18 agosto 2012

Fuga de Luís XVI e da família real francesa

A chamada Fuga de Varennes foi a tentativa de fuga de Luís XVI e sua família. A fuga ocorreu nos dias 20 e 21 de junho de 1791. Episódio determinante dentro do curso da Revolução Francesa.
Durante a Jornada de 5 e 6 de Outubro de 1789, o povo de Paris marchou até Versailles para pedir pão ao rei Luís XVI. Como a Guarda Nacional se atrasou, o rei ficou, num primeiro momento, frente a frente com o povo. Encarregado da segurança do palácio, o Marquês de La Fayette foi incapaz de impedir a invasão do palácio. O povo assassinou qualquer um que estivesse no palácio. O Marquês conseguiu salvar a vida da família real que foi trazida para Paris, passando a viver no palácio das Tulherias.

 Detenção de Luís XVI e sua família, Varennes-en-Argonne, 1791.

Após esse episódio, os conselheiros do rei começaram a arquitetar os planos para a fuga. Os detalhes da fuga foram preparados de forma quase ingenua. Por exemplo: o plano tinha previsto disfarçar o rei em intendente, sem que ninguém notasse que um verdadeiro empregado jamais se sentaria numa berlinda (carruagem elegante, munida de 6 cavalos, dignas de um rei). A escolha da libré (uniforme) dos três cavalheiros que escoltava a carruagem não foi das mais judiciosas, já que a cor escolhida era as dos príncipes de Condé, que partiram para o estrangeiro no início da Revolução, e só podendo gerar suspeitas. Juntando o fato de que a partida da equipagem na noite de 20 para 21 de junho não fora feita dentro do mais completo segredo. Só podia resultar em fracasso.

Volta de Varennes. Chegada de Louis XVI em Paris, 25 de Junho de 1791 
(Duplessi-Bertaux a partir de um desenho de J-L Prieur).

Apesar das falhas de organização que cercaram esta empreitada, a detenção do rei marcou verdadeiramente uma virada na Revolução. A confiança entre o soberano e seu povo foi definitivamente quebrada. O rei foi acusado de traição e essa foi a principal causa do processo de acusação aberto pela Convenção em Dezembro de 1792 e que culminaria com a morte de Luís XVI na guilhotina. Precisamente quinze meses após estes acontecimentos, o rei foi destituído de seu título real com a proclamação da Républica, em 21 de Setembro de 1792, depois disso, foi julgado frente à Convenção Nacional, condenado à morte e guilhotinado, em 21 de Janeiro de 1793, sorte compartilhada posteriormente por sua mulher, Maria Antonieta, e por sua irmã, Madame Elisabeth. Quanto ao jovem delfim (príncipe herdeiro do trono), "Luís XVII", morreria de uma doença nos pulmões, em condições particularmente atrozes, dentro da Prisão do Templo, em 8 de Junho de 1795.

 Por toda a Europa, os reis absolutistas tremeram. A cabeça cortada e sangrada do rei, erguida na praça pública lotada, foi o aviso que a França revolucionária enviou aos soberanos do velho continente, junto com o grito "Morte aos tiranos!" 
Convem notar que esta detenção de um rei em fuga seguida por sua decapitação lembra estranhamente o que aconteceu na Inglaterra, 140 anos antes, com o rei Carlos I (Revolução Puritana).

Adaptado do texto da Wikipédia. 

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