quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Revoltas do Período Regencial - Malês (1835)

A revolta dos Malês foi um conflito que deflagrado contra duas práticas comuns herdadas do sistema colonial português: a escravidão e a intolerância religiosa. Comandada por negros muçulmanos, conhecidos como malês, essa revolta ainda foi resultado do desmando político e da miséria econômica do período regencial.

Com o deslocamento do eixo econômico-admininstrativo do Brasil para a região sudeste (quando a capital foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro), e as constantes crises da economia açucareira, a sociedade baiana do período tornou-se um sinônimo de atraso econômico e desigualdade socioeconômica.

A Revolta ocorreu em Salvador (Bahia), quando alguns negros alforriados (libertados) mobilizaram aproximadamente 1500 negros para dar início à revolta. O plano de ação dos malês se constituiu a partir das experiências de combate que tiveram anteriormente na África. Suas ideias propunham o fim do catolicismo, o assassinato e o confisco dos bens de todos os brancos e mulatos, a implantação de uma monarquia islâmica e a escravização de todos que não fossem muçulmanos, independentemente de sua raça. De acordo com seus planos, eles sairiam do bairro da Vitória e iriam até Itapagipe tomando as terras e matando os ‘brancos’, em seguida se reuniriam com os demais revoltosos para então tomar o governo. Tinham o objetivo também de divulgar sua religião e “conquistar” seus direitos. A ação seguinte seria a invasão dos engenhos de açúcar e a libertação dos escravos muçulmanos.

O grupo revoltoso foi derrotado pois foram delatados para um juiz de Paz de Salvador, e este rapidamente acionou os soldados das forças oficiais que, bem preparados e armados, cercaram os revoltosos na região da Água dos Meninos, antes mesmo de chegarem a Itapagipe. Há controvérsias sobre quem foi o autor da delação, mas o fato é que em Itapagipe aconteceram violentos conflitos nos quais morreram setenta escravos e sete soldados. Foram presos cerca de 200 revoltosos, os quais foram julgados pelos tribunais. Alguns foram condenados a trabalhos forçados e açoites, outros foram enviados para a África, e os líderes foram condenados à pena de morte.

Dentre os pertences dos escravos foram encontrados livros em árabe e orações muçulmanas. Por conta do episódio, a partir de então o governo local decretou leis que proibiam a circulação dos muçulmanos no período da noite e a prática de suas cerimônias, alegando ter que evitar outras revoltas do tipo.

Apesar de ter sido reprimida com rapidez, a Revolta dos Malês mostrou a capacidade de rebelião que o povo tinha, ficando então a “ameaça” de novas revoltas durante o restante do período regencial e no segundo reinado.

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