terça-feira, 18 de agosto de 2009

D. Pedro I, um tremendo mulherengo!

D. Pedro I foi casado 2 vezes: a primeira vez com a princesa austríaca Maria Leopoldina, com a qual teve 7 filhos legítimos; e, a segunda vez com a, também austríaca, duquesa Amélia de Beauharnais.
Entretanto, ele era um grande sedutor e um tremendo mulherengo. Sabe-se que ele teve um longo namoro com a marquesa de Santos, dona Domitila de Castro, com a qual teve 5 filhos, embora apenas 2 tenham chego até a idade adulta. Além desse romance, D. Pedro I teve 5 filhos com outras 5 mulheres e teve romances com 16 amantes, fora alguns outros possíveis casos, dos quais não se tem nenhuma notícia.

Aí vem a pergunta, como ele teve tantos filhos?
Devemos lembrar que os métodos de contracepção não eram empregados na época e mesmo que houvesse algum, com certeza não era dos melhores!

Mas, o que foi feito desses filhos do imperador do Brasil? Nada! Eram bastardos do imperador. Com certeza conseguiriam algum cargo administrativo quando crescessem.

A pergunta que meus alunos sempre me fazem sobre é: como podemos saber dessas informações?
Simples, existe registro disso. Diários do próprio D. Pedro, que foram guardados e preservados, que nos dão uma boa noção das suas atividades extraconjugais. Além, claro, dos diários das damas com as quais ele tinha esses romances.

Uma coisa importante: ele era o imperador, é óbvio que não teria um romance com qualquer moça, mesmo porque ele não conhecia “qualquer moça”... as moças de seu convívio eram nobres ou ricas burguesas. Com certeza, não estariam desamparadas por terem filhos do imperador!

Mas, de todas essas mulheres que passaram pela vida do nosso Pedro I, sem dúvida a mais famosa de todas é a marquesa de Santos, dona Domitila de Castro (eles namoraram 7 anos!), com ela o imperador trocou uma enorme quantidade de cartas, apaixonadas, engraçadas, eróticas, com fofocas da corte e mesmo com detalhes da saúde sexual do monarca. 143 dessas cartas, escritas pelo próprio D. Pedro I, foram preservadas e estão organizadas na obra “Prezado Senhor, Prezada Senhora” de Walnice Nogueira Galvão e Nadia Gotlib, da Companhia das Letras, de 2001.
Segue alguns trechos interessantes:

"Nada mais digo senão que sou teu, e do mesmo modo quer esteja no céu, no inferno ou não sei onde. Tu existes e existirás sempre em minha lembrança, e não passa um momento que meu coração me não doa de saudades tuas... Fogo Foguinho" (29 de novembro de 1826)

“Amor ardente... Que alegria foi a nossa!!!! […] Tenho o prazer de lhe ofertar essas rosas e essas duas trocazes [1], que comeremos à noite. Aceite os mais puros e sinceros votos de amor do coração deste seu amante constante e verdadeiro e que se derrete ...O Fogo Foguinho” (24 de novembro de 1826)

***Fogo Foguinho??? Fala sério... que brega, D. Pedro!!!

D. Pedro rompeu com dona Domitila através da seguinte carta:
“... Eu te amo; mas mais amo a minha reputação agora também estabelecida na Europa inteira pelo procedimento regular, e emendado que tenho tido. Só o que te posso dizer é que minhas circunstâncias políticas atualmente estão ainda mais delicadas do que já foram. Tu não hás de querer a minha ruína nem a ruína de teu, e meu País e assim visto isto além das mais razões me faz novamente protestar-te o meu amor; mas ao mesmo tempo dizer-te que não posso lá ir...” (Maio de 1829)

Na resposta, ela se despede:
“Senhor, Eu parto esta madrugada e seja-me permitido, ainda desta vez, beijar as mãos de V.M.[2] por meio desta, já que os meus infortúnios e minha má estrela me roubem o prazer de o fazer pessoalmente. Pedirei constantemente ao céu que prospere e faça venturoso ao meu Imperador. E quanto à marquesa de Santos, senhor, pede por último a Vossa Majestade que, esquecendo como ela tantos desgostos, se lembre só mesmo, a despeito das intrigas, que ela em qualquer parte que esteja saberá conservar dignamente o lugar a que V.M. a elevou, assim como ela só se lembrará muito que devo a V.M., que Deus vigie e proteja como todos precisamos. De V.M. súdita, muito obrigada, marquesa de Santos.”
(15 de julho de 1829)
Nota:
1. Trocazes – pombos. Era comum as pessoas comerem pombos, codornas e outras pequenas aves.
2. V.M. – Vossa Majestade

7 comentários:

  1. seu blog tá ficando cada vez mais legal, informativo e inteligente!!!

    amoooo...
    beijos

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  2. Professora esta muito bem explicado tirei todas as minha duvidas só nesta postagem :)

    Obrigada por tudo :D

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  3. Olá Tathyana.
    Não há pecado no lado de baixo do Equador.
    Dom Pedro sempre ficou na mira por ser o nosso primeiro Imperador, porém isso era uma prática comum entre os portugueses que vinham para o Brasil.
    Diziam em Portugal - Não temos gente suficiente para dominar aquela grande colônia. Portanto vão para lá e façam filhos.
    Muitos seguiram a risca esse conselho. E fizeram filhos com suas brancas esposas, com suas negras escravas e com suas índias morenas. Muitos foram os portugueses que tinham em suas terras além da casa grande, uma série de "malocas" onde fizeram dezenas e dezenas de brasileirinhos bastardos.
    Com respeito e carinho.
    Um abraço
    Prof. Pedro

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  4. É isso ai Professor Pedro! ... Idiossincrasias à parte, o fato é que, filhos houveram com suas brancas esposas, com suas negras e esculturais escravas (de lábios carnudos, seios fartos e exuberantes quadris) e com as submissas filhas da terra. E temos ai o caldeirão donde emergem o branco europeu, o mulato, o caboclo e logo depois o cafuzo...

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  5. Olá, rápida observação, no início do texto está escrito que a segunda esposa de Pedro I, Amélia também era austríaca, mas na realidade ela era italiana de nascimento, porém veio da Áustria é verdade. abçs

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    1. Olá Edu

      Você tem toda razão, a princesa Amélia Augusta Eugênia Napoleona, ou Amélia de Leuchtenberg, nasceu em Milão, na Itália. Ela nasceu na Itália pois seu pai era vice-rei desse país. Entretanto ela é uma princesa austríaca, conforme eu escrevi em meu artigo, pois ela é da realeza da Áustria.

      Foi como representante da realeza austríaca e não italiana que ela se casou com nosso imperador, em assuntos de política de Estado isso faz toda diferença, o local onde a pessoa nasce não importa. Por exemplo, Maria II, de Portugal, filha de D. Pedro I, nasceu no Brasil, porém era considerada portuguesa, por ser dessa realeza e como tal assumiu o trono desse país.

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  6. Muito interessante essa história de D.PedroI, meu Professor de História já comentava dá fama de mulherengo do imperador.

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