22 outubro 2014

Teóricos do Absolutismo

Absolutismo é um sistema de governo em que o governante é investido de poderes absolutos, exercendo de maneira ilimitada os atributos da soberania. A maioria dos Estados Nacionais Modernos do Ocidente teve um perfil político enquadrado dentro da centralização de poderes nas mãos dos monarcas absolutos. A manutenção de um exército nacional era considerada, assim como a cobrança de impostos, uma prioridade dos monarcas absolutistas.

A criação do Estado Absolutista está vinculada às transformações que marcaram a Europa durante o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna. Nesse sentido, diversos historiadores apontam a crise do poder dos nobres, os interesses da burguesia comercial e a aliança da burguesia com os reis, como dados fundamentais que viabilizaram a ascensão dessa nova forma política.

Jacques Bossuet, Thomas Hobbes e Nicolau Maquiavel: expoentes do pensamento absolutista.

Entretanto, não foram apenas as questões políticas e econômicas que sustentaram os poderes exercidos pelo rei. Diversos pensadores se esforçaram em refletir sobre esse novo tipo de governo, se preocupando em arquitetar e organizar quais medidas, comportamentos e valores seriam melhores na manutenção do poder real. Assim, pensar a estabilidade de um governo concentrado nas mãos de um único indivíduo, com poderes absolutos, exigiu resposta a uma gama de problemas. 

De forma geral, os teóricos do absolutismo surgiram após à formação de diversas monarquias nacionais. Geralmente, apresentavam suas ideias com base em experiências e conflitos vividos por determinadas monarquias ou legitimavam o poder real por meio de uma análise comparativa entre as diferentes formas de governo já experimentadas. Além disso, contaram com invensão e disseminação da imprensa para que tivessem suas idéias lançadas ao público. 


O poder dos reis tinha, na época do absolutismo, respaldo em ideias de filósofos, como Maquiavel e Hobbes, e fortalecia a centralização de suas ações colonizadoras no tempo das navegações. Os reis do absolutismo fizeram pactos com grupos da burguesia, embora fossem aliados da Igreja Católica e concordassem com a teoria do ‘justo-preço’.

Ao mesmo tempo, lembrando que a Idade Moderna ainda estava fortemente marcada por valores religiosos, notamos que alguns pensadores absolutistas buscaram justificativas religiosas para o reconhecimento do poder real. O princípio do “direito divino dos reis” defendeu a idéia de que a ascensão de um monarca ao poder, na verdade, refletia os anseios divinos com relação ao destino da nação. Em certa medida, o rei se transformava em um representante de Deus. 



Entre os principais pensadores do absolutismo, podemos dar destaque à obra do italiano Nicolau Maquiavel, autor de “O príncipe”; do pensador britânico Thomas Hobbes, autor de “Leviatã”; o jurista francês Jean Bodin, criador de “Os seis livros da República”; e Jacques-Bénigne Bossuet, teólogo francês autor de “Política Segundo a Sagrada Escritura”.

(adaptado do texto de Rainer Sousa, Mestre em História) 



Um príncipe não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons, sendo freqüentemente forçado, para manter o governo, a agir contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião. (...) O príncipe não precisa possuir todas as qualidades (ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso), bastando que aparente possuí-las. Um príncipe, se possível, não deve se afastar do bem, mas deve saber entrar para o mal, se a isso estiver obrigado. (Adaptado de Nicolau Maquiavel. O Príncipe


Nicolau Maquiavel(Florença, 1469 — Florença, 1527) foi um historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente.

Pode-se afirmar que, O príncipe, de Maquiavel, é um dos mais conhecidos livros de aconselhamento aos governantes que desejavam manter seus poderes com sucesso. O príncipe, segundo Maquiavel, está acima de todos, já que suas ações não podem ser julgadas por nenhum tribunal. Para esse teórico, o governante deveria ter qualidades, mas se não as tiver, deve ao menos aparentar possuí-las. Além disso, é célebre suas frases: "Na impossibilidade de ser amado, é melhor ser temido que odiado” e “Os fins justificam os meios ".

Segundo Maquiavel, um governante “que agir virtuosamente em todos os casos” logo descobrirá quanto “há de padecer, em meio a tantos que não são virtuosos”. O pensamento de Maquiavel se desvincula totalmente da moral cristã ao orientar os governantes.

Com isso se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Pois a guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas naquele lapso de tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida. Portanto a noção de tempo deve ser levada em conta quanto à natureza da guerra, do mesmo modo que quanto à natureza do clima. Porque tal como a natureza do mau tempo não consiste em dois ou três chuviscos, mas numa tendência para chover que dura vários dias seguidos, assim também a natureza da guerra não consiste na luta real, mas na conhecida disposição para tal, durante todo o tempo que não há garantia do contrário. (Adaptado de Thomas Hobbes, Leviatã)
 

Thomas Hobbes (1588-1679), foi um matemático e filósofo inglês, que discorreu sobre a natureza humana e a necessidade de governos e sociedades. Dizia que o ser humano, no estado natural, é cruel e vingativo, necessitando de um governo forte e centralizado para manter o seu controle. A frase que resume suas ideias é: “O homem é o lobo do homem”. 

De acordo com Hobbes, em seu estado natural, os seres humanos são livres, competem e lutam entre si. Mas como têm em geral a mesma força, o conflito se perpetua através das gerações, criando um ambiente de tensão e medo permanentes. Para Hobbes, criar uma sociedade submetida à lei e na qual os seres humanos vivam em paz e deixem de guerrear entre si, pressupõe que todos os homens renunciem a sua liberdade original e deleguem a um só deles (o soberano) o poder completo e inquestionável. Foi um defensor da monarquia absolutista.




"O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus. Os reis são deuses e participam de alguma maneira da independência divina. O rei vê de mais longe e de mais alto; deve acreditar-se que ele vê melhor..." (Jacques Bossuet.)
 
Jacques Bossuet (1627 – 1704) foi um bispo e teólogo francês que criou o argumento que o governo era divino e os reis recebiam o seu poder de Deus. Assim, desobedecer a autoridade real seria considerado um pecado mortal. Um dos reis que se valeu de suas ideias foi o monarca absolutista Luís XIV. Bossuet se refere ao direito divino dos reis e, para ele, mais do que um indivíduo ocupando um cargo político, o rei era visto como um instrumento dotado de virtudes irrevogáveis como justiça, ordem, prosperidade, vitória e força. Para esse teórico a benção clerical durante uma coroação, mais do que provar qualquer tipo de acordo ou subordinação entre Estado e Igreja, indicava a consumação de um evento mágico onde o povo via um novo predestinado ocupando um lugar de caráter sagrado.

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