil pelo
Plano Cruzado em 28 de Fevereiro de 1986, através do Decreto-Lei nº 2.283 de 27/02/86, como parte de um pacote de medidas para tentar conter a inflação. O Cruzado (Cz$) tinha a paridade de 1.000 cruzeiros = 1,00 cruzado.

Cédula de 500 Cruzados. Imagem extraída da internet.

O nome foi inspirado no de uma antiga moeda portuguesa de ouro, que tinha o valor aproximado de 400 réis e que circulou nos tempos em que o Brasil ainda era uma colônia de Portugal.
A partir de meados da década de 1970, houve um intenso processo inflacionário que atingiu o seu cume no início dos anos 1980, sendo que este desajuste acabou prevalecendo durante a curta existência do Cruzado, contribuindo para que a década de 1980 ficasse conhecida no Brasil como a "Década Perdida".
1 cruzado equivalia a 1.000 cruzeiros (novos). Foi marcante pela volta dos "centavos" como subdivisão da moeda, visto que tinham sido abolidos em 1984, devido a desvalorização do cruzeiro.

Cruzado Novo

O cruzado novo (NCz$) foi a moeda brasileira de 16 de janeiro de 1989 a 15 de março de 1990. Foi conseqüência da reforma monetária promovida pelo Plano Verão, instituído pelo ministro Maílson da Nóbrega
, em 1989, através da Medida provisória nº 32, de 15/01/89, convertida na Lei nº 7.730, de 31/01/89 foi criado o Cruzado Novo (NCz$) com a paridade de 1.000 cruzados = 1,00 cruzado novo. O cruzado novo correspondia a mil cruzados, ou seja houve um corte de três zeros na data de 16 de janeiro de 1989.
Cédulas do Cruzado Novo, foram utilizadas as mesmas cédulas do Cruzado, porém com o carimbo do novo valor. Imagem extraída da internet.

Cruzeiro

Em março/90, O Presidente Collor bloqueia as aplicações financeiras e a moeda volta a ser o Cruzeiro. Em 1990 com base na Medida provisória nº 168 de 15/03/90, convertida na Lei nº 8.024 de 12/04/90 foi criado o Cruzeiro (Cr$) com a paridade de 1,00 cruzado novo = 1,00 cruzeiro. O Cruzeiro (BRE), foi o padrão criado por conta do Plano Collor, sendo que a renomeação da moeda então existente se deu pelo motivo de tentar evitar problema semelhante ao ocorrido quando do Plano Bresser, no qual ações judiciais pediam reparação por perdas na moeda então existente. As primeiras cédulas deste padrão foram cédulas do padrão Cruzado Novo que receberam um carimbo retangular com o valor no novo padrão, além de uma cédula emergencial no valor de 5.000 cruzeiros (Estampa B), cujo anverso mostrava a efige simbólica da República e o reverso as Armas da República. Ainda em 1990, foram emitidas cédulas no novo padrão, com os valores de 100, 200, 500, 1.000 e a cédula permanente de 5.000 cruzeiros, cujo anverso era representado pela figura de Carlos Gomes e o reverso tinha o piano que pertenceu ao maestro.


Cédula de 5.000
Cruzeiros. Imagem extraída da coleção da Profª Tathy.

Além disso, as cédulas do padrão cruzado remanescentes em circulação perderam o valor no correr deste mesmo ano.
Em 1991, por conta da alta inflação, foram lançadas as cédulas nos valores de 10.000 e de 50.000 cruzeiros, sendo que no ano seguinte por ocasião da Eco 92, foi lançada a nota de 100.000 cruzeiros, sendo que as notas nos valores de 50 e 100 cruzeiros (cédulas em geral com a denominação de "cruzados novos" presentes nas notas) perderam o valor, sendo substituídas por moedas que tiveram vida curta em circulação.
Em 1993, foram lançadas as notas de 500.000, 1.000.000 e 5.000.000 de cruzeiros, as últimas cédulas deste padrão, que tiveram, em agosto do mesmo ano, cortados 3 zeros em função da troca de moedas para Cruzeiro Real.

Cruzeiro Real

O cruzeiro real (CR$) foi o padrão monetário no Brasil entre 1 de agosto de 1993 a 30 de junho de 1994.
As altas taxas de inflação que marcaram o ano de 1993 levaram o governo Itamar Franco a editar a medida provisória que criou o cruzeiro real, equivalente a mil cruzeiros. Em agosto/93, a moeda fica sem 3 zeros novamente e vira Cruzeiro Real.


Cédula de 5.000 Cruzeiros Reais. Imagem extraída da internet.

Nos 11 meses de sua existência, o cruzeiro real acumulou uma inflação de 3700% Em 1993 com base na Medida Provisória nº 336, de 28/07/93, convertida na Lei nº 8.697 de 27/08/93, e Resolução do Banco Central nº 2.010 de 28/07/93 foi criado o Cruzeiro real (CR$) com a paridade de 1.000,00 cruzeiros = 1,00 cruzeiro real.
Não foram emitidas moedas com valores em centavos nesta moeda, sendo que se consideravam como centavos as cédulas e moedas do padrão anterior na razão de 10 "cruzeiros" por centavo.


Cédulas de Cruzeiro Real, Elas receberam apenas o carimbo certificando o navo valor. Imagem extraída da internet.
Real

O Real é a moeda corrente no Brasil. Após sucessivas trocas monetárias (réis, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, novamente cruzeiro e cruzeiro real), o Brasil adotou o real em 1994, que, aliado à drástica queda das taxas de inflação, constituiu uma moeda estável para o país. Foi implantado no mandato do presidente Itamar Franco, sob o comando do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, depois eleito presidente da República. Assim, em julho/94, o Presidente Itamar Franco cria o Real, cujo plural é Reais. Antes que entrasse em circulação, passou a vigorar uma unidade de conta, não de troca, chamada URV - Unidade Real de Valor, com variação diária. A economia era estimulada a usá-la como referência. Quando a URV chegou a 2750 cruzeiros reais, a nova moeda, REAL, entrou em vigor. Em 1994 com base nas Leis nºs 8.880, de 25/05/94, e 9.069, de 29/06/95 foi criado o Real (R$) com a paridade de 2.750,00 cruzeiros reais = 1,00 real.

Essas são as moedas em vigor atualmente no Brasil. Imagem extraída da internet.

Histórico das Moedas no Brasil (Resumo):

Real (plural: Réis) - de 1500 a 8.out.1834
Mil Réis - de 8.out.1834 a 1.nov.1942
Conto de Réis (equivalente a um milhão de réis)
Cruzeiro - de 1.nov.1942 a 13.fev.1967
Cruzeiro Novo - de 13.fev.1967 a 15.mai.1970
Cruzeiro - de 15.mai.1970 a 28.fev.1986
Cruzado - de 28.fev.1986 a 15.jan.1989
Cruzado novo - de 15.jan.1989 a 15.mar.1990
Cruzeiro - de 15.mar.1990 a 1.ago.1993
Cruzeiro Real - de 1.ago.1993 a 1.jul.1994
Real (plural: Reais) - de 1.jul.1994 até atualmente
Curiosidade:

1 Real equivaleria a 2.750.000.000.000.000.000.000 Réis do início da República.
1 Real equivaleria à 2.750.000.000.000.000 Cruzeiros do período de 42 (final do governo de Getulio Vargas até 67 (Governo Militar).
1 Real equivaleria à 2.750.000.000 Cruzados (período da redemocratização, Governo Sarney – 86 a 89)
É claro que não basta converter quantias expressas em antigas unidades monetárias para a moeda vigente, tal quantia deve ser corrigida por um índice de preços apropriado para que a paridade do poder de compra da moeda seja mantida.
Para rir um pouco:

O Governo Lula vai lançar as novas notas do Real (hahahahaha)

Cédula especial para assistir ao filme da biografia do nosso presidente!

Essa cédula será aceita com prioridade nas lojas especializadas em produtos eróticos, hahaha

Espero que o povo brasilerio não tenha a memória curta e não vote de novo do 171!


1 Milhão de Reais... esse eu quero! hahahaha

Essa publicação é sobre HISTÓRIA!!! 
Eu não tenho uma casa de câmbio, nem negocio moedas antigas. Por gentileza, perguntas sempre são bem-vindas. Porém, não posso responder por algo que não sei. Sou Historiadora e Profª de História, não tenho um Antiquário. 
Grata pela atenção.

16 novembro 2009

Sobre a Reciclagem - Projeto Feira do Conhecimento 2009

Não maltrate o meio ambiente.
Normalmente, o lixo que é jogado nas ruas
vai parar nos rios, lagos e mares.

Reciclar é economizar energia, poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo o que jogamos fora. A palavra foi introduzida ao vocabulário internacional no final da década de 80 do século XX (20) quando foi constatado que as fontes de petróleo e outras matérias-primas estão se esgotando. Mesmo assim, o assunto parece não interessar grande parte da população, o que é lamentável.

Para compreendermos a reciclagem é importante “reciclarmos” o conceito que temos de “lixo”, deixando de enxergá-lo como uma coisa suja e inútil em sua totalidade e passarmos a vê-lo como “resíduo”, aproveitável e reciclável. Grande parte dos materiais que vão para o lixo pode (e deveriam) ser reciclado.

Tendo em vista o tempo de decomposição natural de alguns materiais como o plástico (450 anos), o vidro (5.000 anos), a lata (100 anos), o alumínio (de 200 a 500 anos), faz-se necessário o desenvolvimento de uma consciência ambientalista para uma melhoria da qualidade de vida atual e para que haja condições ambientais favoráveis à vida das futuras gerações.
Atualmente a produção anual de lixo em todo o planeta é de aproximadamente 400 milhões de toneladas. O que fazer e onde colocar tanto lixo é um dos maiores desafios deste final de século.
A Reciclagem é uma alternativa para amenizar o problema, porém, é necessário o engajamento da população para realizar esta ação. O primeiro passo é perceber que o lixo é fonte de riqueza e que para ser reciclado deve ser separado. Ele pode ser separado de diversas maneiras e a mais simples é separar o lixo orgânico do inorgânico (lixo molhado/ lixo seco). Esta é uma ação simples e de grande valor. Os catadores de lixo, o meio ambiente e as futuras gerações agradecem.

Benefícios da reciclagem

A produção de lixo vem aumentando assustadoramente em todo o planeta. O lixo é o maior causador da degradação do meio ambiente e pesquisas indicam que cada ser humano produz, em média, pouco mais que 1 quilo de lixo por dia. Desta forma, será inevitável o desenvolvimento de uma cultura de reciclagem, tendo em vista a escassez dos recursos naturais não renováveis e a falta de espaço para acondicionar tanto lixo.

Todo lixo produzido, normalmente é recolhido pelos caminhões e levado até as centrais de reciclagem e lá é separado e classificado para o reaproveitamento. Muitas famílias sobrevivem da venda deste material. A separação do lixo, orgânico (molhado) do inorgânico (seco), é importantíssima para o processo da reciclagem, uma vez que, quando misturado dificulta no processo de "garimpagem" dos catadores de lixo.
Nosso papel neste processo é muito simples: separar o lixo que produzimos. Não é possível reciclar em quantidades significativas se não houver, dentro de nossas casas, empresas e outros estabelecimentos, a separação do lixo por tipos de materiais.

Algumas constatações merecem destaque por sua importância: as garrafas de refrigerantes (PET) são transformadas em tecido para fazer calça jeans; uma tonelada de plástico reciclada economiza 130 quilos de petróleo; depois de reciclado, o plástico ainda pode virar carpetes, mangueiras, cordas, sacos, pára-choques; reciclar uma tonelada de papel poupa 22 árvores, consome 71% menos energia elétrica e polui o ar 74% menos do que fabricá-la; diversos tipos de papéis podem ser reciclados sete vezes ou mais. Estes são apenas alguns dos inúmeros benefícios que a reciclagem proporciona à sociedade, à economia, e ao meio ambiente.

Os perigos da comodidade

A praticidade da vida moderna provoca a insensatez do uso indiscriminado dos recursos naturais. Materiais que a natureza leva centenas ou milhares de anos para produzir são transformados em produtos que são utilizados por muito pouco tempo e depois são desprezados, indo parar em praias, parques, ruas ou aterros sanitários. Lá permanecerão por décadas ou mesmo séculos até se decomporem. Exemplos disto são os pratos, copos, garrafas, talheres e fraldas descartáveis.
Em 1989, numa limpeza das praias (EUA) foram recolhidos 170.805 talheres de plástico. 100 mil mamíferos marinhos morrem por ano ao comer ou se emaranhar em detritos de plástico. Uma simples fralda descartável leva no mínimo 3 anos para se decompor naturalmente. Segundo pesquisa desenvolvida em 1988, nos Estados Unidos, 414 toneladas de fraldas descartáveis sujas foram jogadas fora por hora. Cerca de 60% de uma fralda descartável são feitos de polpa de madeira. Estes dados são, no mínimo, alarmantes.
Muitas pessoas vêem com maus olhos os movimentos de ecologistas e ambientalistas e dizem-se cansadas de ouvirem os discursos por eles proferidos, considerando-os baderneiros, críticos repetitivos ou escandalosos, porém, frente a tantos desastres ambientais ocorridos nas últimas décadas, e à falta de conscientização, é chegada a hora de refletir e valorizar o árduo trabalho destes "guerreiros ambientais". Eles estão aí, em toda parte, para alertarem a população de que se não houver uma mudança de postura frente aos costumes desenvolvidos pela vida moderna, em pouco tempo ocorrerá um colapso ambiental.

Uma nova consciência

Estamos vivendo uma época de grandes transformações: sociais, econômicas, políticas, ambientais, etc. Estas mudanças que estão acontecendo nem sempre são positivas, como quando o pobre fica cada vez mais pobre, o político fica cada vez mais corrupto, a economia mais decadente com o desemprego e com a falta de recursos para atender as necessidades da população, e o meio ambiente cada vez mais poluído e devastado. Desta forma, cai a qualidade de vida urbana e ocorre um descaso muito grande com o meio ambiente, tornando-o cada vez mais danificado.

Encarar os problemas ambientais é essencial, pois é dele, do meio ambiente que depende a qualidade de vida da população. É preciso que as pessoas conscientizem-se de preservar o meio ambiente, pois isto sim trará inúmeras melhorias em nossa qualidade de vida. A sociedade pode unir-se e exigir dos órgãos governamentais uma fiscalização das empresas que geram poluição, lixo tóxico, que ocasionam a falta de saúde da população em geral. A economia pode voltar-se para o incentivo à reciclagem, ao reflorestamento, dando oportunidade às empresas que estão inseridas no contexto do meio ambiente, gerando mais empregos. Os políticos deveriam apresentar projetos de preservação do meio ambiente visando à melhoria da qualidade de vida.
Se hoje não tivermos uma postura e uma consciência ambiental, reparando os danos causados ao meio ambiente e evitando novos desastres ecológicos, a continuidade e a qualidade de vida estarão comprometidas. Este sim seria o maior erro que a humanidade poderia cometer contra ela própria.

Nós e o Meio Ambiente - Projeto Feira do Conhecimento 2009

“O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros, me põe numa posição em face do mundo que não é a de quem nada tem a ver com ele”.
(Paulo Freire)
Somos todos sujeitos históricos, a História não é apenas o relato daquilo que já passou, a narração dos grandes feitos de personagens famosos. Ela é também o resultado do que fazemos no nosso presente, da nossa atuação enquanto indivíduos e enquanto sociedade. Assim, devemos estar atentos para a construção de nossas próprias histórias e do que vamos deixar de herança.

Que planeta nossos filhos vão herdar?
Que qualidade de vida estamos deixando?
Qual será nossa herança para as futuras gerações?


Algumas invenções já estão facilitando nossa vida, muitas comodidades da vida moderna já se preocupam com a sustentabilidade do meio ambiente. Porém, devemos ir além, modificar nossa visão de mundo, conscientizar aqueles que nos cercam sobre a importância de reduzir a emissão de poluentes e reduzir a produção de resíduos (lixo).

Portanto, recicle, reutilize, reduza e separe o lixo.
Valorize nosso planeta!

FEIRA DO CONHECIMENTO 2009 - AGRADECIMENTOS

Diversas pessoas contribuíram de forma direta ou indireta para o projeto da Feira do Conhecimento de 2009. Agradecemos a todos pelo carinho, dedicação e colaboração.
Entretanto, gostaríamos de deixar aqui nosso agradecimento especial:

Aos nossos pais (dos alunos e das professoras) que nos auxiliaram coletando materiais recicláveis, acompanhando nas visitas e mesmo deixando os alunos na escola, fora do horário de aula, para a confecção da nossa exposição.

Agradecemos aos professores da Escola Domínius, que muitas vezes cederam parte de suas aulas, para discussão, organização e elaboração de planos de trabalho (e mesmo para tirarmos fotos!).

Agradecemos aos artistas e artesãos da Feira Livre do Largo da Ordem, que explicaram seus trabalhos, contribuíram com suas experiências e permitiram que fotografássemos seus materiais.

Agradecemos, em especial, ao artista plástico Hélio Leite, que mostrou seus objetos de arte (todos confeccionados com materiais reutilizados) e nos contou histórias (todas riquíssimas em conteúdos humanos – valores e virtudes).

Lembramos também da senhora Zélia, a simpática fiandeira, que explicou aos alunos todo o processo de tecelagem artesanal, desde a retirada da matéria-prima até a confecção de tecidos.

Também agradecemos ao ciclista Jacaré, que com sua bicicleta, toda coberta de materiais reutilizados, contribui para a conscientização da população para o assunto da sustentabilidade do meio ambiente.
Agradecemos ainda ao senhor Marcelo, o intrépido piloto que está construindo (sozinho!) seu avião e que, além das valiosas explicações a respeito de seu projeto e das atividades envolvidas na navegação aérea, nos cedeu seu avião para expor na Feira do Conhecimento.

Enfim, agradecemos a presença de todos os que prestigiaram nossa exposição, nos honrando com sua visita.
Professora Tathyana (História),
Professora Nísia (Matemática)
e a turma da 7ª série da Escola Domínius.

05 novembro 2009

Fui indicada para o selo Meme!


Pela primeira vez recebi uma indicação de selo. Fiquei exultante e muito feliz. A indicação para meu blog "Plus fort que moi", que meu deixou muito honrada, foi feita pela amiga Nereida do belíssimo blog "Onde o tempo não pára...": http://nereida-umlugarondeotempono.blogspot.com/
Eu não sabia o que é esse "Meme". Mas, através da explicação, muito bem escrita, do blog da Nereida, pude aprender o que isso significa.

Segundo a Wikipédia, o termo Meme foi cunhado por Richardo Dawkins, em 1976, no seu livro O Gene Egoísta. O Meme é considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros.
No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética. Quando usado num contexto coloquial e não especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra.
Trocando em miúdos, é tudo aquilo que você pode aprender com outra pessoa, de qualquer maneira (lendo, copiando, conversando, etc.). Assim, o selinho Meme é indicado para pessoas com as quais aprendemos alguma coisa.
Bem, para ser indicado e para repassar o selinho é necessário seguir umas regrinhas básicas, vamos a elas:
1- Escrever uma lista com 8 características suas:
Idealista
Leal
Solidária
Amiga
sincera
Perfeccionista
Estudiosa
Nostálgica
Crítica (auto-crítica principalmente!)
2- Convidar 8 blogueiras(os) para o selo:
Minha irmã, Priscilla, do “*.* No mundo não há mais lugar *.*” – http://extramundus.blogspot.com/
As meninas do “Cia de Revisores” – http://ciaderevisores.blogspot.com/
Jaqueline Deep do “Madness to Johnny Deep” – http://johnnydeppmadness.blogspot.com/
Jorge do “Terreiro Sol e Lua” – http://terreirosolelua.blogspot.com/
Adolfo Payes do “Adolfo Payes – poemas” – http://apayess.blogspot.com/
Irene Moreira do “Vitrine de sonhos” – http://avitrinedesonhos.blogspot.com/
Luma do “Cantinho da Luma” – http://cantinhodalumad.blogspot.com/
Oswaldo Mirando do “Miran!” – http://mirandesign.blogspot.com/
Eu sei que já deu 8, mas como meu outro site é direcionado à educação e à transmissão de conhecimento, acho que é válido. Então, vai a indicação dele também. “Histórias” – HTTP://prof-tathy.blogspot.com/
3- Comentar no blog de quem lhe premiou. (agradeço o carinho e a indicação da Nereida!)

26 outubro 2009

Missões Jesuítas

Missões Jesuítas, também denominadas de Reduções, são os antigos aldeamentos indígenas organizados e administrados por jesuítas no continente americano, com o objetivo de civilizar e evangelizar os nativos americanos (indígenas). As Missões fundavam colégios e conventos. A idéia das Missões era criar uma sociedade com os benefícios e qualidades da sociedade cristã européia, porém, sem os vícios e maldades encontrados na Europa.

De todos os inúmeros aldeamentos jesuítas os que passaram à história de modo particularmente importante por seu notável florescimento foram os fundados na região da fronteira entre o Brasil, Bolívia, Argentina e Paraguai, entretanto havia missões por todo o continente americano, inclusive na América Central e Canadá.

As Missões, ou Reduções, não eram apenas aldeias, mas verdadeiras cidades que se instalavam nas selvas. Os aldeamentos se organizavam seguindo um plano geométrico perfeitamente ordenado aplicado, com poucas variações, em todos os aldeamentos. Desenvolvia-se em torno de uma grande praça quadrada, em cujo centro se instalava uma grande cruz e uma estátua do santo protetor.

De um lado se erguia a igreja, com casas anexas para viúvas e órfãos e uma escola, a casa dos missionários e as oficinas; atrás da igreja se cultivavam o pomar e a horta. No lado oposto ficavam as moradias dos índios, e nos lados restantes estabeleciam o Conselho da Missão, uma portaria, uma hospedaria, capelas, um relógio de sol e até uma prisão. Também havia hospital, asilo, casa e comida para todos e em abundância, oficinas e até pequenas fábricas. Fabricavam-se todos os instrumentos necessários para a agricultura, além de instrumentos musicais, tão bons quanto os da Europa. Imprimiam-se livros, em plena selva.

Possuíam observatório astronômico e até editavam uma carta astronômica e um boletim meteorológico. Foi nessas Missões que se começou a fabricar o ferro, a produzir os primeiros tecidos, e a se criar gado no continente. Foi esse gado, espalhado pelos pampas do extremo sul da América do Sul, que acabou definindo a vocação econômica do Rio Grande do Sul, da Argentina e Uruguai. Assim, a pecuária está de alguma forma, ligada a todos os seus acontecimentos históricos dessa região.

Em torno da aldeia cavavam trincheiras e erguiam um muro para proteção contra os ataques de indígenas selvagens e as incursões predatórias dos bandeirantes. A igreja era o único edifício mais elaborado e ornamentado, onde as técnicas artísticas aprendidas pelos índios encontravam oportunidade para sua plena expressão.

Nas Missões da América do Sul havia índios guaranis e tapes - do mesmo grupo -, atraídos pela pregação do Evangelho feita pelos padres jesuítas, decididos a criar uma série de repúblicas teocráticas no continente, baseados na experiência socialista dos incas, no Peru, onde, aliás, haviam iniciado outro agrupamento semelhante, reunindo os índios chiquitos.

Antecedentes das Missões

A Ordem Jesuíta foi criada em 1534 por Inácio de Loyola, poucos anos após, precisamente em 1549, começaram a chegar os primeiros jesuítas ao Brasil, entre eles o padre Manuel da Nóbrega e o padre José de Anchieta. Esses jesuítas iniciaram a travessia do Oceano Atlântico a fim de concretizar o sonho evangelizador. Quando o Marquês do Pombal os expulsou em 1760, já havia 670 religiosos espalhados de Santa Catarina ao Ceará.

Na América espanhola a empresa jesuíta iniciou mais tarde, em 1586, quando São Francisco de Borja enviou um grupo ao Peru. Em 1606, Filipe III, rei da Espanha e de Portugal, ordenou ao governador do Rio da Prata, Fernando Árias de Saavedra, que se procedesse à sumbissão dos indígenas não pelas armas, mas pela catequese utilizando o trabalho dos jesuítas.

Assim, em 1607, os jesuítas criaram a Província do Paraguai, que compreendia o atual Paraguai, o leste da Bolívia, a Argentina, o Uruguai e o sudoeste do Brasil, então sob domínio espanhol. A convite do bispo de Tucumán os missionários se transferiram para o interior do continente, e junto com outros religiosos fundaram, em 1609, um colégio em Assunção.

Em 1610 iniciaram seu trabalho especificamente missionário, fundando a Missão de San Ignacio Guazú, no Paraguai, à qual seguiram cerca de 60 outras, em áreas paraguaias, argentinas e brasileiras, e destas apenas 30 chegaram a florescer significativamente.
Administração das Missões

O governo civil era exclusivamente indígena. Consistia de um conselho eleito por votação, composto por três oficiais, três administradores, alguns auxiliares e os representantes dos bairros da Missão, todos sob a égide de um cacique geralmente hereditário.
A administração da justiça ficava a cargo dos jesuítas. Como havia poucos crimes, os castigos usualmente eram leves. Raramente se utilizava a prisão ou se condenava ao exílio, considerado o pior castigo de todos.

Embora o objetivo dos jesuítas fosse catequizar os indígenas e protegê-los da escravidão, muitas Missões enriqueceram explorando o trabalho indígena. Muitos indíos eram “contratados” para trabalhar em fazendas e o pagamento ia para os cofres das Missões.

Economia

A cada família que vivia na Missão recebia uma porção de terra, hereditária, destinada a fornecer o sustento da família com o plantio de milho, mandioca, batata, legumes, frutas e erva-mate. Outras áreas eram denominadas "propriedade de Deus", cujos frutos revertiam para a comunidade, e onde o índio deveria trabalhar dois dias por semana.
O tabaco (fumo), mel e milho serviam, às vezes, como moeda de troca. Entretanto este sistema tinha papel pouco relevante, pois os centros comunitários de abastecimento forneciam o que faltasse. Por vezes se admitiam mercadores estrangeiros, por um período máximo de três dias. O comércio ocorria entre as Missões e com outras províncias próximas, e os lucros se destinavam ao pagamento de impostos à Coroa e compravam-se materiais e instrumental variado.

Com o tempo desenvolveu-se consideravelmente a pecuária nas Missões, a ponto de em 1768 possuírem em conjunto 656.333 cabeças de gado. O comércio também cresceu, chegando a dispor de um mercado central em Buenos Aires, de onde se exportavam couros e outros gêneros como mel, frutas, tinturas e esculturas para a Europa em troca de papel, livros, seda, telhas, agulhas e anzóis, ferramentas, instrumentos de cirurgia, metais e sal. Em meados do século 18 as importações já eram muito pequenas e as Missões se tornaram praticamente auto-suficientes.

Educação e Cultura

Para a fixação dos povos indígenas e construção dos povoados foram introduzidas técnicas de agricultura e pecuária, e elementos de arquitetura, cantaria (alvenaria de pedras) e fundição, além da educação laica (comum) e religiosa básica e indispensável para a futura absorção de outros conhecimentos. Gradativamente foi sendo dado ensino adicional em artes diversas, que incluíam escultura, pintura, gravura, poesia, música, teatro, oratória e ciências.

Relatos de época informam que os indígenas das Missões nunca chegaram a desenvolver grande compreensão da doutrina Cristã, sendo considerados extremamente inábeis em assuntos espirituais e tudo o que envolvia elaboração mental abstrata e originalidade segundo os critérios europeus. Em certa época chegou-se a duvidar que fossem mentalmente aptos para entender e receber os Sacramentos. Entretanto, sua facilidade para as diversas artes era notória e sua capacidade de imitação de modelos formais causava espanto nos próprios missionários.

Alfabetização e literatura

Na América do Sul, os jesuítas sistematizaram a língua guarani dando-lhe grafia com caracteres latinos e produzindo boa quantidade de obras literárias, a maior parte ligada à catequização. Com isto parte dos índios foi alfabetizada em guarani, castelhano (espanhol), português e latim, embora isso geralmente fosse reservado aos pertencentes à elite indígena. Os restantes eram educados através do ensino oral e da arte.

As Missões também geralmente possuíam uma boa biblioteca. A de Loreto contava com mais de trezentos livros, a de Corpus Christi cerca de 400, Santiago mais de 180, e Candelária a cifra, assombrosa para a época, de 4.724 volumes.

Dificuldades

A vida das Missões não encontrou sempre este cenário que se aproximava de uma utopia. Muitas vezes os índios não se habituavam aos rigores e complexidades da disciplina jesuita, e voltavam para as selvas. Alguns grupos indígenas tinham de ser levados à força para as Missões, como no caso dos guaiaquis, ou foram simplesmente dizimados, como os guenoas em 1708, por resistirem ao aldeamento compulsório. Também há notícia de epidemias, tempos de fome e ataques de povos indígenas não catequizados.

Cotidiano nas Missões

A vida numa comunidade missioneira seguia uma rotina precisa. Às 4 horas tocava-se o sino para despertar. Seguiam-se a oração individual, as crianças eram acordadas, assistia-se à missa e às 7 horas os trabalhos do dia eram distribuídos. Nessa hora as crianças recebiam o café da manhã e logo oravam. Às 8 horas realizava-se a visita aos doentes e enterravam os defuntos. Depois tomavam mate, em seguida se dirigiam aos diversos afazeres e as crianças iam às aulas.

Entre 11 e 12 horas havia o almoço, seguido de um descanso de uma hora, para depois voltarem ao trabalho. Das 16 horas em diante havia o catecismo, novas orações, lanche, récita do ofício divino do dia, e jantar. Às 20h30 os fogos eram apagados e a aldeia dormia.

Aos domingos as missas eram mais solenes, e em dias de grandes festejos realizavam-se encenações teatrais, danças comunitárias, procissões, profissões públicas de fé e às vezes autoflagelações, combates simulados e concertos de música.

A ameaça bandeirante

Mas de todas as ameaças de longe a mais séria foi a impiedosa e constante rapina empreendida pelos Bandeirantes brasileiros na primeira metade do século 17, que escravizaram ou massacraram centenas de milhares de indígenas. Treze Reduções fundadas no oeste do Paraná tiveram de ser abandonadas em 1631 por causa das constantes investidas paulistas, ocasionando um êxodo de cerca de 12 mil pessoas para o sul.

O início do ataque dos bandeirantes

A formação das Missões não livrou os índios dos ataques daqueles que queriam aprisioná-los para escravizá-los. Do lado espanhol os “encomenderos” procuravam aprisioná-los para reforçar os contingentes de escravos, especialmente de Buenos Aires e Assunção. E, do lado português, os bandeirantes, que eram procedentes São Paulo, também procuravam escravos para trabalhos no campo e nas cidades. Atacadas por todos os lados, as Missões não resistiriam muitos anos em sua primeira fase, tendo que alterar a sua geografia.

Os índios não eram "bons" escravos. Historiadores da época calculavam que, de cada cem aprisionados, não mais do que um era de alguma utilidade. A maior parte morria no caminho entre as missões destruídas e São Paulo. Outra parte expressiva não resistia a pestes e doenças e, dos sobreviventes aos primeiros tempos do cativeiro, poucos se prestavam a algum serviço.

Para não se tornarem escravos, recorriam, às vezes, a gestos desesperados, como o verificado nos arredores de Buenos Aires, na primeira metade do século 16: um grupo de guerreiros refugiado numa fortaleza, matou com as próprias mãos esposas e filhos, lançando-se depois para a morte, do alto de alguns rochedos. Como os ataques se intensificaram depois dos primeiros agrupamentos em Missões, os próprios jesuítas, em determinada época, passaram a ser vistos pelos índios com muita desconfiança.

Os ataques de bandeirantes às reduções jesuíticas no Guairá - ou seja, em território do atual Paraná - começaram em 1618, apenas seis anos após a formação dos primeiros povoamentos. A partir de 1628, no entanto, os ataques passaram a ser feitos por verdadeiros exércitos, devastando-se primeiramente a redução de Encarnación (uma das mais próximas São Paulo, mais ou menos onde se localiza a atual cidade de Telêmaco Borba, na região central do Paraná), seguindo-se as demais.

Como consequência dos ataques, dos cerca de cem mil índios que estavam reduzidos não restaram mais do que 12 mil, concentrados principalmente nas reduções de San Ignácio Mini e Nossa Senhora de Loreto - que não chegaram a ser atacadas -, as mais afastadas. Com a ruína das missões, também as povoações espanholas de Vila Rica e Ciudad Real não resistiram aos ataques e foram devastadas, passando todo o território paranaense ao controle da Coroa portuguesa. Vila Rica foi refundada próximo a Assunção, onde ainda permanece.

A epopéia no Paraná

Para salvar o que restava dos índios, os jesuítas, sob o comando do padre Antônio Ruiz de Montoya, realizaram, em 1631, uma das mais dramáticas e extraordinárias fugas, para levar os mais de 12 mil sobreviventes das missões, no atual Paraná, para terras da atual Argentina.
Eles foram transportados inicialmente por cerca de 700 canoas, que, no entanto, não puderam transpor as quedas (inundadas para a formação do lago da hidrelétrica de Itaipu) existentes no rio Paraná, na atual cidade de Guaíra.

Com a aproximação dos bandeirantes, as canoas foram lançadas nas quedas, e os índios seguiram a pé, dividindo-se em dois grupos: o mais numeroso foi para as reduções de Santa Maria a Maior e Natividad, às margens do Iguaçú, próximo à atual cidade de Foz do Iguaçú, aumentando a miséria que já existia por ali.

O outro seguiu para a atual Argentina, reconstruindo as reduções de Loreto e San Ignácio Mini às margens do rio Jubaburu, depois de andarem entre 1.500 e dois mil quilômetros.

Os índios que ficaram em Natividad e Santa Maria a Maior também tiveram que migrar pouco tempo depois, deslocando-se para as margens do rio Uruguai, em retirada menos dramática que a anterior, mas também muito difícil, formando uma nova redução de Santa Maria, no atual território argentino, próximo a San Javier. A causa da migração foi a mesma: ataques dos bandeirantes.

Muito bem sucedidas em seus primeiros ataques aos índios, as bandeiras continuaram rumando para o Sul. No território do atual Rio Grande do Sul - nas antigamente conhecidas províncias da margem esquerda do Uruguai e do Tape -, os ataques dos bandeirantes começaram em 1636, quando foi tomada e totalmente destruída a redução de Jesus Maria, a mais avançada para Leste, contendo o projeto dos jesuítas de ligar a Província do Uruguai ao litoral.

O padre Cristóvão de Mendoza, que também havia participado da organização dos índios no Guairá, e da dramática fuga para a atual Argentina, encontrava-se nessa época no Tape e tentou organizar uma resistência em Jesus Maria, mas foi morto e trucidado perto da atual cidade de Caxias do Sul pelos índios ibianguaras, da tribo dos ibirajaras, que dominavam a chamada Província dos Ibiaças.

Por nova coincidência, Raposo Tavares, comandante das bandeiras que destruíram as reduções no Guairá, também estava à frente da bandeira que destruiu Jesus Maria, onde foi instalado uma espécie de quartel-general dos bandeirantes, do qual se comandou a destruição de São Cristóvão, São Joaquim, Sant'Ana; e, pela bandeira de André Fernandes, as reduções de Santa Teresa, Apóstolos, São Carlos e Candelária, embora os jesuítas tivessem ameaçado e depois concretizado a excomunhão de todos os os envolvidos nos ataques.
Quase todas as Missões foram destruídas por bandeirantes nos anos seguintes, e os índios sobreviventes migraram em massa de volta para território argentino, onde poderiam contar com a maior proteção dada pela Coroa espanhola.

Somente após 1687 os jesuítas voltaram a penetrar no território riograndense, seja atraídos pelos enormes rebanhos de gado que procriavam livremente nos campos sulinos, seja como instrumento da Coroa espanhola para conter os avanços portugueses na região, a razão desta volta não é clara. Seja como for, é nesse ano que fundam as Missões de São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga e São Miguel. Logo em seguida foram fundadas São João Baptista, São Lourenço Mártir e Santo Ângelo Custódio, constituindo os chamados Sete Povos das Missões.

O Fim das Missões Jesuitas

Em 1750, a divergêcia entre Portugal e Espanha sobre os limites de seus domínios foi resolvida pelo Tratado de Madri, segundo o qual a região de Santa Catarina e Rio Grande do Sul passou a pertencer a Portugal em troca da Colônia do Sacramento e das Filipinas. Foi então determinado que os índios abandonariam as Missões e o governo português daria 4.000 pesos a cada vila.

Apesar disto, nem os religiosos nem os guaranis aceitaram o tratado. Os jesuítas se mobilizaram e chegaram a oferecer aos reis da Espanha grande quantidade de tributos e riquezas para manter intacta aquela colonização baseada exclusivamente em valores religiosos e culturais. Em Portugal pouco puderam fazer, pois estavam deterioradas as relações entre a Ordem Jesuita e a Coroa Portuguesa. Diante dos primeiros confrontos eclodiu a chamada Guerra Guaranítica, que durou de 1750 até 1756. Os índios enfrentaram completamente desorganizados os exércitos português e espanhol, e não conseguiram resistir muito tempo. Seu principal líder foi Sepé Tiaraju, mas logo sucumbiram na Batalha de Caiboaté face à superioridade das forças portuguesas, e houve um grande número de mortos. Seguiu-se a ocupação dos povoados que os índios, ao abandoná-los, iam incendiando.

A expulsão dos jesuítas e o fim das Missões

Estavam os Sete Povos quase inteiramente devastados quando, em 1761, Portugal e Espanha anularam o Tratado de Madri. Índios e jesuítas voltaram a cruzar o rio Uruguai, retornando aos Sete Povos e reconstruindo-os nos mesmos lugares onde antes os haviam assentado, mas este último ciclo teria vida curta. Sofrendo intensa campanha difamatória na Europa e mesmo nas Américas, a Ordem Jesuíta foi responsabilizada por todos os males da região e por tentativas de criar um estado autônomo à revelia da Coroa.

Os jesuítas já haviam sido, em 1759, expulsos de Portugal, e em 1767 a Espanha fez o mesmo, o que colocou um ponto final na empresa missioneira, selado definitivamente com a supressão da Ordem em 1773.

Os índios remanescentes tiveram destino inglório. Suas terras foram ocupadas, perderam os seus bens, sofreram abusos de toda espécie por parte dos europeus, corromperam-se na bebida e no roubo para sobreviver ou morreram à míngua em grande número, e por fim os que ainda viviam foram incorporados às forças armadas portuguesas e espanholas, sendo envolvidos como massa de manobra em todos os conflitos regionais subseqüentes.